sábado, 10 de março de 2018

CAMPINAS SENTE SAUDADE: Circo Teatro Irmãos Almeida


 
O Circo Teatro Irmãos Almeida foi iniciado por José Luis de Almeida, avô de Walter Almeida, e pai de Diógenes de Almeida
 
José Luís de Almeida ganhou este nome no Brasil. Ele era de uma família que fazia teatro de rua na China. Em sua juventude veio ao Brasil, e foi adotado por uma família de portugueses que morava no Rio de Janeiro. Como forma de continuar a tradição de sua família chinesa, ele acompanhou a primeira companhia de circo que conheceu. Tempos depois, casou-se com Maria Carolina e teve cinco filhos no circo, dentre eles, Diógenes de Almeida. José Luís de Almeida e sua esposa Maria Carolina resolveram, então, montar a própria companhia que se chamou “Circo Teatro Urbano e depois Morenos”.

 
 
 
 
 
Anos depois, Diógenes de Almeida casou-se com Idalina e teve três filhos, Alfredo, Walter e Abegair. Os filhos passaram a trabalhar na companhia e essa continuação da vida artística rendeu muito prestígio e sucesso.


Walter, Alfredo e Abegair


Em 1950, eles batizaram a companhia com o novo nome de Circo Teatro Irmãos Almeida, que levava espetáculos, quase, que, diariamente despertando um sentimento familiar em relação a todos os seus artistas.

 
 
 

Walter de Almeida nasceu  em 05 de fevereiro de 1925, na pequena cidade de Marcondezia, no estado de São Paulo. Ele começou a trabalhar no circo aos 5 anos de idade, como trapezista, mas sua primeira aparição em cena foi aos três meses de idade.
 
 
 
 
Aos sete anos formou uma dupla caipira com Hermógenes Xavier, intitulada Maquininha e Zé da Maria Cumprida. Walter era conhecido como Maquininha pela sua maneira rápida de saltar. Deixou de ser trapezista após um grave acidente.

 
 

Obteve enorme destaque como ator e cantor, interpretando sucessos teatrais como “E o céu uniu dois corações”, “A noite do riso”, “O direito de nascer” e “Carnaval no rio”. Seu repertório totalizou 100 peças diversas. Ele conquistou um enorme público, ao lado de seus irmãos Alfredo, o palhaço Fredô, e Abegair, a personagem Nhá Tica.

 


Posteriormente, ele passou a dividir o palco também com sua esposa, Paulínia Pachetti de Almeida. Ela obteve também grande sucesso no circo. Os filhos do casal fizeram parte do circo também.

 
 
 
 
 

O Circo Irmãos Almeida fazia temporada em todo o Brasil, de Goiás ao Paraná, do Rio Grande do Sul a Minas Gerais. Ficou mais tempo no estado de São Paulo. Liderados sempre por Walter, o qual se tornou um ator requisitado para fazer papel de galã, essa companhia circense representava dos grandes clássicos dramalhões até o tragi-cômico com muita classe e perfeição. Todos os atores e atrizes tinham mérito porque representavam bem, mas sobretudo porque eram pessoas humildes, que lutando para sobreviver, encantavam com a pureza de suas almas o público. Era uma época de candura, beleza e muita sensibilidade, quando a platéia assistia a exibição das peças, como se fossem novelas televisivas.




As principais peças teatrais que marcaram a época, quando não havia ainda televisão foram: “Honrarás tua mãe”, “E o céu uniu dois corações”, “Mestiças”, “Rosa do Adro”, “O direito de nascer”, “Lágrimas do Homem”, “Carnaval no Rio”, “A noite do riso”, “Casamento de Fredô”, “Marcelino Pão e Vinho”, “O Cangaceiro”, “Três almas para Deus”, “Os irmãos Corsos”, entre outras.





Diversos artistas de renome se apresentaram no Circo Teatro Irmãos Almeida, como Os Trapalhões, Oscarito, Mazzaropi, Cauby Peixoto, Luís Gonzaga, Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana, Alvarenga e Ranchinho, Vicente Celestino, Elke Maravilha, a “Caravana do Peru que Fala, de Silvio Santos”, dentre outros.



 
 
 
O Circo Teatro Irmãos Almeida estabeleceu-se  definitivamente em Campinas em 1960. Foi comprado na cidade um terreno para o circo que, aos poucos, pelo sucesso crescente transformou-se também em um circo fixo chamado “Pavilhão Teatral Irmãos Almeida”. Mais tarde, ele foi desfixado, mas permaneceu sempre na região de Campinas.




O Circo Teatro Irmãos Almeida atuou até o ano de 1975, quando perdeu espaço na preferência popular com o advento de novos meios de entreternimento, sobretudo a televisão. A ausência de apoio do Ministério Público ligado à arte e cultura também tornou difícil a sobrevivência deste inesquecível circo-teatro.




O Circo recebeu várias homenagens, dentre elas o samba-enredo da escola de samba Unidos do Indaiá, campeão do carnaval de rua de 1986 em Indaiatuba, e o programa de rádio “A hora do Circo”, apresentado por mais de 10 anos na Rádio Educadora de Campinas.

 


Fontes:



 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

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