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domingo, 21 de agosto de 2016
CAMPINEIROS OLÍMPICOS
Hoje, dia 21 de agosto de 2016 encerram-se os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Vale lembrar neste dia alguns dos grandes atletas que nasceram em Campinas e conquistaram a tão sonhada medalha olímpica. Meus parabéns não apenas a estes atletas, mas a todos os atletas campineiros ou não que se dedicam ao esporte e são exemplos de superação, de esforço e paixão.
ALEXANDRE CAMPANHOLA
domingo, 14 de agosto de 2016
CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A empresa CCTC
A
empresa CCTC, Companhia Campineira de Transportes Coletivos, pertencente ao
grupo Viação Cometa, chegou à Campinas em 1951, através da compra das
linhas da Viação Lira, que operava na cidade naquela época. No final daquela
década já contava com 16 linhas em operação. Em 1954, a CCTC comprou as linhas
de bonde da Companhia Campinas de Tração, Luz e Força, incluindo 28 bondes, 13 linhas e 26 Km de trilhos.
Em
1960, a empresa reaproveitou o ramal da Sorocabana até Cabras e fez a linha de
24 bondes. A CCTC chegou a ter 58 Km de linhas implantadas. Em 1964, com o
crescimento da cidade, a empresa começou a desativar os bondes, até que em 24
de maio de 1968, o último bonde campineiro circulou naquela noite pela cidade.
Na
década de 70, a CCTC teve uma atividade predominante em Campinas. Operava da
forma que queria, alugava linhas para outras empresas operarem em trechos que
eram desprovidos de asfaltamento ou eram muito distantes e pouco rentáveis. O
esquema da empresa com a prefeitura era de barganha, renovando a frota apenas
após generosos aumentos da tarifa. Ainda assim, a população aprovava seu
serviço.
Em
1979, o prefeito Francisco Amaral licitou as linhas da cidade e a CCTC perdeu
sua hegemonia. Mesmo assim, a empresa continuou operando mais da metade das
linhas sozinha e ficou com as mais rentáveis. Em 1985, trouxe os primeiros CMA
Scania para operar no Terminal Barão Geraldo nas linhas troncais. Os carros,
todos vermelhos, foram apelidados de “boi vermelho”.
Em
1987, foi formada a Câmara de Compensação Tarifária, em que as empresas fariam
um depósito único dos valores recebidos de tarifa e depois rateariam
proporcionalmente, a fimde uma empresa não era aceito pela
outra. A CCTC discordou da criação da Câmara e anunciou sua saída da cidade , o
que ocorreu em 1989, quando suas linhas foram divididas entre três empresas.
Fontes:
https://campinasnostalgica.wordpress.com/2014/page/5/
ALEXANDRE CAMPANHOLA
sábado, 30 de julho de 2016
RUA DUQUE DE CAXIAS: Quem foi o Duque de Caxias?
Luís
Alves de Lima e Silva nasceu em 25 de agosto de 1803, no município de Porto da
Estrela, que hoje tem o nome de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Era filho
do Tenente Francisco de Lima e Silva e Cândida de Oliveira Belo.
Aos
cinco anos de idade, no dia 22 de novembro de 1808, Luís Alves de Lima e Silva
foi admitido como praça no Regimento de Infantaria de Linha , seguindo uma
tradição familiar de várias gerações. Aos quinze anos, matriculou-se na Real
Academia Militar, de onde saiu como tenente para ingressar em uma unidade de
elite do Exército do Rei.
Luís
Alves de Lima e Silva tornou-se notável no período imperial por combater
algumas revoltas que ocorreram no território brasileiro, após a proclamação da
independência, em 10 de novembro de 1822. Foi reconhecido como um chefe militar
de admirável bravura, dotes estrategistas e virtudes de pacificador.
A
primeira campanha que ele participou foi na pacificação dos revoltosos na
Bahia, no movimento contra a independência sob o comando do general Madeira de
Melo.
