sĂĄbado, 19 de novembro de 2016

ANOS DOURADOS - Parte 5: Bar Giovannetti, Café Regina e Restaurante Rosårio


 
Bar Giovannetti

O Bar Giovannetti foi fundado pelo imigrante italiano Enrico Giovannetti, em 1937. Antes de fundar o bar, Enrico era funcionĂĄrio de uma fĂĄbrica de cerveja chamada Cabeça de Cavalo. Quando seu patrĂŁo morreu, Enrico casou-se com a viĂșva Helena, e junto com a esposa abriu um empreendimento na Rua General OsĂłsio. Como aprendeu algumas tĂ©cnicas no ramo da cervejaria, Enrico sugeriu ao revendedor que aumentasse o comprimento da serpentina do chope, para gelar mais a bebida. O resultado foi muito positivo e aumentou o nĂșmero de fregueses no estabelecimento.




O bar de Enrico começou a ganhar popularidade, apesar de, no começo, ser frequentado apenas por homens. A Ășnica mulher que aparecia no local era a esposa de Enrico, a qual fazia salgadinhos em casa e levava para vender no bar.
Após o falecimento de Enrico e dona Helena, por opção da família o bar foi vendido para um garçom da casa. Posteriormente, o estabelecimento teve mais cinco proprietårios. Em 1981, a marca começou a expandir-se com a abertura de novas unidades.




Ao longo dos anos, o bar Giovannetti foi ponto de encontro de intelectuais, artistas, boĂȘmios e polĂ­ticos de Campinas.Tornou-se conhecido pela qualidade do chope, pelo capricho no preparo das receitas e pelos tradicionais tira-gostos. Estes receberam nomes curiosos como rolha (croquete), envelope (pastel), milionĂĄrio (quibe), portuga (bolinho de bacalhau) e Marta Rocha ou penosa (coxinha de galinha).




Sempre inovador, o bar lançou moda como no corte de sanduĂ­ches boca de anjo. Tal novidade surgiu nos anos de 1960, e a autoria foi do chapeiro do estabelecimento conhecido como Moleza. Foi uma criação dedicada Ă s mulheres que começavam a frequentar o bar. O mesmo chapeiro tambĂ©m criou o mais famoso sanduĂ­che do bar Giovannetti, o PsicodĂ©lico, que era feito com pontas das peças de frios que nĂŁo eram fatiados, e tambĂ©m tinha em sua receita picles, rosbife, salsichĂŁo, muçarela, tomate e azeitona.





O bar Giovannetti da Rua General OsĂłrio, prĂłximo ao Largo do RosĂĄrio, Ă© a unidade da rede mais antiga e tradicional em Campinas. É impossĂ­vel nĂŁo perceber os traços de um bar que resistiu ao tempo e manteve seu charme, observando peças como o armĂĄrio envidraçado, as cadeiras de madeira ao redor das mesas redondas, os detalhes de ferro na fachada, as peças de presunto e queijo penduradas. Traços tĂ­picos dos antigos botequins.

 
 
Café Regina

O CafĂ© Regina foi fundado em 1952, na Rua BarĂŁo de Jaguara. Apesar do ano oficial de fundação ser 1952, indĂ­cios por registros fotogrĂĄficos atestavam que o estabelecimento originou-se da cafeteria CafĂ© Ricardo, fundada em 1932, e que depois passou a se chamar Regina por causa do edifĂ­cio de mesmo nome. O fundador do CafĂ© Ricardo foi Joaquim CorrĂȘa.



 
No dia 20 de setembro de 1984, o Café Regina foi adquirido por Jorge Francisco Vaz, que era proprietårio de uma tabacaria no Eden Bar, próxima ao local. Ele era frequentador habitual da cafeteria.
O Café Regina popularizou-se por ter sido ponto de encontro de intelectuais, profissionais liberais, artistas da bola e políticos. Nesta cefeteria estiveram presentes ilustres convidados como os ex-governadores de São Paulo Paulo Maluf e José Serra, os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Luiz Inåcio Lula da Silva, o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckimin, o ator Paulo Autran, o maestro Ray Conniff, o cantor Jerry Adrianni, a atriz Claudia Raia, entre outros.

