sábado, 2 de junho de 2018

UM POUCO DE HISTÓRIA: Liga Campineira de Futebol


 
A Liga Campineira de Futebol organiza o mais importante e tradicional campeonato amador  de Campinas.


 
 
As atividades da Liga Campineira de Futebol iniciaram-se oficialmente no ano de 1907, de forma precária. Naquela ano foi promovido um campeonato que teve como campeã a Associação Athletica Campineira, uma das primeiras equipes de futebol de Campinas.

 
Seleção da Liga Campineira de Futebol, categoria veteranos, em 1963
 
No início do século XX, crescia em ritmo acelerado o número de equipes que se formava no futebol de Campinas, e, embora amador, o futebol infiltrava-se em todas as regiões da cidade e conquistava cada vez mais novos adeptos. A elite campineira ainda era a maior participante e era quem ditava as regras de tudo o que fora ligado ao futebol.

Em 1912, foi fundada a Liga Oparária de Foot-Ball Campineira (LOF), com a reunião de seis clubes, Corinthians F.C, Internacional F.C.M, Ponte Preta, Guarany e London. Foi o ano em que aconteceu o segundo campeonato campineiro de futebol, e a Ponte Preta foi a primeira campeã de Campinas.

 
 
 
No dia 19 de maio de 1912, no Hipódromo Campineiro, ocorreu o primeiro derby campineiro pelo campeoanto amador envolvendo Guarani e Ponte Preta, com a vitória da macaca por 2 a 1, na disputa da Liga Operária.    

 
 
 
 Já em 1916 ocorreu a fundação da Associação Campineira de Foot-ball, que organizou um novo campeonato em que o Guarani foi campeão. Nos anos de 1919 e 1920, o bugre voltou a conquistar o título do campeonato.


Campinas Futebol Clube
 
O futebol organizado em campeoatos ficou parado de 1921 a 1934, período em que algumas equipes chegaram a participar de campeoantos espalhados pelo interior do Estado, como ocorreu com Guarani, Ponte Preta e algumas outras equipes que disputaram o Campeonato do Interior.
 
 
Campeão da liga em 1949 e 1950
 
 Em 28 de fevereiro de 1935, na residência do Dr. Francisco Ursaia, presidente e representante da Associação Athletica Ponte Preta, com a presença do presidete do Guarany Futebol Clube, João Mezzalira, fundaram a definitiva Liga Campineira de Futebol, assumindo o controle do futebol local, desunido na época, que se filiou a Liga Paulista de Futebol, entidade oficial do Estado de São Paulo, filiada a Confederação Brasileira de Desporto. Nesta fundação, o presidente da referida Liga Paulista, Pedro Baldassari, nomeou como seu representante o Dr. José Carlos da Silva  Freire para participar da fundação.
 
 
 
 
 
 
As pessoas pesentes na fundação definiram que a recém fundada Liga Campineira de Futebol seria dirigida inicialmente por uma Junta Provisória composta de quatro membros, Dr. Francisco Ursaia e Orlando Fernandes de Oliveira, representantes da Associação Athletica Ponte Preta e João Mezzalira e Durval F. C. Castanho, representantes do Guarany Futebol Clube, até a eleição da diretoria definitiva, que foi feita no dia 02 de maio do mesmo ano, em um assembleia geral que elegeu Salvador Ovídio de Arruda, como presidente. A sede da Liga situava-se na Rua General Osório.

 
 
 
O primeiro campeão da Liga Campineira de Futebol, após sua formação definitiva foi a Associação Athletica Ponte Preta, sendo o Guarany Futebol Clube o vice-campeão. A Ponte Preta foi campeã em mais oito oportunidades, a última vez em 1951. O Guarani (grafia atual) foi campeão nove vezes. Em 1957, foi a última vez que conquistou o título da liga. Nas 14 primeiras edições do campeonato o título foi conquistado por Ponte Preta e Guarani. Estes dois clubes revezaram-se nas conquistas até chegarem aos campeonatos profissionais do Estado de São Paulo.
 
