domingo, 12 de julho de 2015

REPORTANDO: Campinas é bombardeada pelas tropas da ditadura


A cidade de Campinas foi surpreendida ontem com ataques aéreos das tropas federalistas da ditadura de Getúlio Vargas

Morre o escoteiro Aldo Chioratto, de 10 anos de idade.  




A cidade de Campinas foi surpreendida com um bombardeio realizado pelas tropas federalistas da ditadura de Getúlio Vargas, ontem, dia 18 de setembro de 1932. A primeira bomba caiu no teto da Estação Ferroviária, furando o telhado e explodindo em uma das vigas de sustentação, causando apenas problemas materiais. A segunda bomba caiu em frente à Estação, entre o ponto de automóveis, o posto de telégrafo e a sessão de despacho. O garoto Aldo Chioratto, de 10 anos de idade, escoteiro, foi atingindo por 13 estilhaços da bomba no Hall da Estação, após entregar uma correspondência para o comando revolucionário de Campinas. Aldo foi encontrado morto, caído no chão, sangrando e com ferimentos na região estomacal. O corpo do garoto foi levado ao “Marcadinho da Estação”. Ele era filho de Ada Chioratto e João Chioratto, dono de uma tinturaria. A família residia na Rua Doutor Campos Salles, 450. Eles embarcariam em um trem na Estação Ferroviária com destino a cidade de Sumaré, onde visitariam um tio do garoto.


Algumas pessoas que passaram nas proximidades do local onde ocorreram os bombardeios ficaram feridas. Algumas foram identificadas e levadas para hospitais da cidade. Vejam quem foram os identificados: o imigrante italiano Vicente Nome; João Venturini, José e Oliveira e José Said, que estão internados no Hospital do Circolo Italiani Uniti; Alfredo de Freitas, internado no Hospital da Beneficência Portuguesa; Attilio Alves de Britto, Attilio Neves Júnior, o garoto João Polli, internados no Hospital da Santa Casa; João Gomes e Isolino Monteiro, funcionário da Mogiana, que foram medicados e não apresentam gravidade. Outra bomba atingiu as proximidades da Companhia Mac Hardy e derrubou um pilar do edifício. Já na Rua Visconde do Rio Branco, 164, uma bomba atingiu a residência de Athayde dos Santos, morador de um prédio naquele endereço. Ele ficou levemente ferido. Durante a tarde, o avião da ditadura retornou a Campinas acompanhado de outro “vermelhinho”. Mais bombas foram lançadas, dessa vez na Vila Industrial. Duas atingiram um prédio na Rua Salles de Oliveira, 1200, na residência da viúva Maria Ferreira. Uma bomba atingiu o jardim da frente e não provocou problemas. A segunda caiu na varanda e atingiu Maria Ferreira e suas filhas Delmira, Albertina, Amelia e Anezia, além de uma de suas netas, Maria de Lourdes, filha de Belmiro Reis e Maria Reis. Donato Mamone foi ferido gravemente por um estilhaço nas proximidades da Estação da Companhia Paulista.

 

 

 

Fontes:

http://vejasp.abril.com.br/materia/oitenta-anos-revolucao-1932/




 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

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