A cafeteria tem sido aos longo dos anos um dos lugares preferidos para se tratar de assuntos importantes, fechar-se negĂłcios, debater-se polĂ­tica, e manter vivo o hĂĄbito de tomar cafĂ© feito em coador de pano e saborear pĂŁo de queijo, bolos, pastĂ©is, etc.
 
Um dos traços peculiares do estabelecimento são as fotos de gente famosas e påginas de jornais do dia, que ficam estampadas nas paredes.

 
 
A Cafeteria ostenta a fama de “Boca maldita”, pois dizem que tudo que se fala lĂĄ na hora do cafezinho, vira notĂ­cia.
 
 

Restaurante RosĂĄrio

O Restaurante RosĂĄrio foi fundado em 1948, na Rua General OsĂłrio. Quando foi inaugurado, funcionava como um bar. Antes de sua fundação, existiam na localidade uma conhecida livraria chamada JoĂŁo AmĂȘndola, de propriedade do escritor e tradutor JoĂŁo AmĂȘndola, e a farmĂĄcia Cruzeiro.


 

Antes de ser fundado na Rua General Osório, o Restaurante Rosårio funcionava em um quiosque na Avenida Francisco Glicério, ao lado da Igreja Nossa Senhora do Rosårio, e chamava-se Abrigo.
Nas décadas seguintes, o restaurante passou a contar, além do espaço dedicado ao restaurante, com uma pizzaria e um bar. Passou logo a ser um dos restaurantes mais frequentados pela elite campineira.
 



 
O Restaurante Rosårio especializou-se por oferecer ao longo do tempo uma cardårpio variado, composto por carnes, aves, peixes e pratos com camarão, e cartas de vinho catalogadas, sempre combinados com qualidade no atendimento. Seus garçons usavam gravatas borboletas de cor preta e os comuins, ajudantes de garçons, gravata branca. Todos usavam calça preta, smoking branco, sapato preto e camisa branca de piquet, com uma faixa preta na cintura.



 
Nos dias atuais,o  estabelecimento mantĂ©m sua elegĂȘncia caracterĂ­stica, como as toalhas brancas alinhadas nas mesas, por exemplo. JĂĄ recebeu visitas de personalidades importantes e conhecidas no cenĂĄrio nacional, como o ator StĂȘnio Garcia, o ex-presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva e Edson Arantes do Nascimento, o PelĂ©.
 


Fonte:












 
ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

sĂĄbado, 12 de novembro de 2016

ANOS DOURADOS - Parte 4: Bar Ilustrada


O Bar Ilustrada foi uma das grandes opçÔes de lazer das noite campineiras nas décadas de 1980 e 1990, em uma região do bairro Cambuí que ficou conhecida como Setor. O bar foi fundado pelo produtor cultural Camilo Chagas. Através deste bar, Camilo incentivava artistas da cidade de Campinas e região, e dava espaço para artistas novatos e consagrados.



 
Ao longo de dez anos, o Bar Ilustrada foi um das principais casas de entretenimento de Campinas a promover bandas alternativas e de qualquer tendĂȘncia. Bandas como Os Muzzarellas, CĂ©sio 137, Lethal Charge, Bando, MarcĂ­lio Menezes, Bons Tempos, grupo Soma, Coral LĂĄtex dentre outras, tiveram seu primeiro espaço naquele local.




O pĂșblico que frenquentava o bar era composto por boĂȘmios, intelectuais, estudantes e artistas diversos. Essas pessoas frequentavam alĂ©m do Bar Ilustrada outros bares do Setor, como o Bar do Meio, Candeeiro, Scooby, City Bar, Natural, Bacamarte, Paulistinha, ContramĂŁo, Zanzibar, Bate-Papinho e CaicĂł, fundado por Nelson Camargo JĂșnior, o ZincĂŁo.