Com
a vitória contra aquele movimento que foi denominado Batalhão, foi promovido
capitão e recebeu a Imperial Ordem do Cruzeiro das mãos de Dom Pedro I. Também
recebeu, no sul do país, as insígnias de major e as comendas da Ordem de São
Bento de Avis e Hábito da Rosa, quando naquela sorte foi chamado para manter a
unidade nacional na Campanha da
Cisplatina.
Após
a abdicação do imperador Dom Pedro I, em 1831, permaneceu ao seu lado e teve
participação importante no Batalhão Sagrado, para manter a ordem no Rio de
Janeiro. Organizou a Guarda Nacional que
depois se transformou em Guarda Municipal Permanente.
Em
1833, casou-se com Ana Luiza de Loreto Carneiro Vianna, na época com dezesseis anos
de idade. Com ela teve duas filhas, Luiza de Loreto e Ana de Loreto, e um
filho, Luís Alves Jr.
Foi
por sua participação importante para combater os revoltosos do Movimento da
Balaiada, no Maranhão, que o tenente-coronel Luís Alves de Lima recebeu o título
de nobreza de o Barão de Caxias, pois foi a cidade maranhense de Caxias palco
de batalhas decisivas para a vitórias das forças imperiais. Este título foi
outorgado no ano de 1841, e neste mesmo ano Caxias foi eleito deputado à
Assembleia Legislativa pela Província do Maranhão.
Em
1842, Caxias comandou a repressão às revoluções liberais ocorridas em São Paulo
e Minas Gerais, e foi nomeado Comandante-Chefe do Exército em operações,
Comandante das Armas da Corte, cargo que já havia sido ocupado por seu pai, e
Presidente da Província do Rio Grande do Sul. Esta nomeação foi uma medida
tomada pelo Imperador Dom Pedro II que temia pelo fortalecimento da Revolta
Farroupilha, no sul do império. No dia primeiro de março de 1845, foi assinada a
paz de Ponche Verde, que deu fim à Guerra dos Farrapos. Em abril daquele ano,Caxias
foi promovido Marechal de campo.
Ainda
no Rio Grande do Sul, tornou-se senador do império, em 1847, e foi
nomeado Comandante e Chefe das forças no sul, em 1852, por causa das tensões na
fronteira do estado. Desempenhou com êxito uma campanha contra os ditadores Rosas,
da Argentina, e Oribe, do Uruguai. Neste mesmo ano, tornou-se Marquês de
Caxias.
Voltou
a ocupar posições políticas após um tempo em que cuidou da saúde, sobretudo de
uma moléstia hepática que o acometeu. Tornou-se Ministro da Guerra, Chefe do
Gabinete Conservador e já com os liberais no poder, Conselheiro de Guerra.
Em
1866, enfrentou, talvez, seu maior desafio. Foi convidado para assumir a função
de treinar e reorganizar as tropas que atuavam na Guerra do Paraguai. Caxias já havia exercido a função de
conselheiro no começo da guerra, e tinha que reverter uma situação de crise
vivida pela Força Nacional envolvida no combate. Ele instituiu o avanço de flancos
gerais, o contorno de trincheiras e o uso de balões cativos para espionagem.
Sucedeu-se
uma série de batalhas vitoriosas e depois da célebre Batalha de Itororó
seguiu-se a campanha final, a Dezembrada. Foi sua última vitória. Quando
retornou ao Rio de Janeiro, Caxias recebeu o título de Duque, aos 66 anos de
idade, tornando-se o único brasileiro a merecer esta honraria.
Ainda
continuou a atuar ativamente na política do império, como Conselheiro do Estado,
Presidente do Conselho e Ministro de Guerra. Retirou-se do cenário político por
motivos de saúde.
O
Duque de Caxias teve dentre os inúmeros reconhecimentos e homenagens no
território nacional ao longo do tempo, o título de Patrono do Exército
Brasileiro, em 1962.
