sábado, 27 de janeiro de 2018

RUA BERNARDINO DE CAMPOS: Quem foi Bernardino de Campos?


 
Bernardino de Campos Júnior nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, no dia 6 de setembro de 1841. Era filho de Bernardino José de Campos , juiz de direito da cidade, e de Felisbina Rosa Gonzáles de Campos. Fez os estudos secundários no Colégio Júlio em São Paulo.







Cursou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, entre os anos de 1858 e 1863. Nesta universidade havia uma grande efervescência das ideias republicanas e abolicionistas, e foi onde estudaram personalidades como Júlio de Castilhos, Assis Brasil, Barros Cassal e Alcides Lima., identificados com a causa antimonárquica.

Um ano após sua formatura, Bernardino de Campos, devido ao assassinato de seu pai, iniciou sua carreira de lutas forenses como advogado de acusação. Em 1865, ele casou-se em Campinas com Francisca de Barros Duarte, e no ano seguinte, abriu uma banca de advogado em Amparo, onde fixou residência.



Na cidade de Amparo, Bernardino de Campos foi eleito várias vezes ao cargo de vereador. Também se dedicou ao cargo de jornalista e, ao lado de Quintino Bocaiúva, dirigiu o jornal republicano O País, consolidando sua participação no movimento pelo fim do trabalho escravo no Brasil. Integrou o grupo paulista dos caifases, responsáveis por ações de fugas de escravos e pela proteção jurídica aos líderes abolicionistas.

Em 1873, Bernardino de Campos participou da Convenção de Itu, quando foi fundado o Partido Republicano Paulista (PRP), agremiação pela qual se elegeu deputado provincial, em 1877. Participaram da fundação do partido grandes nomes da política paulista como Manuel Ferraz de Campos Sales e Prudente José de Morais e Barros.

Em 1881, ao lado de Peixoto Gomide, Muniz de Sousa e Antônio Bittencourt, ele fundou o Jornal Época. No ano seguinte, tornou-se membro da comissão permanente do PRP. Foi signatário do Manifesto de 24 de Maio, em 1888, assinando o documento que pregava a revolução contra o regime monárquico e que causou forte impacto na conjuntura política nacional.



Instaurada a República no Brasil, em 1889, Bernardino de Campos foi indicado para participar da junta governativa de São Paulo. Em 1891, foi eleito deputado constituinte e no decorrer de seu mandato manifestou oposição ao governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca, e apoio a sua substituição por Floriano Peixoto.

Em 1892, Bernardino de Campos tornou-se presidente da Câmara dos Deputados, e em seguida, chegou a ser indicado pelo Barão de Lucena, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, mas recusou a oferta para se candidatar ao governo de São Paulo. Eleito nas urnas em 18 de agosto foi empossado no dia 23 do mesmo mês, sucedendo José Alves de Cerqueira César.


À frente o executivo paulista, teve de enfrentar a grave epidemia de febre amarela que se estendeu da região de Santos até o município de Campinas, mobilizando uma vultosa equipe de engenheiros e médicos especializados em doenças tropicais.

Ainda, como líder no governo de São Paulo, teve de intervir tanto na Revolta da Armada quanto na Revolução Federalista, contribuindo com o governo federal com suprimentos, recursos financeiros a até socorros para a cidade da Lapa, no Paraná, que se encontrava sitiada pelas tropas rebeldes. Seu apoio às forças federais foi fundamental para a derrota dos federalistas que ameaçavam a jovem república brasileira.  Estando em visita ao Forte Augusto no momento em que um navio rebelde atirava sobre a cidade de Santos, Bernardino de Campos foi aconselhado por um de seus ajudantes de ordens a abaixar-se, e respondeu com uma frase que ficou célebre: "São Paulo não se abaixa!"


 
À medida que o tempo passava, Bernardino de Campos via aumentar seu prestígio político. Quando deixou a presidência de São Paulo, em 1896, foi eleito para o Senado Federal, mas após quatro meses, renunciou para substituir Rodrigues Alves no Ministério da Fazenda.


Como Ministro da Fazenda, ele deparou-se com uma forte inflação e uma queda no preço do café no mercado internacional, configurando a primeira crise de superpordução do principal produto de exportação do Brasil naquela época. Também havia uma instabilidade política causada pelas forças contrárias ao novo regime. A gestão de Bernardino de Campos foi marcada pela tentativa de restabelecer o equilíbrio das contas nacionais e reorganização do Tesouro Nacional. Foi substituído por Joaquim Murtinho no ministério, decisão tomada pelo presidente Campos Sales, que incumbiu o substituto, titular do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, para articular com os credores internacionais um plano para a salvação das finanças da república.

Voltou ao Senado de 1900 a 1902 por São Paulo, ocupando a presidência da casa. Integrou a comissão sobre o código Civil presidida por Rui Barbosa.

De 1902 a 1904, esteve presente novamente no governo de São Paulo, enfrentando uma nova epidemia de febre amarela que se abateu sobre o Porto de Santos. Durante sua gestão foi inaugurado o Museu do Ipiranga e foi melhorado o abastecimento de água na capital paulista.  Em 30 de abril de 1904, renunciou ao governo de São Paulo por causa de um glaucoma, e foi buscar tratamento na Europa.