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Localizado no bairro CambuĂ­, o Bar Ilustrada , Templo do Underground em Campinas, em seus anos de existĂȘncia tambĂ©m promoveu eventos como Projeto Segunda-Feira, em que mĂșsicos que queriam mostrar seu trabalho prĂłprio poderiam se apresentar; o Projeto 2h30, madrugada de sĂĄbado, dedicado Ă s bandas de rock Quem tocava Choro podia se apresentar no Projeto Clube do Choro, assim como jazzistas e bluesmen.




Os grupos que se apresentvam naquele espaço renderam ao bar dois LPs, o Ilustrada volume 1, de MPB, com mĂșsicas autorais, e o volume 2, da fase roqueira.




O Bar Ilustrada foi fechado em 1995. No final da mesma década, a construção foi demolida após os proprietårios, pertencentes à família Penteado Freitas, venderam o espaço.
 
 
 
Camilo Chagas faleceu em 2015 em decorrĂȘncia de insuficiĂȘncia respiratĂłria e pneumonia. Ele tambĂ©m foi fundador do bloco carnavalesco TomĂĄ na Banda, uma dos mais tradicionais do Carnaval de Campinas.

 
 
 

✍ ALEXANDRE CAMPANHOLA  



Fontes:








 


sĂĄbado, 5 de novembro de 2016

ANOS DOURADOS - Parte 3: Restaurante Armorial e Cine Windsor


Restaurante Armorial
 
O Restaurante Armorial foi inaugurado no dia 09 de dezembro de 1953, pelo Dr. Lucien Genevois, casado com Margarida BulhĂ”es Pedreira, e por Ângelo Ricardo Lepreri, casado com a Sra. Solange Lepreri, franceses. O restaurante situava-se na Rua General OsĂłrio, 1250, ao lado do edifĂ­cio Tonico Ribeiro.




O Restaurante Armorial foi o primeiro a proporcionar mĂșsica ao vivo na cidade. Por muito tempo tocou neste local Arnaldo e seu conjunto. O estabelecimento apresentava um ambiente confortĂĄvel e muito fino, com jantares dançantes. Os clientes jantavam ao som do piano. As mesas eram decoradas com toalhas de linho, havia talhares prateados e porcelanas. Os garçons tinham uma conduta refinada, serviam a nata da sociedade.

Circulavam pelo restaurante artistas, empresĂĄrios, polĂ­ticos importantes, como o presidente Juscelino Kubistcheck, e outros profissionais reconhecidos.





No restaurante era servido faisão e lagosta, por exemplo, para atender ao gosto refinado das celebridades e pessoas elitizadas que lå compareciam. Os carros estacionavam na portaria, pois era uma época em que não havia o temor dos dias atuais.


No restaurante aconteciam bailes de carnaval  e concorridas noitadas do “TĂȘte”, nas quais os convidados compareciam com algum enfeite na cabeça. O Baile da Cabeça, como ficou conhecido, foi realizado em 21 de fevereiro de 1957 a fim de arrecadar recursos para a instalação de uma escola da Aliança Francesa.




No dia 23 de agosto de 1960, ocorreu um incĂȘndio no restaurante durante a noite. Alguns funcionĂĄrios ficaram feridos.
Em dezembro de 1977, o Restaurante Armorial encerrou suas atividades.

Cine Windsor


O Cine Windsor foi construĂ­do na dĂ©cada de 1960. Ele situava-se na Rua General OsĂłrio, tinha Ă  sua frente o PalĂĄcio da Justiça e bem prĂłximo, o tradicional restaurante RosĂĄrio. Era propriedade da Irmandade de MisericĂłrdia de Campinas. Foi uma sala de cinema imponente, possuĂ­a um saguĂŁo em mĂĄrmore e carpetes vermelhos. Inicialmente, possuĂ­a 800 lugares, mas chegou a ter cerca de 1800 poltronas. Era frequentado pela elite da sociedade campineira.  Foi o Ășltimo cinema a ser construĂ­do no centro de Campinas e tambĂ©m o Ășltimo a ser descaracterizado.
Era neste cinema que acontecia os grandes lançamentos cinematogrĂĄficos da Ă©poca. Era um cinema muito concorrido onde as pessoas iam para assistirem aos filmes e serem vistas.  
Era uma Ă©poca em que as crianças iam Ă  MatinĂȘ e depois podiam brincar no Largo do RosĂĄrio.
A partir de 1978, o Cine Windsor esteve sob a administração da Rede Hawai.
No inĂ­cio da dĂ©cada de 1990, grandes sucessos como “Esqueceram de mim I” e “Robocop” atraĂ­ram o pĂșblico. No lançamento do filme, o personagem Robocop esteve presente no local. Quando foi apresentado o filme “Esqueceram de mim I”, a escola em que eu estudava, Dr. JoĂŁo alves dos Santos, promoveu visitas de salas de aula ao cinema. Foi a primeira sala de cinema em que estive presente.
Em seu perĂ­odo de decadĂȘncia, o cinema passou a exibir filmes pornogrĂĄficos e tornou-se ponto de prostituição, venda e consumo de drogas.
Em 2006, o prédio foi lacrado pela Prefeitura e fechado por tapumes. Isto para impedir a entrada de moradores de rua.
Atualmente, hå uma igreja evangélica no local onde existia o Cine Windsor.





