sexta-feira, 19 de abril de 2019

PREFEITOS DE CAMPINAS: Magalhães Teixeira




José Roberto de Magalhães Teixeira, conhecido como Grama, nasceu em Andradas – MG, no dia 18 de junho de 1937. Era filho de Adalberto Magalhães Teixeira e de Iracema Cruz de Magalhães. Foi casado com Teresa Cristina Tavares Magalhães, com quem teve três filhos.




Cursou odontologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, entre 1957 e 1961, tornando-se cirurgião-dentista. Teve destacada participação na política estudantil e dirigiu o centro acadêmico 25 de Outubro, durante o período universitário. Também neste período, dirigiu o diretório central de estudantes (DCE) da PUC.
 
 
 

Em 1966, Magalhães Teixeira ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), um partido político que fazia oposição ao Regime Militar instaurado no país entre 1964.
 
 
 
 
Três anos depois foi eleito vereador em Campinas pelo MDB, e exerceu o mandato entre os anos de 1968 e 1973. Neste último ano, tornou-se diretor do Departamento de Educação, Física, Esportes e Recreação da Prefeitura Municipal de Campinas, onde permaneceu até 1976. Ainda nesse ano, elegeu-se vice-prefeito de Campinas pelo MDB, na chapa liderada pelo deputado Francisco Amaral.

 


 
Iniciou seu mandato no ínicio de 1977 e, durante seis anos de seu mandato, assumiria a administração interinamente entre 1979 e 1981. Durante os dois primeiros anos do governo de Chico Amaral, Magalhães Teixeira acumulou a vice-prefeitura com a pasta da cultura. Em novembro de 1978, elegeu-se suplente de senador pelo MDB para a legislatura 1979-1987.

Seu descontentamento com o estilo adotado por Orestes Quércia à condução do MDB paulista , Magalhães Teixeira liderou, em 1979, uma chapa de oposição que preencheu 30 % das vagas do diretório municipal do partido. Em novembro de 1979, com o fim do bipartidarismo e a consequente reorganização do quadro partidário, ele filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), uma agremiação sucessora do MDB, porém as brigas com Quércia continuaram no novo partido.

 
 
 
Entre 1981 e 1982, presidiu a Fundação José Pedro de Oliveira, até que em novembro deste último ano disputou a prefeitura de Campinas pelo MDB, concorrendo com o vereador José Paulo Naccaratto, ex-integrante da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de apoio do regime militar, apoiado por Orestes Quércia. Magalhães Teixeira venceu a eleição e assumiu o cargo em março de 1983.




Durante seu mandato, participou do Seminário Internacional sobre Administração Municipal da Fundação Konrad Adenauer, na República Federal da Alemanha (RFA), em 1983. Teve seu mandato prorrogado até 1988, para não haver coincidência das eleições para prefeituras e governos estaduais no pleito de novembro de 1986.

Em seu primeiro mandato foi avaliado como o prefeito mais bem avaliado do Brasil, e tornou-o reconhecido como símbolo da ruptura com as velhas lideranças partidárias.


 
 
Seu desentendimento com a figura de Quércia intensificou-se na campanha para o governo de São Paulo em novembro de 1986, quando Magalhães Teixeira apoiou o empresário Antônio Ermírio de Moraes, candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). No entanto, Quércia venceu as eleições daquele ano.

Em meados de 1988, Magalhães Teixeira foi um dos fundadores do Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB), agremiação criada por dissidentes do PMDB, naquele anos tornou-se vice-presidente estadual do PSDB.
 
Em outubro de 1990, ele concorreu à vaga de deputado federal pelo PSDB, sendo eleito com a quinta maior votação do estado. Empossado em fevereiro de 1991, foi membro titular da Comissão de Ciência e Tecnologia e Comunicação e Informática, e membro da comissão parlamentar destinada a oferecer à mesa estudos e sugestões, objetivando o aperfeiçoamento dos trabalhos administrativos e legislativos da Câmara em 1991.

 
 
 
 

Em 29 de setembro de 1992, na sessão da Câmara que promoveu a votação da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor, sua votação foi favorável. Collor era acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias.

Magalhães Teixeira permaneceu no cargo de deputado federal por apenas dois anos, pois em outubro de 1992, elegeu-se novamente para a prefeitura de Campinas, no primeiro turno, recebendo o total de 61% dos votos válidos. Com isso, renunciou ao mandato da Câmara, tendo como substituto José Aníbal.

