sábado, 5 de maio de 2018

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A fábrica de Doces Campineira


 
Todos os dias quando passo pela Rodovia Dom Pedro, sinto em determinado trecho um delicioso cheiro de biscoitos, que sai das chaminés da fábrica da Triunfo, e despertam na gente aquela saudade da infância, quando a vida era brincar e saborear doces. Um dia destes descobri a história da Triunfo, uma marca tipicamente campineira, e descobri que tudo começou há muito tempo atrás, quando homens empreendedores trouxeram de Portugal a tradição dos doces e entraram na história de Campinas.

 
 

Segundo uma publicação do jornal Correio Popular de 14/11/2013, foi o português João Francisco Alonso, que nasceu no dia 12 de outubro de 1908, no Distrito de Bragança, em Portugal, o primeiro proprietário da indústria de Doces Campineira. Posteriormente, ele criou a indústrias de Doces Netinho, que existiu durante muito tempo no bairro Bonfim.

 
Mas, o que se sabe também é que a Doces Campineira surgiu através das atividades comerciais do pai do falecido prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho. O pai de Toninho chamava-se Joaquim da Costa Santos e nasceu em Póvoa do Varzim, em Portugal, no ano de 1918. Durante a Segunda Guerra Mundial, Joaquim mudou-se para o Brasil, trabalhou de jardineiro, ascensorista, até que começou a atuar no ramo de negócios da comunidade portuguesa, o das padarias. No final da década de 40, Joaquim veio para Campinas e instalou um pequeno depósito para distribuição de doces em um cômodo da Rua dos Alecrins, no bairro Cambuí. Este pequeno depósito transfomou-se nos anos 50 na fábrica de doces Campineira, que viria a ser uma das principais empresas do ramo no Brasil.

 
 
 
Liderada pelo Senhor Santos e administrada por portugueses, a Doces Campineira passou logo a fornecer doces para inúmeros comércios da região de Campinas e de outras cidades. Para quem morava em suas proximidades, na Rua dos Alecrins, era impossível não se deliciar com o aroma de caramelo, morango, chocolate e amendoim que perfumava o ar. A fábrica ocupava o quarterão onde hoje se encontra o Colégio Objetivo.


 
 
 
 
 
As entregas dos doces eram feitas em um furgão preto, que tinha pintado na lataria a imagem do Zorro. E foi este personagem que deu nome a um dos mais famosos produtos da Doces Campineira, o pirulito Zorro.

 
 
 
 
O pirulito Zorro, ao contrário dos outros pirulitos que são redondos, era retangular. Era um pirulito de caramelo com coco, duro e que grudava nos dentes. Era um sucesso nos armazéns e bares da cidade.

 
 
 
Outro doce que a Campineira fabricava e fazia muito sucesso era a paçoca Pilantra. Era uma paçoquinha de chocolate muito gostosa. Também se tornaram queridas entre a criançada as balas Kleps e 7belo. As balas Kleps vinham embaladas em tiras, com desenhos de animais e de uma menina na embalagem.
 
 
 
 
 
Mais um doce muito adorado era o chocolate Guarda-chuva. Era um desafio retirar a embalagem sem quebrar a ponta do guarda-chuva.





O senhor Santos mantinha alguns contatos comerciais na cidade de São Paulo, dentre eles, com o representante comercial, na época, Armindo Dias.

 


Armindo Dias nasceu em Portugal, e em 1956, abriu mão de trabalhar na lavoura no pequeno pedaço de terra da família, no interior de seu país, e veio para o Brasil. Trabalhou na Bahia com representação de produtos alimentícios e na Lacta, em São Paulo, época em que conheceu Joaquim da Costa Santos. 

Ao saber do empreendimento do amigo, Armindo interessou-se em comprar 25% do negócio. Mais tarde, com o interesse do senhor Santos de vender totalmente a Campineira, temendo que a empresa crescesse a ponto de a família não conseguir mais controlá-la, Armindo Dias tornou-se o novo proprietário da fábrica de Doces Campineira, em 1964.

Considerando o nome da fábrica muito regional, ele mudou seu nome para Triunfo e começou a trazer equipamentos da Inglaterra para modernizar o negócio.


Autoria fotográfica: Carlos Bassan
 
Nos anos seguintes, a Triunfo continuou sua história de sucesso iniciada com o nome de Campineira. A empresa mudou de endereço e passou a produzir seus produtos em uma fábrica na Rua Henrique Veiga, no bairro Santa Genebra. Os biscoitos Triunfos começam a ganhar espaço na preferência popular e torna-se o principal produto da companhia.

 
 

Em 1992, a Triunfo tornou-se líder nacional do segmento com a marca de biscoitos Triunfo, gerando 2400 empregos diretos.

 
 

Ainda  década de 90, durante uma de suas viagens para a Europa, Armindo conheceu empresários da Danone, que pretendiam fazer investimentos no Brasil, após outras tentativas mal sucedidas. Armindo vendeu uma parte da Triunfo para a Danone e por algum tempo teve-a com sócia na Triunfo. Mas, com o passar do tempo e diferenças de gestões, ele vendeu sua parte. Isto em 1997.

 
Autoria fotográfica: Carlos Bassan
 
Segundo relatos, no período em que foi proprietária da Triunfo, a Danone fechou o departamento de doces e balas, e concentrou-se na fabricação de biscoitos. Mas, tal decisão representou um francasso, uma vez que foi a venda de balas e doces que permitiu à Campineira tornar-se uma empresa de repercussão nacional. A salvação foi a marca de biscoitos Triunfo.

Em 2004, a Danone e a empresa alimentícia Arcor fecham fusão na área de biscoitos, e a marca Triunfo passa a ser propriedade desta joint venture.

 


Fontes



http://www.panoramadenegocios.com.br/armindo-dias-um-exemplo-de-garra-e/

Um agradecimento especial ao amigo fotógrafo Carlos Bassan pelas fotos que registraram o interior da fábrica da Triunfo no passado.
 
 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

4 comentários:

  1. Quando vocês irão fabricar os pirulitos Zorro ?

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  2. Então porque não fabricam mais o pirulito zorro?

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  3. Pirulito zorro jamais será esquecido

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