Fontes:
ALEXANDRE CAMPANHOLA

sĂĄbado, 29 de outubro de 2016

ANOS DOURADOS - Parte 2: Bar Ideal, Bar Facca e Clube da Saudade



Bar Ideal

Conhecido como “O reduto dos antigos boĂȘmios de Campinas”, nas dĂ©cadas de 50 e 60 do sĂ©culo passado, o Bar Ideal situava-se em um sobrado na Rua Conceição, na esquina com a Rua BarĂŁo de Jaguara. O imĂłvel era propriedade da famĂ­lia JosĂ© Guernelli. Seus filhos tomavam conta deste empreendimento muito popular no centro da cidade.





Neste bar reunia-se a juventude campineira composta por estudantes, jornalistas, amadores teatrais pertencentes aos vĂĄrios grupos existentes, dentre outros boĂȘmios daquela Ă©poca. Havia execução de mĂșsicas de orquestra e conhecidos mĂșsicos tocavam lĂĄ, como Nicola Pacelli, um exĂ­mio acordeonista que era cego e arrancava aplausos dos frequentadores, quando tocava tangos de sucesso.

 
 
 

Bar Facca

No final dos anos 50 nasceu o Bar Facca. O tradicional bar campineiro surgiu por iniciativa de quatro velhos amigos, que resolveram pedir as contas do Bar Ideal e abrirem o prĂłprio estabelecimento. Eles escolheram um imĂłvel na Rua Conceição, onde dĂ©cadas antes funcionou o conhecido Bar Lo Schiavo.

BAR LO SCHIAVO


O lancheiro AntĂŽnio Facca Filho e o tirador de Chope Roberto Geofrancisco, o MossorĂł, juntaram-se aos balconistas AntĂŽnio Gisolfi, o Totta, e Franscisco Pinheiro de Souza, o Chico, e levaram com eles ao novo boteco, clientes antigos que tinham encrencado com o dono do Bar Ideal.





Os amigos batizaram o empreendimento com o sobrenome do lancheiro famoso. O bar foi inaugurado com a benção do padre Francisco de Assis Almeida em meados dos anos 60. O lugar tornou-se parada obrigatĂłria para os marmanjos que passeavam pelo centro de Campinas. Apesar de ser um ambiente modesto, despertava a atenção de quem nĂŁo se importava para o luxo e gostava da boĂȘmia, da cerveja, da prosa, das gargalhadas. Mulher nĂŁo entrava, criança tambĂ©m nĂŁo. O clima era despojado, com muita cerveja e sanduiche de aliche.

Em 1984, o Bar Facca fechou suas portas por conta de uma marcação impalcåvel da vigilùncia sanitåria, que não aprovava as características do estabelecimento. Nesta época, o lancheiro Facca jå havia falecido.




 
O Bar Facca ressurgiu em 2006, apĂłs ceder o espaço nos anos anteriores a um restaurante self-service. Os novos proprietĂĄrios entraram em acordo com a famĂ­lia dos fundadores e obtiveram o direito de levantar as portas do bar com o velho nome. O bar passou por inĂșmeras reformas, mas sĂŁo as prateleiras, as azulejos na parede, as cadeiras e mesinhas de madeira, os salames e as rĂ©stias de alho pendurados que garantem a atmosfera nostĂĄlgica.