Luís
Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, morreu onde viveu os últimos anos de
sua vida, na Fazenda Santa Mônica, em 7 de maio de 1880.
A
Rua Duque de Caxias foi chamada anteriormente de Rua do Tanque. Ela tem início
na Avenida Prefeito José Nicolau Ludgero Maseli e estende-se até a Rua Coronel
Quirino, no Cambuí. Ao longo de seu trajeto, encontra-se alguns lugares
conhecidos e históricos de Campinas, como a Largo do Pará e a Obra Social São
João Bosco. Seu nome homenageia o grande patrono do Exército brasileiro.
Fontes:
domingo, 10 de julho de 2016
PARA SEMPRE CARLOS GOMES
É incontestável a importância do maestro Carlos Gomes para Campinas. Foi ele quem projetou o nome desta ilustre cidade brasileira para o mundo, através de seu talento e suas admiradas obras, como O Guarani. A cidade campineira tem muito orgulho de ser a terra natal deste grande homem, que tem seu nome reconhecido e respeitado em todo o país, e em diversas partes do mundo. Por isso, basta andar pelas ruas do centro campineiro para encontrar algum lugar que foi batizado com seu nome ou foi inscrita alguma informação que remete ao grande homem campineiro. Nesta publicação, foram escolhidos alguns lugares que homenageiam Carlos Gomes.
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| Praça "Ópera A Noite no Castelo", situada nas proximidades no Mercado Municipal. Homenageia a primeira ópera de Carlos Gomes |
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| Neste local nasceu Carlos Gomes, em uma casa que não existe mais. Situa-se na Rua Regente Feijó, 1261. Atualmente existe um hotel nesta localidade. |
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| Museu Carlos Gomes no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas - CCLA Rua Bernardino Campos, 989 |
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| Largo do Pará - Está praça recebe esta denominação porque Carlos Gomes viveu e faleceu no estado do Pará, na cidade de Belém. |
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| Monumento túmulo à Carlos Gomes - situa-se na Praça Antônio Pompeo |
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| Praça Carlos Gomes - envolvida pelas ruas Irmã Serafina, Conceição, Boaventura do Amaral e General Osório |
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| Escola Estadual Carlos Gomes - Avenida Anchieta, 80 |
Estes são apenas alguns lugares cujos nomes ou referências homenageiam o grande maestro Campineiro. Se você quiser comentar e citar outro lugar que conheça, fico muito agradecido pela participação.
ALEXANDRE CAMPANHOLA
* Algumas imagens foram retiradas da Internet
ESTAÇÃO BOA VISTA VELHA - Um pouco de história
A
estação Boa Vista Velha foi inaugurada em 1875, na região antes denominada Fazenda
Boa Vista, em Campinas. A empresa
responsável por sua construção foi a Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Naquela
época, o transporte ferroviário era o principal meio de escoamento do principal
produto de comercialização das cidades do interior paulista, o café. Surgiram
assim, importantes empresas responsáveis pela implantação e manutenção das vias
ferroviárias, como a própria Companhia Paulista de Estradas de Ferro e a
Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.
Na
década de 70 do século XX, na região da Fazenda Boa Vista, onde se situa a
Estação Boa Vista Velha, foi inaugurada a empresa da General Electric, que
inicialmente se especializou na fabricação de locomotivas. Com a chegada da multinacional, tornou-se mais intensa a movimentação de veículos e pessoas nessa região, onde predominou por muito tempo a atividade agrícola.
Em
1972, sob a administração da FEPASA, a Estação Boa vista passou a ser ponto de
partida para a variante Boa Vista - Guedes, que passava pela refinaria de
Paulínia. Alguns anos depois, das linhas da Boa Vista passou a sair uma linha
que uniria essa estação a Mairinque, na antiga Sorocabana.