Após sua volta ao Brasil, Bernardino de Campos foi cogitado pelo Partido Republicano para substituir Rodrigues Alves na presidência da república, e ele responde: "Eu não sou candidato a cousa alguma. Nunca, em toda a minha vida , o fui. Fizeram-me candidato. Estava na Europa cuidando da saúde e não pensava, absolutamente, na sucessão presidencial. Se o partido adotou a minha candidatura, eu vivo com o meu partido". E, coerente consigo mesmo, renuncia a essa candidatura em agosto de 1905, afirmando que "não podia consentir se pusesse como obra de ambição o que somente era do patriotismo e amor". Um acordo entre líderes optou pela eleição do candidato de Minas Gerais Afonso Pena.

Em 1905, voltou à Europa para o tratamento de um familiar. Neste período, perdeu a visão de seu único olho saudável, e regressou ao Brasil completamente cego.

Em 1909, foi lançada a candidatura do marechal Hermes Rodrigues da Fonseca à sucessão de Affonso Augusto Moreira Penna e o nome de Bernardino de Campos volta a ser lembrado, na famosa carta em que Rui Barbosa condena a candidatura militarista. Mas o nome que empolga o antimilitarismo é o do próprio Rui Barbosa, a cuja campanha Bernardino se entrega de corpo e alma. Mesmo cego, foi aclamado presidente de honra de grande convenção do PRP por proposta de Pedro Moacir, em 22 de agosto de 1909, quando a candidatura de Rui Barbosa se oficializa.


Ainda em 1914, esteve na Europa para acompanhar os estudos dos filhos e o tratamento médico da esposa. Neste período o início da Primeira Guerra Mundial impôs dificuldades ao seu regresso ao Brasil, ocorrido em 14 de outubro. 

Recebeu o título de general honorário do Exército Brasileiro. Também exerceu a atividade de consultor jurídico da São Paulo Light e da Estrada de Ferro Sorocabana.

Bernardino de Campos faleceu em São Paulo, no dia 18 de janeiro de 1915.

Os seus últimos momentos foram assim descritos por Cândido Mota Filho: "O automóvel fechado que o leva dá voltas pelo centro, dificultosamente, em virtude do movimento, que era intenso. Bernardino de Campos tem a feição transtornada. O secretário, que o acompanha, percebe a extensão do seu sofrimento. Ao passar o carro pelo Largo de São Francisco, bem em frente à Academia de Direito, Bernardino de Campos tem um estremecimento brusco e deixa cair a cabeça sobre o peito. Estava morto. O relógio da Faculdade, que ele amara tanto, acusava 15 horas. O automóvel vai mais depressa em procura de socorro médico e chega ao escritório do Dr. Murtinho Nobre. Não adianta mais nada". 
 
 
 
Nas esquinas com a Barão de Jaguara, amigos se encontram para aquele delicioso bate papo depois do almoço. Na Livraria Pergaminho, a vendedora observa o movimento no Café Regina, as pessoas que observam o monumento de Carlos Gomes, como se o dia a dia fosse uma linda crônica de uma Campinas que o tempo não desfez.


 
Ainda resiste firme o belo prédio do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, e toda a riqueza artística, cultural e histórica que ele guarda consigo, enquanto a renovada Avenida Francisco Glicério exibe sua grandeza e movimento. À medida que se adentra a Rua Bernadino de Campos é isto que reflete melhor o que é o centro campineiro, movimento e agitação.


 
Em alguns trechos, os paralelepípedos deixam esta rua ainda mais charmosa.




Em sua forma estreita, calçadas, pessoas e carros procuram espaço, enquanto são observados por antigos prédios, símbolos de uma outra época, que nunca será esquecida.


 
De repente, a agitação e o movimento intensificam-se ainda mais. Pessoas disputam espaço com os carros, por todo lado os camelôs concorrem com as lojas de pequeno porte pela atenção do transeunte. Também entram na disputa as lojas de móveis usados. O comércio dedicado à baixa renda, à ilusão das marcas inautênticas, ao consumismo alternativo, mostra sua força.


 
Mas, em sua continuidade que se afasta do centro efervescente, tudo vai se acalmando. Os carros em movimento agora são carros estacionados. Carros e carros estacionados seguem o curso desta rua até seu início.

 
Construções antigas encontradas nesta rua resgatam o passado de Campinas. O Colégio Orosimbo Maia, as indústrias da Avenida Andrade Neves, as casas charmosas que vivem à sombra dos edifícios.

 
 

Esta é a Rua Bernadino de Campos, grandiosa como foi o homem que a nomeia, e tornou-se com isso, imortal na memória campineira.



Ela tem seu início no limite da Rua Lidgerwood e se estende até a Rua Barão de Jaguara.
Possui 1,1 mil metros de extensão e ainda guarda uma aparência antiga por ser estreita em algumas quadras e conservar os paralelepípedos como calçamento.



O nome Bernardino de Campos foi proposto pelos vereadores de Campinas para nomear a via em 1895, em substituição a denominação Rua América, sugerida em 1882. Antes, era conhecida como “Rua da Cadeia”, por causa da velha prisão localizada na via. Bernardino de Campos ainda era vivo, quando seu nome foi dado à rua.

Na Rua Bernardino de Campos está presente o prédio do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA), uma entidade particular, sem fins lucrativos, fundada em 1901 por um grupo de cientistas, artistas e intelectuais que decidiram criar uma instituição onde pudessem se reunir para estudo e produção de atividades científicas e artísticas. O local conta com uma biblioteca com mais de 150 mil volumes, pinacoteca, sala de leitura, galeria de arte, auditório para 220 pessoas e dois museus: Maestro Carlos Gomes e Campos Sales.



 
Bernardino de Campos teve dentre as muitas homenagens que recebeu por sua ilustre existência uma cidade do interior paulista que recebeu seu nome e uma rua no centro de Campinas.

Fontes:




 

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