Clube da Saudade

Foi em meados do ano de 1944 que um pequeno grupo de amigos reunia-se para conversar, matar a saudade de bons tempos e dançar. Estes encontros passaram a concentrar mais e mais pessoas com o tempo, o que motivou os idealizadores a constituírem um clube social, no dia 28 de fevereiro de 1948. Surgia, assim, o Clube da Saudade.
A primeira sede do Clube da Saudade foi nas instalaçÔes anexas à Associação dos Alfaiates, na Rua Dr. Quirino, 702.

O Sr. Trajano Pereira Guimarães foi o sócio fundador e primeiro Presidente do Clube da Saudade, e em 17 de maio de 1951, ele convocou e presidiu a Assembleia Extraordinåria que oficializou a instalação e deu a personalidade jurídica de clube.



 
Após ser oficializado como clube, a sede foi transferida para a Rua Barão de Jaguara, 1357, nas instalaçÔes do primeiro andar, em um prédio em que funcionava o famoso Bilhar Estrela Dalva, localizado defronte a suntuosa Sede do Jockey Clube.

Os bailes promovidos pelo Clube da Saudade eram quase minuetos. Os casais apresentavam-se sempre elegantemente, e na hora da dança os cavalheiros tiravam as suas damas inclinando-se à frente delas. Durante o baile, as damas eram levadas de forma suave em movimentos circulares no salão.

As mĂșsicas mais executadas eram a valsa alemĂŁ, a polka da BoĂȘmia, os shots escoceses, a masurka polonesa e nos bailes de gala, sob a marcação do “Mestre-Sala”, os casais dançavam os chamados “figurados” como Sket, a Polonaise, a Parisiense, os shots ingleses, espanhĂłis e gaĂșchos, a LusitĂąnia, a polka militar, dentre outros. Os frequentadores eram exĂ­mios dançarinos e a apresentação dos casais encantava os visitantes.



 

A dança dos figurados ganhou destaque e fama resultando em convites ao Grupo da Saudade para realizar apresentaçÔes em Clubes de Campinas e região.

O clube ganhou expressĂŁo, aumentou o seu quadro de associados e diante das novas necessidades, no ano de 1985, mudou-se para o imĂłvel da Rua Dr. Betim, 203, no bairro Vila Marieta, onde permaneceu atĂ© o dia 06 de janeiro de 1996, quando foi inaugurada sua tĂŁo sonhada e desejada sede prĂłpria na Rua Dr. Betim, 190. A construção foi concretizada durante a presidĂȘncia do Sr. JoĂŁo Leite de Souza.





Em reconhecimento a grande importĂąncia na representação musical  e da dança de Campinas, o Clube da Saudade ou Grupo da Saudade, recebeu em 2002 o “Diploma de Honra ao MĂ©rito” concedido pela CĂąmara Municipal de Campinas

 
 
 

Fontes:


http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/03/metropole/bau_de_historias/250020-facca-como-sempre-elegante-como-nunca.html

 
ALEXANDRE CAMPANHOLA


sĂĄbado, 22 de outubro de 2016

ANOS DOURADOS - Parte 1: Hotel Términus e Restaurante Marreco


 
Hotel Términus

O Hotel Terminus foi construĂ­do no final da dĂ©cada de 1940 pelo engenheiro e ex-prefeito de Campinas  Miguel Vicente Cury. O hotel foi administrado naquela Ă©poca pela Companhia Paulista de HotĂ©is S.A, e funcionou atĂ© 1984.



 
Foi uma construção de estilo art déco, cuja arquitetura chamava a atenção pelos seus cantos arredondados, acompanhando sua implantação em esquina. Alguns elementos modernistas, como a marquise em concreto armado, foram utilizados no prédio, marcando um período de transição entre dois estilos arquitetÎnicos.