 
 
 
A equipe do Esporte Clube Gazeta foi campeã em 9 oportunidades e junto com o Guarani foi a maior campeã da liga. Mas o pentacampeonato do Gazeta em 1967 foi impedido, quando a equipe do Flamengo FC do bairro Cambuí foi a campeã.


Flamengo F C - Cambuí
 
Outra equipe que entrou na memória da Liga Campineira de Futebol foi o Esporte Clube Mogiana, fundada em 07 de julho de 1933, e que a partir de 1936 passou a disputar regularmente  a liga. A equipe realizou clássicos disputadíssimos contra seus maiores rivais, Guarani e Ponte Preta, mas infelizmente nunca conquistou um título no campeonato amador. Em 21 de abril de 1939, a Mogiana inaugurou o ainda incompleto Estádio Doutor Horácio da Costa, Em uma partida contra o Esporte Clube Valinhense. O time ferroviário venceu por 3 a 0.       

 
Esporte Clube Mogiana
 
Na Liga Campineira de Futebol surgiram grandes jogadores que, posteriomente, vestiram a camisa de grandes clubes de Campinas e do Brasil. Oscar Sales Bueno Filho, o Dicá, ficou conhecida como um dos maiores jogadores de todos os tempos que vestiu a camisa da Ponte Preta, e na juventude disputou a Liga Campineira pelo time de seu bairro, o Santa Odila Futebol Clube. O pai de Dicá foi técnico deste time.


Esporte Clube Santa Odila - Dicá e seu pai



 
Atualmente, a Liga Campineira de Futebol tem sua sede na Avenida Faria Lima, 345, Parque Itália .
 
 
 
Ela organiza campeonatos amadores de diferentes divisões e categorias, provendo a integração de times amadores que existem na grandiosa cidade de Campinas.
 
 

 
 
Apesar de problemas como a violência que muitas vezes mancham a importância desta integração, deve-se a existência desta liga toda uma história de destaque do futebol campineiro no cenário nacional, devido sua contribuição para a ascenção de grandes times e o surgimentos de excelentes jogadores.

 

Fontes:
 











 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 26 de maio de 2018

PREFEITOS DE CAMPINAS: Manoel de Assis Vieira Bueno


Manoel de Assis Vieira Bueno nasceu em Sorocaba-SP, no dia 02 de novembro de 1848. Era filho de Francisco de Assis Vieira Bueno, que foi deputado provincial de 1850 a 1857, e de Francisca Freire Vieira Bueno. Foi casado com Isabel Pinto Bueno.


Ele cursou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na capital do Império na época, e após de formar, retornou a São Paulo e passou a residir em Brotas, onde seu pai fixou moradia e concentrou seus negócios. Manoel de Assis Vieira Bueno montou sua clínica nesta cidade e passou a atender a população carente local, no município vizinho de Campo Alegre, e em outras localidades sem cobrar nada.

No município de Campo Alegre, ele tornou-se chefe político, e fundou o diretório do Partido Republicano Paulista (PRP), participando ativamente da propaganda republicana.

Em 1888, Manoel de Assis Vieira Bueno mudou-se para Campinas, onde exerceu sua atividade clínica e colaborou com os jornais mais importantes do município.

 Após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, foi nomeado delegado de polícia do município, cargo que exerceu até o ano seguinte. Em 23 de março de 1893, Manoel foi eleito deputado federal em vaga aberta devido à renúncia de João Álvares Rubião Júnior, que assumiu o cargo de secretário de finanças do estado de São Paulo. Naquele ano, ele assumiu sua cadeira na câmara dos deputados do Rio de Janeiro e exerceu o mandato até dezembro, quando se encerrou a legislatura.

Em 1896, ele foi eleito vereador e assumiu uma cadeira na câmara municipal de Campinas. Foi reeleito e permaneceu nela até 1899.