 
 
 
 
Em janeiro de 1993, Magalhães Teixeira assumiu mais uma vez a prefeitura de Campinas, e durante sua gestão foi adotada, pela primeira vez em uma cidade brasileira, um programa de garantia de renda mínima para complementar os vencimentos de famílias pobres. Pelo projeto, implementado a partir de fevereiro de 1995, a administração municipal comprometia-se a pagar um subsídio mensal às famílias consideradas extremamente carentes, residentes de Campinas no mínimo há dois anos e com filhos frequentemente a escola. Essa iniciativa contou com o apoio do senador petista Eduardo Suplicy, um dos introdutores da discussão sobre o programa no Brasil, e serviu de exemplo a outras cidades brasileiras.




Naquele novo mandato, ele implantou uma linha telefônica para comunicação direta entre comunidade e prefeitura, para que fossem deixadas sugestões ou críticas para o prefeito. Houve a inclusão de flúor na água tratada que chegava às residências, a fim de melhorara a saúde bucal da população.

Magalhães Teixeira foi coordenador, no interior do estado de São Paulo, da campanha vitoriosa à presidêcia do país do amigo desde os anos 60, Fernando Henrique Cardoso.






Em novembro de 1995, Magalhães Teixeira foi diagnosticado de câncer de fígado. Ainda assim, recusou a possibilidade de afastar-se do cargo, e passou a orientar a prefeitura  de Campinas de sua casa, contando com um conselho de governo e com  o vice-prefeito Edivaldo Orsi (PSDB) para cuidar das questões administrativas rotineiras.





Uma personalidade simples e carismática, como muitos os definiram. José Roberto Magalhães Teixeira exibia uma liderança natural e tinha vocação para trabalhar em prol da cidade. Ele tratava a população com muita empatia, não era demagogo, nem populista, mas uma pessoa que gostava de Campinas e seus habitantes. Ficou marcado por olhar a causa dos menos favorecidos, suas necessidades, e exergou as dificuldades que a desigualdade social geram, sobretudo para o progresso de pessoas situadas no limite da pobreza, sem colocar em ponto de igualdade o bem sucedido e o miserável a partir do ponto de partida do esforço próprio, mas reconhecendo que há outras variáveis que definem a condição do indivíduo, e por isso, partilhando da ideia de que uma renda mínima é necessário para que o indivíduo carente possa se reerguer, e buscar melhores oportunidades em um mundo onde as boas oportunidades são tão restritas.(Opinião do autor do artigo)

Era querido pela população e admirado pelos colegas do partido, além de respeitado por adversários políticos.  

 
 
 
 
Magalhães Teixeira morreu no dia 29 de fevereiro de 1996.

Dentre as inúmeras homenagens que o prefeito Magalhães Teixeira recebeu em Campinas, seu nome imortaliza uma rodovia, também conhecida como Anel Viário Magalhães Teixeira.

 





Fonte:






ALEXANDRE CAMPANHOLA

terça-feira, 2 de abril de 2019

BAIRROS DE CAMPINAS: Vila Itapura



A Vila Itapura é um bairro situado bem próximo a região central de Campinas, e encontra-se entre duas importantes avenidas campineiras, a Avenida Orosimbo Maia e a Barão de Itapura.

 

 
 

 
Este bairro surgiu durante um período de intensa urbanização em Campinas, quando foi adotado o Plano de Melhoramentos Urbanos de Campinas, o qual esteve vigente entre as décadas de 1930 a 1960.

 




Este plano foi idealizado pelo engenheiro-urbanista Francisco Prestes Maia, contratado pela Prefeitura de Campinas, em 1934. De acordo com este plano, a cidade passaria por uma renovação urbana, cujo objetivo era apagar sua modesta feição colonial e imprimir-lhe ares de cidade rica e moderna.






Além deste objeitvo de reestruração do centro da cidade, havia uma estratégia de valorização imobiliária, que resultaria em ampliação de lucros sobre uma terra urbanizada e já ocupada, favorecendo antigos estratos da elite local, cuja riqueza havia se deslocado, após a crise  de 1929, do setor cafeeiro para o setor mercantil-imobiliário.

 
 
 
 
Mas, além do fator comercial, a incorporação de áreas baratas e não urbanizadas, interessava ao capital industrial, pois respondia às necessidades habitacionais de uma crescente classe operária, e isso aliviaria o custo locacional de moradia e de transporte para essa classe.

 
 
 
 
 
Neste contexto de produção de uma nova estrutura urbana de Campinas, intensa atividade do capital imobiliário e industrial, surge na década de 1940 a Vila Itapura, na região do bairro Guanabara.