Com
o passar dos anos, a atividade ferroviária entrou em declínio no país, e isto
fez com que diminuíssem bruscamente as movimentações que aconteciam na Estação
Boa Vista Velha.
Em
1996, mesmo em mau estado de conservação, a estação mantinha funcionários que
cuidavam das manobras dos trens da FEPASA, que faziam suas manobras para ir
para Mairinque, Rio Claro e Paulínia.
Em 2000, a estação já estava abandonada e depredada. As suas operações passaram todas para a estação de Boa Vista-Nova, na variante Boa Vista-Guedes.
Em 2011, a estação estava pintada de marrom na lateral e totalmente depredada por dentro, tendo desaparecidos os pisos de madeira. O Andar debaixo, acessível pelo outro lado da estação, estava aparente.
Em
2016, a velha estação continua em seu estado de abandono. Suas paredes
encontram-se pichadas e danificadas. As telhas estão quase destruídas por
completo, expondo o interior da construção às ações do tempo. Em seu interior,
as paredes também estão pichadas e afetadas por depredações. O piso foi
totalmente destruído e há muito entulho da própria construção.
Há casas derredor que foram construídas na época das atividades da estação, porém a região encontra-se em estado de inatividade, pois circulam poucos trens atualmente. Com a ocupação de algumas terras e o surgimento de novos bairros, como Chico Amaral e Shalon, junto ao surgimento de algumas empresas, hoje se percebe uma frequente movimentação de pessoas e veículos, salvo aquelas que passaram a existir em virtude da presença da multinacional General Electric naquela região.
Há casas derredor que foram construídas na época das atividades da estação, porém a região encontra-se em estado de inatividade, pois circulam poucos trens atualmente. Com a ocupação de algumas terras e o surgimento de novos bairros, como Chico Amaral e Shalon, junto ao surgimento de algumas empresas, hoje se percebe uma frequente movimentação de pessoas e veículos, salvo aquelas que passaram a existir em virtude da presença da multinacional General Electric naquela região.
Fontes:
ALEXANDRE CAMPANHOLA
sábado, 2 de julho de 2016
quinta-feira, 30 de junho de 2016
GRANDES HOMENS DE CAMPINAS: Antônio Ferreira Cesarino
Antônio
Ferreira Cesarino nasceu em 1808, na Vila do Paracatu do Príncipe, noroeste da
então Província de Minas Gerais. Nada se sabe sobre sua mãe, sequer o nome,
pois ela morreu após o menino nascer. Antônio Cesarino foi confiado a uma tia
paterna, que o criou em uma das fazendas próximo a Vila. Através da tia Mariana, ele aprendeu a ler,
escrever e contar. Era filho de um negro alforriado, ou seja, que havia obtido
sua libertação. O nome de seu pai era Custódio. Cesarino o conheceu apenas aos 11 anos de
idade, quando o tropeiro retornou à Vila do Paracatu do Príncipe. Custódio entrou em Campinas, chamada Vila de
São Carlos na época, com uma tropa de mulas durante o período escravista, em
1838, e resolveu vender a tropa para que o filho de 14 anos pudesse estudar.
Como
já sabia ler e escrever na adolescência, Antonio Cesarino ganhou prestígio para
com João Francisco de Andrade, capitão-mor e importante fazendeiro da região, o
qual foi a maior autoridade da Vila de São Carlos, Campinas, durante longos
vinte anos. Antônio Cesarino na idade adulta tornou-se feitor de engenho,
acompanhava a produção da cana de açúcar e conhecia os tempos de plantar,
limpar, cortar e fazer a roça. Também atuava no trato com os escravos e na defesa
das terras de seu senhor. Trabalhava arduamente na fazenda de João Francisco de
Andrade, vivendo de maneira diferenciada, ganhando um bom salário e
desempenhando funções de destaque.
Antônio
Cesarino também estudava música com Maneco músico, Manoel José Gomes, pai de
Carlos Gomes.