O projeto do hotel levou em conta o alargamento da Avenida Fanscisco Glicério, prevista no Plano de Melhoramentos que vigorava na década de 30, em Campinas, para promover mudanças no espaço urbano. O prédio seguiu em sua construção o traçado projetado pelo engenheiro Prestes Maia, no plano de desenvolvimento da cidade.



 
O Hotel Términus era caracterizado por suas janelas de madeira lustrosa, venezianas que jå não são mais fabricadas, banheiros espaçosos, mas o seu grande charme era o bar e a doceria Términus. O bar ficava nos fundos da doceria. No final da tarde, encontravam-se executivos, advogados e estudantes para tomar cerveja e provar aperitivos de criação exclusiva da casa. As senhoras da sociedade encontravam-se para tomar chå. Lå também era ponto de paquera, namoro e festas de casamento.



 
O Hotel TĂ©rminus foi o primeiro do interior de SĂŁo Paulo a ter ar condicionado e o primeiro hotel “fino” de Campinas. Na dĂ©cada de 50, foi a principal referĂȘncia da cidade e o ponto de encontro preferido de casais e profissionais liberais. Grandes figuras pĂșblicas se hospedaram neste hotel quando vinham a Campinas, como o ex-presidente Washington LuĂ­s, o governador JĂąnio Quadros, Ademar de Barros e artistas como Glenn ford, Sarita Montiel, Cesar Romero e Oscarito.  





O prédio do antigo Hotel Términus fica na Avenida Francisco Glicério , 1057 e 1091, e hoje é ocupado por uma unidade da rede de lojas Magazine Luiza.

 

 
 

Restaurante Marreco

O Restaurante Marreco situava-se na Rua Costa Aguiar, 544, ao lado do Teatro Municipal.

Seu proprietĂĄrio era JosĂ© Nicolau Ludgero Maseli, um vereador que emergiu como uma liderança em Campinas do movimento getulista. Herdeiro da alfaiataria Casa de LĂĄscio, ficou famoso por manter, com o prĂłprio dinheiro, um centro de atendimento a campineiros carentes, A Casa do Pobre, na Avenida Moraes Salles. Esta fundação promoveu-o como polĂ­tico. Na Ă©poca de Natal, JosĂ© Nicolau organizava almoços especiais, quando fechava o Marreco para que fosse exclusivo Ă  clientela tradicional e carente.





O Restaurante Marreco era uma casa movimentada e símbolo de sofisticação, em uma via com estabelecimentos tradicionais, como Bongo e Regente. Recebeu em suas mesas cantores como Orlando Silva, Francisco Alves e Ataulfo Alves.

O restaurante era ponto da alta gastronomia no centro de Campinas. Os garçons usavam paletós brancos. Os clientes deliciavam-se com o requintado marreco e com iguarias raras, como testículos de boi, especialidades do mestre cuca Paulo Feliciano Galego.

Aquelas mesas, além de receberem grandes artistas, tornavam-se tribunas políticas, uma vez que ali formavam-se chapas, debatiam-se estratégias, articulavam-se campanhas.





Hoje, funciona no antigo prédio uma loja de roupa masculina.




Fonte:

libdigi.unicamp.br/document/?down=CMUHE015112





ALEXANDRE CAMPANHOLA

sĂĄbado, 15 de outubro de 2016

PREFEITOS DE CAMPINAS: Heitor Penteado


Heitor Teixeira Penteado nasceu em Campinas, no dia 16 de dezembro de 1878. Era filho de Salvador Leite de Camargo Penteado e de Leonor Teixeira Penteado. Realizou seus estudos primĂĄrios em Campinas. Concluiu o Curso de Humanidades no ColĂ©gio Culto Ă  CiĂȘncia. Completou seus estudos no SeminĂĄrio Episcopal, na cidade de SĂŁo Paulo. Matriculou-se, em 1896, na Faculdade de Direito de SĂŁo Paulo. Bacharelou-se em 1900. Quando cursava o terceiro ano, foi eleito presidente do Centro AcadĂȘmico XI de Agosto e redator da Revista AcadĂȘmica.