 
 
 

A responsável pela construção desta vila foi a Companhia Rossi & Borghi, de acordo com os termos do Decreto-Lei n˚ 94/1941, que autorizava a implantação de habitações populares  nas imediações de áreas industriais.





A Vila Itapura foi formada nas imediações de importantes fábricas daquele período como A Fábrica de Tecidos Elásticos Godoy e Valbert, a Fábrica de Chapéus Cury e a Companhia Campineira de Óleo, promovendo uma ocupação residencial em uma área nitidamente industrial.



 
 
 
As ruas que delineavam este bairro eram: a Rua Prefeito Passos, a Visconde de Taunay, a Barata Ribeiro, a Tiradentes, a Barão de Atibaia, a Álvaro Muller, a Coelho Neto e a Engenheiro Saturnino de Brito.


 
 
 
 
Atualmente,  A Vila Itapura segue os passos deixado pelo Plano de Melhoramentos Urbanos de Prestes Maia. É uma bairro que mescla a opulência de edíficios residenciais e comerciais, com lindas e saudosistas residências que resistem ao tempo.





Um dos pontos históricos do bairro é a Fábrica de Chapéus Cury, em meio à prédios modernos, conserva sua imagem grandiosa. Outro ponto muito conhecido é o Clube Fonte São Paulo, assim como a Escola Castorina Cavalheiro e a Paróquia São Paulo Apóstolo.






 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 29 de setembro de 2018

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: Companhia Mc-Hardy



A Companhia Mc-Hardy foi a segunda indústria de fundição de Campinas. Ela foi fundada pelo industrial Guilherme Mc-Hardy.




Guilherme Mc-Hardy  foi um mecânico escocês procedente de Drumblair, que chegou ao Brasil em 1872 para trabalhar na Companhia Lidgerwood, em Campinas. Em 1875, fundou sua própria empresa, a Companhia Mc-Hardy & Cia., começando a produzir máquinas de beneficiamento de café, ferramentas e utensílios de ferro, e, anos mais tarde, motores e caldeiras.

 
 

Não sem algumas dificuldades, ele conseguiu desenvolver seu negócio e em 1880 pôde ampliar suas instalações. Para tanto ele organizou uma dupla sociedade, constituindo respectivamente a firma Guilherme Mc-Hardy & Cia, tendo como sócio John James Ross e a Mc-Hardy & Cia – Fundição Campineira de Ferro e Bronze – para a qual se associou a Joseph James Sims. John Ross veio direto da Inglaterra a pedido de Mc-Hardy especialmente para ajudá-lo na expansão do estabelecimento; quanto a Sims, este já morava em Campinas, quando se associou a Mc-Hardy. 

Joseph J. Sims cuidou de formar a mão-de-obra que lhe era necessária na fundição, reunindo 54 aprendizes, na maioria brasileiros, que trabalhavam sob sua direção.




A Companhia Mc-Hardy estabeleceu-se inicialmente à Rua Bom Jesus, n˚23, atual Avenida Campos Salles, com a expansão do estabelecimento mudou-se para a Avenida Andrade Neves, n˚1 e 15, onde foi montada uma vasta oficina e uma fundição que ocupavam 8 mil metros quadrados, e não são somados a estes números os terrenos que foram adquiridos visando novas ampliações. Os prédios estavam localizados no quarteirão formado pelas ruas General Osório, Barão de Parnaíba, Bernadino de Campos e Dr. Ricardo.

 
 
 

Já no século XX, um dos prédios foi vendido à Cervejaria Colúmbia, e hoje pertence à Sociedade de Saneamento e Abastecimento de Água S.A – SANASA. Uma das quadras, onde existia o escritório da empresa ficava em frente à estação rodoviária. Este prédio foi vendido para Roque de Marco, depois que a empresa enfrentou problemas financeiros no final do século XIX.

Nos anos 20, a Mc-Hardy comprou mais uma quadra, na Avenida da Saudade, onde hoje é a Escola SENAI.

 
 
 
No dia 09 de outubro de 1883, ocorreu a inauguração das novas e grandes oficinas de fundição dos Srs. Guilherme Mc-Hardy & Cia.

Em outubro de 1886, durante a última visita do Imperador Dom Pedro II à Campinas,  a Mc-Hardy participou da recepção de rua para o casal imperial, formando uma ala composta por 160 dos seus operários. O Clube Musical Mc-Hardy, portando suas bandeiras e seu estandarte, fez-se presente entre as inúmeras bandas e agrupamentos de escolares e operários que também participaram das festividades programadas.