Assumiu o cargo de intendente municipal de Campinas, equivalente a prefeito nos dias atuais, entre os anos de 1899 a 1901. Neste período, Manoel de Assis Vieira Bueno destacou-se pelo combate à febre amarela, que castigou a cidade. Ele realizou importantes reformas em praças, jardins e largos, visando ao saneamento e à higienização do espaço público. Entre as principais iniciativas que contribuíram para melhorar as condições sanitárias da cidade pode-se destacar a conservação do Jardim Público, do Jardim da Praça Visconde de Indaiatuba e da Praça da Matriz Velha. Mas, a obra mais importante foi o saneamento do Largo do Pará através de seu ajardinamento.

Foi também mordomo da Santa Casa de Misericódia de Campinas.

Manoel de Assis Vieira Bueno morreu no dia 09 de outubro de 1905, em Campinas.



Fontes:

FONSECA. A.; FONTES JUNIOR, A. Senado; LEME, L. Genealogia (v.5); LIMA,

S. Sanear; SANT´ANA, J. Repertório.

ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 5 de maio de 2018

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: Doces Campineira


 
Todos os dias quando passo pela Rodovia Dom Pedro, sinto em determinado trecho um delicioso cheiro de biscoitos, que sai das chaminés da fábrica da Triunfo, e despertam na gente aquela saudade da infância, quando a vida era brincar e saborear doces. Um dia destes descobri a história da Triunfo, uma marca tipicamente campineira, e descobri que tudo começou há muito tempo atrás, quando homens empreendedores trouxeram de Portugal a tradição dos doces e entraram na história de Campinas.



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Segundo uma publicação do jornal Correio Popular de 14/11/2013, foi o português João Francisco Alonso, que nasceu no dia 12 de outubro de 1908, no Distrito de Bragança, em Portugal, o primeiro proprietário da indústria de Doces Campineira. Posteriormente, ele criou a indústrias de Doces Netinho, que existiu durante muito tempo no bairro Bonfim.

 
Mas, o que se sabe também é que a Doces Campineira surgiu através das atividades comerciais do pai do falecido prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho. O pai de Toninho chamava-se Joaquim da Costa Santos e nasceu em Póvoa do Varzim, em Portugal, no ano de 1918. Durante a Segunda Guerra Mundial, Joaquim mudou-se para o Brasil, trabalhou de jardineiro, ascensorista, até que começou a atuar no ramo de negócios da comunidade portuguesa, o das padarias. No final da década de 40, Joaquim veio para Campinas e instalou um pequeno depósito para distribuição de doces em um cômodo da Rua dos Alecrins, no bairro Cambuí. Este pequeno depósito transfomou-se nos anos 50 na fábrica de doces Campineira, que viria a ser uma das principais empresas do ramo no Brasil.

 
 
 


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Liderada pelo Senhor Santos e administrada por portugueses, a Doces Campineira passou logo a fornecer doces para inúmeros comércios da região de Campinas e de outras cidades. Para quem morava em suas proximidades, na Rua dos Alecrins, era impossível não se deliciar com o aroma de caramelo, morango, chocolate e amendoim que perfumava o ar. A fábrica ocupava o quarterão onde hoje se encontra o Colégio Objetivo.


 
 



 
 
As entregas dos doces eram feitas em um furgão preto, que tinha pintado na lataria a imagem do Zorro. E foi este personagem que deu nome a um dos mais famosos produtos da Doces Campineira, o pirulito Zorro.

 
 
 
 
O pirulito Zorro, ao contrário dos outros pirulitos que são redondos, era retangular. Era um pirulito de caramelo com coco, duro e que grudava nos dentes. Era um sucesso nos armazéns e bares da cidade.

 
 
 

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Outro doce que a Campineira fabricava e fazia muito sucesso era a paçoca Pilantra. Era uma paçoquinha de chocolate muito gostosa. Também se tornaram queridas entre a criançada as balas Kleps e 7belo. As balas Kleps vinham embaladas em tiras, com desenhos de animais e de uma menina na embalagem.