Quando
deixou a fazenda, ele exerceu outras ocupações como carpinteiro, músico e
alfaiate. Esta última atividade o renumerava satisfatoriamente. Na época em que
era alfaiate, estudava à noite e conseguiu o diploma de professor.
Casou-se
com Balbina Gomes da Graça, negra e alfabetizada, no final da década de 1820.
Passou a trabalhar com a comercialização de fazendas (tecidos) após o
casamento, mas tempos depois atuou como mascate visitando outras regiões do
país. Quando voltou, tinha uma relevante quantia de dinheiro que pôde juntar, e
fundou com sua esposa um colégio feminino.
Antônio
Cesarino fundou a escola Perseverança, em 10 de março de 1860. A escola funcionou
até 1876. Ficava na Rua do Alecrim número 1, atual Rua 14 de Dezembro, esquina
com a Rua América, atual Dr. Quirino. Anos após sua inauguração, seu endereço
passou a ser na Rua do Comércio, atual Rua General Osório, em frente ao atual
Centro de Convivência. Era uma das
poucas escolas da época imperial que se dedicava à alfabetização dos negros.
Também recebia alunas brancas durante a tarde, que pagavam uma mensalidade ao
conceituado professor Cesarino. Através dessa arrecadação, ele podia manter a
instituição e dar aulas para mulheres escravas e negras no período noturno. O
colégio era dirigido pela D. Bernardina Gomes Cesarino, filha mais velha de
Antonio Cesarino. Era uma escola de alto nível, uma das que mais teve expressão
na época. Em 1875, contava com 50 alunas, algumas pertencentes às melhores
famílias da cidade que pagavam mensalidades altas. Foi também através desses
valores recebidos, que Antônio Cesarino pôde comprar a liberdade de algumas
escravas ligadas a ele, como uma senhora negra que prestava serviços à escola e
uma criança que estava sendo maltratada.
Curiosamente,
Apesar da cor negra e das raiz familiar ligada à escravidão, Antonio Cesarino
era classificado sob o designativo “pardo”. Isto se deu devido a uma leitura de
sua cor em relação à sua condição social e ações sociais.
Foi
bisavô de Antonio Ferreira Cesarino Júnior, importante jurista brasileiro e
nascido em Campinas, que foi sistematizador do Direito do Trabalho no Brasil,
com a publicação dos primeiros livros sobre a matéria.
É
homenageado dando seu nome a uma rua no bairro Cambuí, em Campinas.
Antônio
Ferreira Cesarino morreu em 1892.
Fontes:
domingo, 29 de maio de 2016
DIREÇÃO DO TEMPO
Por alguns instantes descansou o olhar na estreita extensão da Rua Barreto Leme, que seguia seu curso prefeitura a fora, como as águas de um rio. Estava defronte ao prédio da Previdência Social, onde resolvera alguns assuntos sobre aposentadoria, e após a humilhante espera no atendimento e sentidas constatações, não admitia outro coisa senão sua súbita verdade de que, como a envelhecida sombra da Matriz do Carmo que se esparramava derredor, a velhice é a sombra da vida. Desceu a Barreto Leme a passos lentos de quem se desfez da pressa, quando foi considerado inapto para labutar. E não evitou uma comparação cruel consigo mesmo ao atravessar a Sacramento e perceber o sebo Casarão, do qual o aroma interior decerto fosse similar ao seu, adquirido em tantos anos de existência. De repente, assombrou-se em seu trajeto decadente ao ouvir tantos risos e brincadeiras. Uma turma de estudantes que voltavam da faculdade perpassou-no, como se quisessem dizer-lhe que a direção dos ventos somos nós que definimos. A juventude estudantil apareceu por todos os lados naquela ocasião, onde se encontrara a caminho de seu ponto de ônibus na Avenida Anchieta. Os estudantes estavam nas livrarias, nos sebos, nas lanchonetes, nas lojas especializadas em Rock`n Roll. Uma delas liberou logo um som pesado que se misturou àquelas vozes cheias de entusiasmo, que ignoravam a direção do tempo, as imposições injustas, os desaforos da vida. Foi assim que pensou com um sorriso de menino travesso a seguinte frase: “A gente pode até se aposentar para o trabalho. A gente, não quer dizer com isso, que se aposenta para a vida”.