 
 
 

Em 1889, uma triste época em que Campinas foi violentamente atingida por um primeiro surto de febre amarela, Guilerme Mc-Hardy perdeu seus dois sócios e colaboradores, Ross e Sims, que faleceram quando a epidemia se alastrou pela cidade. Mas, Guilherme não desanimou que associando-se a um grupo de personalidades campineiras, tratou de transformar seu estabelecimento comercial e industrial em sociedade anônima.



 

Em 1891, a Guilherme Mc-Hardy passa a denominar-se Companhia Mc-Hardy Manufatureira e Importadora, uma sociedade anônima que tinha como objetivo atuar no que estivesse relacionado  com a fabricação e importação de máquinas, materiais para estrada de ferro, para abastecimento de água e dependência para iluminação, importação em geral e empreitadas, exploração de privilégios, concessões e contratos, fornecimentos para construções civis, navais e hidráulicas, além de adquirir, vender e fundar fábricas, fazer instalações, podendo explorá-las, arrendar ou vendê-las.



 
A nova empresa foi constituída com um capital social de quatro mil contos de réis, dividido em 20 mil ações. A primeira diretoria foi composta pelo fazendeiro Barão de Ataliba Nogueira, pelo industrial Guilherme Mc-Hardy e pelo advogado Gabriel Dias da Silva, todos residentes em Campinas. Em 1893, no lugar do diretor-gerente Guilherme Mc-Hardy, que permanecia na Europa, a princípio a serviço da companhia e em seguida por motivos de saúde, foi nomeado gerente o acionista Roberto Paton. Assinaram o estatuto da companhia, em 1893, Gabriel Dias da Silva, como diretor da companhia, e o Barão de Ataliba Nogueira, como presidente.

 

 
 
É interessante observar que entre os acionistas da Companhia Mc-Hardy Manufatureira  e Importadora, em 1893, aparecem vários empresários, imigrantes, fazendeiros de café e políticos importantes da cidade de Campinas e do Estado de São Paulo. Os maiores acionistas  em 1893 foram: o Banco dos Lavradores com 27,9% do total de ações, Guilherme Mc-Hardy com 25,2%, Gabriel Dias da Silva com 3,2%, Roberto S. Paton, com 2% e o Barão de Ataliba Nogueira com 25 das ações da companhia.

 
 

Em 1883, ela somava de 140 a 145 empregados. No ano de 1900 já eram 320 empregados.

 
 

Em 1894, Guilherme Mc-Hardy voltou à sua terra natal, e faleceu em 1914, aos 84 anos de idade. Seu corpo foi sepultado na cidade de Aberdeen.

A partir de 1913, o Dr. Júlio Gerin, que desde o início do século XX ocupara o cargo de engenheiro gerente da companhia, assumiu a direção, tendo permanecido neste cargo até o início dos anos 40, quando o controle acionário da Mc-Hardy foi adquirido pelo Grupo Irmãos Duarte, de Americana.

Por volta de 1935, as oficinas foram tranferidas para um prédio próprio localizado na Avenida da Saudade, tendo permanecido na Avenida Andrade Neves o setor da empresa destinado a comercialização de produtos.

Até os anos 50 do século XIX, a Companhia Mc-Hardy foi a principal fabricante de equipamentos da cidade de Campinas e já diversificava seus produtos, fabricando furadeiras, serras...No início dos anos 60, a companhia entrou também na construção civil.





Sabe-se que a Companhia Mc-Hardy encerrou suas atividades produtivas em 1975, embora juridicamente  a empresa continuasse existindo.

Por volta de 1983, a Helcosa – Engenharia, Comércio e Indústria de Metais Ltda., situada no Km 99 da Rodovia Anhanguera, incorporou as máquinas da Mc-Hardy ao seu patrimônio.

Naquele ano, a Companhia Mc-Hardy fechou as suas portas definitivamente e deixou em Campinas uma história de sucesso, que sobrevive em suas ruínas vistas, sobretudo, da Avenida Andrade Neves.




Dentre os artigos fabricados pela Companhia Mc-Hardy ao longo de suas atividades pode-se destacar: Máquinas de beneficiar café de todos os sistemas: vapores, locomóveis e fixos; engenhos centrais para a fabricação de açúcar e aguardente; engenhos de serras circulares e verticais; catadores duplos; ventiladores dobrados e singelos; descartadores com graduação por fora; ventiladores de aspiração; ditos para matar formiga; rodas d`água; moinhos de todas as qualidades; bombas hidráulicas simpes e de pressão; moendas para cana; teares comuns e automáticos para algodão, seda e lá, caldeiras, turbinas, ferro fundido, aço, maquinas operatrizes (furadeira FMH-50), motores à vapor, alambiques, etc.]