 
 
Mais um doce muito adorado era o chocolate Guarda-chuva. Era um desafio retirar a embalagem sem quebrar a ponta do guarda-chuva.





O senhor Santos mantinha alguns contatos comerciais na cidade de São Paulo, dentre eles, com o representante comercial, na época, Armindo Dias.

 


Armindo Dias nasceu em Portugal, e em 1956, abriu mão de trabalhar na lavoura no pequeno pedaço de terra da família, no interior de seu país, e veio para o Brasil. Trabalhou na Bahia com representação de produtos alimentícios e na Lacta, em São Paulo, época em que conheceu Joaquim da Costa Santos. 

Ao saber do empreendimento do amigo, Armindo interessou-se em comprar 25% do negócio. Mais tarde, com o interesse do senhor Santos de vender totalmente a Campineira, temendo que a empresa crescesse a ponto de a família não conseguir mais controlá-la, Armindo Dias tornou-se o novo proprietário da fábrica de Doces Campineira, em 1964.

Considerando o nome da fábrica muito regional, ele mudou seu nome para Triunfo e começou a trazer equipamentos da Inglaterra para modernizar o negócio.


Autoria fotográfica: Carlos Bassan
 
Nos anos seguintes, a Triunfo continuou sua história de sucesso iniciada com o nome de Campineira. A empresa mudou de endereço e passou a produzir seus produtos em uma fábrica na Rua Henrique Veiga, no bairro Santa Genebra. Os biscoitos Triunfos começam a ganhar espaço na preferência popular e torna-se o principal produto da companhia.

 
 

Em 1992, a Triunfo tornou-se líder nacional do segmento com a marca de biscoitos Triunfo, gerando 2400 empregos diretos.

 
 

Ainda  década de 90, durante uma de suas viagens para a Europa, Armindo conheceu empresários da Danone, que pretendiam fazer investimentos no Brasil, após outras tentativas mal sucedidas. Armindo vendeu uma parte da Triunfo para a Danone e por algum tempo teve-a com sócia na Triunfo. Mas, com o passar do tempo e diferenças de gestões, ele vendeu sua parte. Isto em 1997.

 
Autoria fotográfica: Carlos Bassan
 
Segundo relatos, no período em que foi proprietária da Triunfo, a Danone fechou o departamento de doces e balas, e concentrou-se na fabricação de biscoitos. Mas, tal decisão representou um francasso, uma vez que foi a venda de balas e doces que permitiu à Campineira tornar-se uma empresa de repercussão nacional. A salvação foi a marca de biscoitos Triunfo.

Em 2004, a Danone e a empresa alimentícia Arcor fecham fusão na área de biscoitos, e a marca Triunfo passa a ser propriedade desta joint venture.

 


Fontes



http://www.panoramadenegocios.com.br/armindo-dias-um-exemplo-de-garra-e/

Um agradecimento especial ao amigo fotógrafo Carlos Bassan pelas fotos que registraram o interior da fábrica da Triunfo no passado.



😎 Que tal voltar a Campinas dos anos 80?



Imagine passear novamente pelas ruas movimentadas de Campinas, sentir o cheiro dos doces da Padaria Orly, ler sobre lojas como a Muricy, Rua Treze de Maio, e se emocionar com as histórias de uma juventude cheia de sonhos, amizades e descobertas.









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terça-feira, 1 de maio de 2018

MINHA HOMENAGEM À: Enea Raphaelli


 
A advogada Enea Caldatto Raphaelli foi a primeira vereadora eleita por voto direto em Campinas.


 
 
Entre os anos de 1969 e 1972, ela atuou como parlamentar no Legislativo de Campinas, sendo a mais votada entre os 18 vereadores da época com 3060 votos.




Eleita pelo partido Arena, seu nome foi colocado na disputa eleitoral pelo prefeito Ruy Novaes. Quando assumiu seu cargo, encontrou certo preconceito por parte dos integrantes da Câmara e dificuldades devido ao despreparo estrutural da instituição para receber uma figura feminina.