 

Voltou Ă  Campinas depois de formado em Direito, e iniciou o exercĂ­cio de sua profissĂŁo. Foi nomeado, pouco depois, promotor pĂșblico da comarca, exercendo o cargo de 1901 a 1910. TambĂ©m foi curador de ĂłrfĂŁos da cidade. Durante este tempo, Heitor Penteado filiou-se ao Partido Republicano Paulista, pelo qual se candidatou a uma cadeira de vereador para a CĂąmara Municipal.

No mesmo dia em que foi empossado vereador, em janeiro de 1911, foi eleito prefeito de Campinas. Reelegeu-se vereador para os triĂȘnios seguintes, com mandato atĂ© 1922, e anualmente foi escolhido prefeito, atĂ© 1920.
Como prefeito, Heitor Penteado equilibrou as finanças do municĂ­pio e realizou vĂĄrios melhoramentos, tornando-se conhecido como o “prefeito dos jardins”. O reflexo de seu trabalho foi visto em Campinas atravĂ©s da Praça Carlos Gomes, do serviço elĂ©trico na cidade, da reforma do Bosque dos JequitibĂĄs, da Praça SĂŁo Benedito, do PalĂĄcio dos Azulejos, da Praça LuĂ­s de CamĂ”es.




Como a legislação eleitoral permitia a acumulação de cargos legislativos, em 1919, Heitor Penteado foi eleito deputado estadual, no Estado de SĂŁo Paulo. Mas, no ano seguinte, deixou seu cargo para tornar-se SecretĂĄrio da Agricultura, Viação e Obras PĂșblicas, no governo de Washington Luiz. Contribuiu para a recuperação das finanças da Estrada de Ferro Sorocabana e dirigiu a construção de diversas rodovias no estado.

Em 1924, foi eleito representante de SĂŁo Paulo na CĂąmara Federal, exercendo o mandato por trĂȘs anos. Em 1927, foi escolhido para o cargo de vice-presidente do estado, como companheiro na chapa de JĂșlio Prestes, a quem substituiu como presidente interino no dia 21 de maio de 1930 na chefia do executivo paulista. Manteve-se no cargo atĂ© o dia 24 de outubro, quando triunfou o movimento revolucionĂĄrio da Aliança Liberal.




Heitor Penteado abandonou a polĂ­tica apĂłs a Revolução de 1930 e passou a dedicar-se a lavoura. Mas, em 1936 retornou Ă  polĂ­tica, quando recomeçou suas atividades pĂșblicas na regiĂŁo municipal de Campinas. Elegeu-se vereador.

Durante muitos anos, ele ocupou a presidĂȘncia da ComissĂŁo Diretora do Partido Republicano e da Sociedade AnĂŽnima Correio Paulistano. Foi tambĂ©m diretor do Banco do Estado de SĂŁo Paulo, de 1938 a 1939.

Foi casado com a Sra. Evelina de Queiroz Teles Penteado tendo dez filhos. Seu filho José Teixeira Penteado foi juiz e presidente do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo. Em sua homenagem, uma avenida da capital, localizada no bairro de Sumaré, e a rodovia Campinas-Mogi Mirim-Águas da Prata receberam seu nome.

Heitor Penteado foi homenageado na cidade de SĂŁo Paulo com a Rua Heitor Penteado, uma importante via da zona oeste.

Ele também nomeia uma escola na cidade de Americana.


Em Campinas, uma importante avenida na regiĂŁo da Lagoa do Taquaral recebe o seu nome, assim como uma rodovia na saĂ­da para o distrito de Sousas.




Heitor Penteado morreu em Campinas, no dia 8 de maio de 1947.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Heitor_Teixeira_Penteado

http://www.emdec.com.br/eficiente/sites/portalemdec/pt-br/site.php?secao=noticiasturismo&pub=4112

http://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjAto-Z9d3PAhWEQpAKHXFcBG4QjhwIBQ&url=http%3A%2F%2Fwww.oswaldobuzzo.com.br%2FHome%2Fruas-de-campinas-sp%2Favenida-heitor-penteado&bvm=bv.135974163,d.Y2I&psig=AFQjCNHX8RqfRBqI9G5UDvZxPcoyxcIrfA&ust=1476658300990574

 
ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

domingo, 2 de outubro de 2016