domingo, 24 de maio de 2015

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A fábrica da Lidgerwood




A fábrica da Lidgerwood Manufacturing Company Limited era de origem norte-americana e surgiu em Nova Iorque, no ano de 1801. Chegou ao Brasil no ano de 1862, na cidade do Rio de Janeiro. William Van Vleck Lidgerwood foi o encarregado de negócios no território brasileiro.  Em 1868, ela abriu seu primeiro depósito de instrumentos agrícolas em Campinas. As grandes lavouras de café do oeste paulista estavam em pleno desenvolvimento e eram certas as companhias férreas passarem pela cidade, nos próximos anos. William Lidgerwood recebeu privilégios por dez anos do Imperador Dom Pedro II para fabricar, importar e vender ao império as máquinas de descaroçar e limpar o café. Anteriormente, ele já trazia à Campinas por importação todo tipo de máquina agrícola, principalmente as máquinas de café do sistema Lidgerwood.



 






 
 
O desenvolvimento dos transportes e o crescimento da atividade cafeeira estimularam os administradores da fábrica a comprar o prédio da Avenida Andrade Neves, no qual seria instalada uma fundição de ferro e bronze, um depósito e uma oficina para os produtos que comercializava. A construção da fábrica como se preserva até os dias atuais ocorreu no ano de 1884.

A arquitetura da fábrica seguiu o estilo neo-gótico vitoriano, com tijolos aparentes, usando ferro fundido nas esquadrias das janelas, nas bandeiras das portas, janelas do corpo principal e nas grades do porão.










 

Já na década de 70 do século XIX, a fábrica da Lidgerwood  era uma das maiores de Campinas. Durante a visita do Imperador Dom Pedro II à cidade, em virtude da inauguração da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, mais de 180 operários da fábrica fizeram parte da comitiva que recepcionou o imperador. Naquele ano de 1875, Dom Pedro II visitou a fábrica, sendo recebido pelo chefe João Sheringhton, e pelos operários e aprendizes.



 

 




Na primeira Exposição Regional da cidade de Campinas de máquinas agrícolas, em 1885, o pavilhão Lidgerwood, instalado no Largo do Rosário, foi um dos mais visitados. Foram apresentadas máquinas de beneficiar café, o descaroçador “Lidgerwood”, a máquina paulistana (descaroçador que ganhou medalha de prata na Exposição provincial), o ventilador “singelo moderno”, o catador duplo, o catador prodígio, a máquina para picar fumo, para arrolhar garrafas, beneficiar arroz, dentre outras.

 








 

Em 1889, uma terrível epidemia de febre amarela castigou Campinas e muitas indústrias deixaram a cidade. Devido a falta de mão de obra, a fábrica da Lidgerwood transferiu-se para a capital paulista no ano seguinte, mas manteve aqui uma filial, que funcionou no mesmo endereço até 1922. Durante a epidemia, a casa Lidgerwood providenciou ao povo campineiro água de fora da cidade, fornecendo à sua custa os canos para captação e transporte de água de um pequeno córrego dos lados da atual Estação de Samambaia, da Companhia Paulista.  Em 1891, surge a Sociedade Beneficente Lidgerwood criada no intuito de prestar serviços à população campineira durante os surtos epidêmicos   .

 






William Van Vleck Lidgerwood foi agraciado pelo Governo Imperial com a comenda da Ordem da Rosa, e dado seu nome pela Câmara à rua lateral ao prédio de sua companhia em 7 de outubro de 1889.

 
A mudança do regime político em 1890 que liberou a atividade empresarial, a extinção da concessão especial do Governo Imperial, o aumento da concorrência de pequenas fundições e da forte Companhia Mac-Hardy, a transferência do potencial da fundição para a cidade de São Paulo, foram fatores que contribuíram para o fechamento da Companhia Lidgerwood em Campinas.

 


 

William Lidgerwood morreu em Londres no ano de 1910. Ele deixou a seguinte frase para Campinas:

 


 

 “A minha casa em Campinas, enquanto eu for vivo, dê lucro ou prejuízo, não se fechará. Foi ali que comecei a minha vida de trabalho.

 





 










A fábrica da Lidgerwood encerrou suas atuações em Campinas no ano de 1922 e vendeu o antigo barracão. Passou por dois outros donos, sendo o primeiro a firma Pedro Anderson & Cia. e o segundo comprador a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Com o tempo, o prédio acabou servindo de depósito, caindo em esquecimento e desuso. Apenas voltou a abrir suas portas em 1992, quando foi inaugurado o Museu da cidade.

 
 

Fontes:

 


 

 

Um comentário:

  1. Adorei pois postar apenas foto sem contar a sua história se perde no vazio...parabéns e contem mais histórias que acredito não faltaram "historiadores" para contá-la...

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