Enea foi uma vereadora conhecida pela personalidade forte e o jeito direto de se comunicar.




Enea atuou durante mais de 40 anos na advocacia, ocupando diversas funções na OAB Campinas.




Ela foi coordenadora no Núcleo Campinas da Escola Superior de Advocacia.Também atuou como professora.

 
 

 Enea Caldatto Raphaelli faleceu em Campinas, no dia 25 de abril de 2018.

 

 
Fontes:


 


 

 ALEXANDRE CAMPANHOLA
 
 

sábado, 21 de abril de 2018

CAMPINAS SENTE SAUDADE: Camilo Lellis de Chagas



Madrugada boêmia naquele ano de 1985. Amigos conversam no badalado Bar ilustrada, na Rua Benjamin Constant, bairro Cambuí, naquela região conhecida como Setor. Na mesa do bar, um dos proprietários Camilo Chagas e seus amigos não se conformam com a solidão das ruas campineiras justo nas vésperas do Carnaval. Então, aqueles dez amigos resolvem sair pelas ruas cantando e dançando, tentando trazer ânimo e vida aquela noite silenciosa. Quando Camilo olha derredor, mais de 200 pessoas entre boêmios e mendigos os seguem com o mesmo propósito, animar o Carnaval de Campinas. Surge a partir daí um bloco carnavalesco, naquela noite “elítica”, um bloco que se tornaria um dos mais tradicionais de Campinas, cujo nome foi inspirado em bandas famosas, como a Banda de Ipanema do Rio de Janeiro, surge o Tomá na Banda.




 
 
Nascido em 1951, Camilo de Lellis Chagas foi um popular e querido produtor cultural de Campinas. Lembrado por seu jeito engraçado e muito espirituoso, dedicou-se a incentivar artistas locais e regionais, dando espaço a novatos e consagrados. Nas décadas de 80 e 90, ele agitou culturalmente as noites de Campinas através de um bar, que entrou para a memória da cidade, o Bar Ilustrada.
 
 
 

“Foi uma época de ouro da boemia campineira. Hoje não tem mais essa aura boêmia. A música popular perdeu muito com o fim desses bares.”

Noite agitada. Os Muzzarelas se apresentam no palco daquele bar onde jovens estudantes, boêmios, artistas, intelectuais, e as demais pessoas prestigiam a vanguarda musical da época, a inovação. Os olhos de Camilo brilham diante dos novos artistas e de novos fãs. Campineiros prestigiam o que há de novo no cenário musical, o que há de desconhecido mostrando o seu valor, sua arte. O Bar Ilustrada, um banho de bar, tem sempre suas portas abertas para a nova geração, para o que é popular. É também o Tempo do Underground.
 
 
 
 
Camilo foi um dos proprietários do Bar Ilustrada, ajudou a promover inúmeros artistas e realizou projetos importantes, como o Projeto 2h30, Madrugada de Sábado, dedicado às bandas de Rock e o Projeto Clube do Choro, para quem tocava Choro, Jazz e Blues.




A personalidade inquieta de Camilo permitiu que ele fosse um homem inovador em suas ideais. Ele foi criador do projeto “Segunda-feira”, que trouxe grandes nomes da música para Campinas. Camilo teve a ideia, ao assistir a um show do cantor Arrigo Barnabé em São Paulo, no auge da chamada Vanguarda Paulistana. Após o show, ele revelou ao artista que pretendia convidar músicos paulistanos para apresentações em Campinas, no começo da semana, quando os bares da capital ficam fechados. O projeto tornou-se um sucesso e o cantor Arrigo Barnabé passou contatos de outros músicos da Vanguarda. Participaram do projeto nomes como Cida Moreira, Tom Zé, Jards Macaé, Paulinho Nogueira, entre outros. Sambistas como Nelson Sargento, Aniceto do Império, Geraldo Filme e Boca Nervosa. Artistas locais como Bons Tempos, Coral Latex, Ding Dong, Zeza Amaral, Chiquinho do Pandeiro, entre outros.