 
 
 
O destino da produção era o Estado de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e exterior.

 

 

Fonte:







 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 16 de setembro de 2018

REPORTANDO: Uma torre no Chapadão



Seguem a todo vapor as obras do reservatório



Uma caixa d`água em formato de mirante está sendo construída nas terras doadas pelos loteador e proprietário da antiga Fazenda Chapadão, Sr. Otaviano Alves de Lima. Os moradores da região já se acostumaram com a rotina de trabalho dos operários da firma “Morse e Bierrenbach”, que foi contratada para ser responsável pela execução do projeto. O reservatório de água faz parte do Plano de Melhoramentos Urbanos para a cidade de Campinas elaborado pelo engenheiro-urbanista Francisco Prestes Maia, e a Comissão de Melhoramentos Urbanos foi criada pela Lei n˚490, em 1936, e assinada pelo prefeito João Alves dos Santos para dar vida a projetos como este. Neste ano de 1939, uma torre está sendo erguida na região da Fazenda Chapadão. De acordo com o projeto, o reservatório terá uma altura de 27 metros e capacidade para 250 mil litros de água. O sistema de encanamento será de ferro fundido, e a previsão é que a construção abasteça a zona norte do município, atendendo os moradores de bairros como Guanabara, Botafogo, da Fazenda Chapadão e suas proximdades. O Castelo d`água foi projetado de acordo com uma necessidade apontada pelo DAE (Departamento de Água e Esgotos) que previu este processo de expansão urbana. Foi escolhido o ponto mais alto do Chapadão para o início das obras deste importante reservatório, no lugar onde, anteriomente, Prestes Maia idealizou a construção de um obelisco. Sua inauguração está prevista para o ano de 1940.


 
 
 
 

 

Fontes:






 

ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

domingo, 9 de setembro de 2018

GRANDES HOMENS DE CAMPINAS: José Pancetti




Giuseppe Gianinni Pancetti nasceu em Campinas, em 1902, onde viveu até os oito anos, quando seus pais se mudaram para a cidade de São Paulo. Era filho dos imigrantes italianos, Giovanni Battista Pancetti e Corinna Gianinni. Por causa das dificuldades financeiras da família, por decisão do pai, Pancetti voltou para a Itália, e viveu dos 11 aos 16 anos, em terras italianas, primeiramente em companhia do tio Casemiro, negociante de mármore, na região de Toscana. Depois, em Massa-Carrara, onde estudou no Clégio Salesiano, e em Pietra Santa, com os avós, por causa do envolvimento da Itália na Primeira Guerra Mundial.

 
 

Ele teve várias ocupações até ingressar na Marinha Mercante, em 1919. Antes de se tornar marinheiro, Pancetti foi aprendiz de marceneiro, trabalhou em uma fábrica de bicicletas e de material bélico. Como marinheiro, ele viajou por três meses pelo Mar Mediterrâneo.




Em fevereiro de 1920, José Pancetti voltou ao Brasil e passou a exercer diferentes ofícios na cidade de Santos. Ele trabalhou de operário têxtil, auxiliar de ourives, trabalhador na rede de esgotos e faxineiro de hotel.

Em 1921, em São Paulo, Pancetti trabalhou na Oficina Beppe, especializada em decoração de pintura de parede, como cartazista, pintor de parede e auxiliar do pintor Adolfo Fonzari (1880-1959).

Em 1922, no Rio de Janeiro, ele entrou na Marinha de Guerra, onde permaneceu até 1946. Na Marinha, ele ocupa o posto de segundo tenente 

Em 1925, servindo no encouraçado Minas Gerais, ele pintou suas primeiras obras. No ano seguinte, disposto a progredir na carreira, Pancetti integra o quadro de pintores dentro da “Companhia de Praticantes e Especialistas em Convés”.




Em 1933, participou do Núcleo Bernardelli, grupo formado por jovens que lutaram pela reformulação do ensino artístico na Escola de Belas Artes. Ele recebeu orientação de Manoel Santiago (1897-1987), Edson Mota (1910-1981), Rescália (1910-1986), e principalmente pelo artista polonês Bruno Lechowski (1887-1941). Por este, foi orientado em pintura em óleo.