ALEXANDRE CAMPANHOLA
CRÔNICAS DE CAMPINAS
domingo, 22 de maio de 2016
RUA ÁLVARES MACHADO: Quem foi Álvares Machado?
Francisco Álvares Machado nasceu em São Paulo, no dia 21 de dezembro de 1791. Filho do cirurgião-mor Joaquim Teobaldo Machado de Vasconcelos e de Maria da Silva Bueno, foi casado com Cândida Maria de Vasconcelos Barros com a qual teve apenas uma filha, Maria Angélica de Vasconcelos, que foi a primeira esposa de Hércules Florence.
Logo no início dos estudos, aos 17 anos, Álvares Machado ingressou no Corpo de Voluntários da Província de São Paulo, como auxiliar de farmácia e ajudante de cirurgia do Hospital Militar.
Seguiu
a carreira do pai como oftalmologista e médico-cirurgião do primeiro regimento
nomeado em 1814 por Dom João VI. Era oculista e foi um dos primeiros
especialistas a tratar a catarata com instrumentos que ele próprio fabricava.
Atuou na corte, em Itu, Porto Feliz e Campinas. Também foi organizador da
primeira escola médica do Brasil.
Na
cidade de Campinas, Álvares Machado ocupou diversos cargos de governo. Foi um
dos chefes do Partido Liberal. Também tomou assento na Assembleia Legislativa Provincial
de São Paulo e compôs o conselho da província. Em 1832 elegeu-se Deputado
Geral, cargo que exerceu até 1846, tendo desfrutado de grande prestígio.
Foi
presidente da província do Rio Grande do Sul, de 30 de novembro de 1840 a 17 de
abril de 1841. Foi um dos presidentes mais bem quistos no Rio Grande do Sul,
sobretudo pelos farroupilhas. Recebeu a Ordem do Cruzeiro pelos serviços
prestados ao governo central durante a Revolução Farroupilha.
Teve
muita influência na nascente imprensa campineira levando do Rio de Janeiro à
Campinas a primeira tipografia da cidade, que foi dirigida por seu genro
Hércules Florence, o pioneiro da fotografia na América Latina. Através desta iniciativa foi possível o surgimento do primeiro jornal de Campinas, Aurora Campineira.
Deixou
muitos trabalhos escritos pelas suas qualidades de poeta mavioso e orador
eloquente.
Álvares
Machado faleceu na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 4 de julho de
1846.
A
Rua Álvares Machado foi chamada inicialmente de Rua Deserta pela predominância
de fazendas e pequenas chácaras, e pelas poucas moradias e comércios em toda a
extensão. Sua história está entrelaçada, assim como toda área central, com a
inauguração da Estação Ferroviária, em 1873.
Com a chegada da ferrovia, a Rua
deserta ganhou movimento e perdeu, aos poucos, as características iniciais. Em
1871, por determinação da Câmara Municipal, a denominação foi alterada para
Álvares Machado, em homenagem ao cirurgião e político influente da época.
A Rua Álvares Machado tem seu início nas proximidades da Avenida Prefeito José Nicolau Ludgero Maseli e estende-se até as proximidades do Mercado Municipal. A rua com o tempo caracterizou-se pela forte presença comercial com muitos armarinhos, restaurantes, lojas de roupa e calçados, além do comércio informal ambulante, que se estabeleceu no final da década de 1990 e posteriormente foi organizado pela Prefeitura Municipal em boxes igualmente divididos em um espaço reservado a eles, que inclui ventilação e cobertura.
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