Os grupos que se apresentavam no palco do Bar Ilustrada renderam ao bar dois LP’s , o ilustrada volume 1, de MPB, com músicas autorais, e o volume 2, da fase roqueira.

O Bar Ilustrada fechou as suas portas em 1995, e foi mais um espaço do saudoso Setor que desaparecia, deixando cada vez mais silenciosas as noites boemias do centro campineiro.

Camilo foi professor de cursinho e organizador de eventos.

Camilo Chagas morreu no dia 02 de março de 2015, aos 63 anos. Depois de anos lutando contra uma hepatite C, uma pneumonia e insuficiência respiratória levou embora este homem, que certamente Campinas sente saudade, por todas as suas realizações no cenário cultural campineiro.

 


Fontes:

 

 

 

ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

sábado, 14 de abril de 2018

CAMPINAS SENTE SAUDADE: Bozó e Dito Colarinho


 
BOZÓ

No dia 24 de setembro de 2017, morreu uma figura conhecida da cidade campineira e da torcida do Guarani, Bozó.

 
 
 
José Carlos Roque de Oliveira, era filho de um sambista de grande prestígio em Campinas, Juquinha, que nas décadas de 1970 e 1980 foi presidente da Escola Carnavalesca Império do Samba, que ensaiava na Rua José de Alencar, por cima do Viaduto Cury.

Bozó desfilava sua simpatia pelas ruas do centro de Campinas. Sempre vestido com a camisa de seu time de coração, o Guarani, ele era um fanático torcedor, que defendia com garra seu time preferido. Encontrava-se constantemente na Rua Treze de Maio, onde perambulava pelo comércio.




Bozó gostava de frequentar os bares do centro da cidade, e falar sobre o time que tanto amava. Apelidaram-no de “Bozó” porque era parecido com o personagem criado por Chico Anysio, no programa Chico City. Era um homem simpático e divertido, muito querido, mesmo pelos torcedores do rival do Guarani, a Ponte Preta.

 
 

 
Um infarto fulminante em sua casa, na Vila Manoel de Nóbrega, foi a causa do passamento deste tipo popular e torcedor folclórico do Guarani de Campinas.

 

DITO COLARINHO

Dito Colarinho desfilava sua elegência pelas ruas da cidade campineira. Trabalhava como carroceiro. Atendia a todos com muito respeito e alegria, pois estava sempre brincando e sorrindo. Encontrava-se no ponto da estação, sempre à espera de encomendas para carretos. As bagagens trazidas da capital pelos trens, eram distribuídas pelo Dito Carroceiro pelas lojas de varejo da Treze de Maio, e pelas de atacado da Costa Aguiar.


 
 
O orgulho deste querido carreteiro era possuir um boné de maquinista da Companhia Paulista. Certamente, recordando o tempo quando a profissão de maquinista era uma das mais respeitadas. Era reconhecido pela camisa de linho impecável e pela gravata borboleta que usava, estilo que lhe rendeu o apelido de Dito Colarinho.

O nome de Dito Colarinho era Benedito Vasconcelos Siqueira. Ele morou na Rua Culto à Ciência, na residência de número 59. Era um homem simpático e popular, tanto que, por ocasião da morte de seu cavalo, as pessoas reuniram-se para comprar-lhe outro cavalo, e assim poderia continuar sua atividade.


 
 
Dito Colarinho gostava muito de uma cachaça e parava nos bares para tomar umas e outras. Dizem que o cavalo que puxava a carroça estava tão acostumado a este hábito do Dito, que, quando o carroceiro não parava, o cavalo parava por conta própria e, enquanto o Dito não descia, mesmo que não fosse por causa da cachaça, o cavalo não seguia adiante.

No dia 20 de fevereiro de 1967, a estação da Companhia Paulista já não tinha aquela figura tão constante e querida, aquele homem sempre engravatado, que tinha uma elegância única. Morreu neste dia Dito Colarinho.

 



Fontes:






 

 
ALEXANDRE CAMPANHOLA