Em 1935, ele casou-se com Anitta Caruso.

Na passagem pelo Núcleo Bernadelli, José Pancetti adquiriu técnica e amadurecimento artístico. Sua obra era composta por paisagens, retratos, auto-retratos, naturezas-mortas, e marinhas. As marinhas são as pinturas mais conhecidas . Incialmente elaboradas de forma analítica, em pinceladas lisas e batidas, e organizadas em planos geométricos, sem ondas, sem vento, tornam-se com o tempo, mais limpas, e, por fim, beiram a abstração, reduzidas à areia, à luz e ao mar.

 
 
 

O retrato torna-se uma constante em sua carreira. Muitas vezes, revelam a sensação de desalento, como ocorre na obra Menina Triste e Doente, de 1940, ou em Retrato de Lourdes. Nos auto-retratos, Pancetti mostrou sua admiração por Vicent Van Gogh (1853-1890) e Paul Gauguin (1848-1903). Representando-se frequentemente como trabalhador manual, ele recorda sua origem humilde.


 
 
Na década de 1940, ele pintou paisagens urbanas com tonalidades que davam um ar de grande melancolia. O Chão, uma obra de 1941 expressa esta ideia urbana melancólica, assim como Pátio da Rua Santana.

 
 

As marinhas foram a face mais conhecida de sua produção. Pancetti reflete nelas sua experiência de marinheiro e o amor pelos diversos recantos do litoral. Itanhaém, Mangaratiba, Cabo Frio e Arraial do Cabo. O artista realizou uma série de quadros de Arraial do Cabo, nos quais o olhar de espectador percorre as humildes casas de pescadores, a areia muito branca  e as canoas coloridas.

 
 
 

Em 1942, Pancetti mudou-se para Campos do Jordão, em busca de tratamento para a tuberculose que o afetava. Neste mesmo ano nasceu sua filha Nilma. Em 1945, ele mudou-se para São Jo]ão Del-Rei, ainda visando ao tratamento de sua saúde.

 
 
 
Em 1945 ocorreu sua primeira exposição individual com mais de 70 quadros.

Em 1941, José Pancetti ganhou o prêmio de viagem à Europa na Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes, e em 1948, recebeu uma medalha de ouro no mesmo salão. Em 1950, participou da Bienal de Veneza, e em 1951 da I Bienal de São Paulo.

Em 1950, ele fixa residência na Bahia. Sua obra de modifica. Ele pintou a cidade de Salvador e arredores nos anos 50: A Praia Itapoã, o Farol da Barra e a Lagoa do Abaeté. Esta última foi representada em muitos quadros, que têm como tema o contraste entre as águas escuras, a areia branca e os tecidos coloridos das lavadeiras. Na obra Farol da Barra, de 1954, Pancetti explora a consistência, a luminosidade e a cor dourada das areias.

 
 

Em 1952, é promovido a primeiro-tenente e nasceu seu filho Luis Carlos.

 

Em quadros do final da carreira, ele aproximou-se da abstração, como em Itapoã, de 1957, no qual a paisagem é concebida por meio de faixas de cores vibrantes e luminosas.

José Pancetti foi o exemplo de artista que iniciou seu trabalho nos conturbados anos 30. Sua obra de retratista carrega algumas das questões tangentes destes tempos, e suas marinhas  e paisagens terrestres atestam o programa nacionalista em voga, independentemente de o artista estar ou não a par destas questões da Modernidade.

 
 

Em Campinas, José Pancetti foi eternizado com o seu nome em uma avenida na Vila Proost de Souza e também no Museu de Arte Contemporânea da cidade.

“Parece que já vivi 500 anos. Esta noite recordei coisas da minha vida. Sentado perto da janela, olhei o mar, vi-me menino em Campinas, depois em São Paulo, Itália, adolescente, adulto, vi tudo, tudo. Sempre sofrimentos, sempre tristeza sem saber o que queria realmente. Depois, torno-me pintor da noite para o dia. Vi então desfilar como num imenso filme, todos os meus trabalhos, todos tristes... O Filme rodou lentamente.”

 
 

José Pancetti faleceu aos 56 anos, no Rio de Janeiro, de câncer de estômago no Hospital Central da Marinha. Foi enterrado no cemitério de São João Batista no bairro Botafogo. O poeta Augusto Frederico Schmidt proferiu uma oração fúnebre na despedida do grande pintor campineiro.

 

 

Fonte:





 

 ALEXANDRE CAMPANHOLA