sábado, 17 de fevereiro de 2018

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: O Matadouro Municipal


 
O Matadouro Municipal foi uma construção idealizada pelo arquiteto Ramos de Azevedo no final do século XIX. Sua fundação foi feita pelos senhores Dr. Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Francsico Glicério e Bento Quirino dos Santos. Ele situava-se na Vila Industrial, na atual Rua General Lauro Sodré, nas proximidades do córrego piçarrão.
 

 
 
 
Já em 1879, no dia 14 de dezembro, havia sido nomeada um diretoria da Companhia Campineira do Matadouro Municipal composta por Franscico Glicério, presidente; Bento Quirino dos Santos, tesoureiro; Squire Sampson, secretário. E uma comissão de redação dos estatutos formada por João Antônio Bierrenbach, Ramos de Azevedo e Francisco Glicério.
No dia 06 de março de 1882, iniciou-se as obras do matadouro. Neste ano também ocorreu sua inauguração.




A construção do matadouro foi uma reinvidicação da população, pois os animais, criados no meio urbano, eram costumeiramente abatidos nos quintais, ou em ruas e terrenos baldios, e os restos que eram abandonados, atraíam moscas  e outros insetos, exalavam mal cheiro e causavam desconforto. Havia um matadouro, na Casa de Câmera e Cadeia, mas era muito longe para atender, em termos de instalações e serviços, ao crescimento da cidade no tocante do consumo de carne.
 
 
 
 
Por isso, em 1877, a Câmara Municipal de Campinas adquiriu uma chácara nos arredores da cidade, junto a um curso d`água, para construir lá o novo matadouro municipal.
Foi somente em setembro de 1885 que o matadouro começou a funcionar, sendo então administrado pela municipalidade.

 



Este matadouto foi um dos primeiros do gênero construídos no Brasil. Ele fornecia matéria-prima também para o Cortume Campinense.
Por causa do Matadouro Municipal, os moradores da Vila Industrial eram conhecidos como bucheiros.
Era frequente, também por causa do matadouro, o trajeto de bois por algumas ruas de terra da Vila Industrial, levantando poeira no ar e causando barulho e agitação, o estouro da boiada.


O Matadouro Municipal foi demolido na década de 60 e hoje, no local onde funcionava, existe um conjunto habitacional.

 





Quando fui à querida Vila Industrial em busca do local onde funcionou o Matadouro Municipal, minha esperança era encontrar algum vestígio daquela construção, qualquer coisa que pudesse resgatar um tempo em que não existia tantas empreendimentos comerciais, e as pessoas iam comprar as carnes que queriam consumir direto do matadouro.
 
 
 
 
Encontrei uma senhora na Rua Salles de Oliveira, que me pediu para descer a Rua João Teodoro, uma vez que assim chegaria ao local onde um dia existiu o matadouro. Seguindo esta orientação e nada encontrando que pudesse caracterizar o local, aproximei-me de duas senhoras que conversavam na calçada e imaginei que poderiam me informar melhor, já que pareciam moradoras antigas do bairro. E, realmente me indicaram com maior clareza o local, na Rua General Lauro Sodré. Uma delas ainda me disse que comprava carne lá no matadouro, enquanto a outra me mostrou a rua onde o gado passava.
 
 
 
 
 
Até que vi e estive no local indicado, fotografei, mas ainda tinha dúvidas se fora aquele local mesmo onde funcionou o matadouro. Para minha sorte, em uma casa perto, duas senhoras também conversavam na calçada e confirmei com elas. Muito simpáticas, elas contaram-me como era a Vila Industrial na época do matadouro.
 
 
 
 
Contaram que compravam carne no local, que as carnes de sol ficavam penduradas em arames, e era tudo bem limpo. Que sentia pena dos animais abatidos, pois ouvia-se das casas o grito da morte. Disseram-me que era uma construção grandiosa e, apesar das dificuldades enfrentadas pela Vila Industrial naquela época, em termos de infraestrutura e saneamento básico, era uma época muito boa.

 

 

Fontes:

http://blogs.viaeptv.com/blogs/promemoriacampinas/2006/memoria-fotografica-1896-matadouro-municipal/









ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 3 de fevereiro de 2018

NOSSOS BAIRROS: Vila Padre Anchieta


 
 A Vila Padre Anchieta foi inaugurada no dia 11 de fevereiro de 1982 pelo Presidente do regime ditatorial da época, João Figueiredo, com um discurso inaugural na Avenida João Paulo II.  Quando o presidente inaugurou a vila, em uma quinta-feira, dava-se início oficalmente à vida comunitária de uma “cidade” não apenas de porte razoável, mas também com uma infraestrutura urbana de causar inveja à maioria das pequenas localidades do interior.





A vila é o principal bairro do Distrito de Nova Aparecida. Ela tem ao sul a Vila Lunardi, a oeste o município de Hortolândia, a noroeste o município de Sumaré, a nordeste a Rodovia Anhanguera, a leste o Jardim Aparecida e a sudeste a Vila Reggio e o Núcleo Residencial Boa Vista.

 
 

 
A Vila Padre Anchieta surgiu durante um ambicioso plano de expansão urbana através do crescimento habitacional do Distrito de Nova Aparecida, anunciado pelo prefeito de Campinas na época, Francisco Amaral. A intenção era transformar o distrito em uma nova cidade dentro de Campinas, através da construção de 6,5 mil casas e a formação de um contingente populacional de 35 mil pessoas, o que equivaleria a 10% da população total da cidade de Campinas.








Foi a Cohab-Campinas que se responsabilizou pela construção daquele conjunto de habitações, um dos maiores do Estado de São Paulo com suas 3.564 moradias, das quais 1.072 eram apartamentos. Também foi construída uma complexa estrutura de lazer e serviços, que incluía 56 lojas, uma escola de primeiro grau com 21 salas, que era seguramente a maior do Estado, um centro esportivo com quadra de futebol e piscina, um centro médico, um posto policial, anfiteatro, creche, sala odontológica e centro social.

 
 
 

A Escola Estadual Miguel Vicente Cury foi inaugurada em 1981 e leva o nome do empresário, político e ex-prefeito de Campinas, Miguel Vicente Cury. A escola foi inaugurada em um período em que a Vila Padre Anchieta assistiu à chegada dos primeiros moradores que ocupariam as casas populares que foram entregues.

 
 

Nasceu também com a vila, um grande centro comercial com 52 estabelecimentos distribuídos em 29 ramos de atividades comerciais. Além deste centro comercial constituído de pequenas lojas, foi reservada uma área para a construção de um grande supermercado. Com isso, percebeu-se um fenômeno interessante: o comércio do bairro da Aparecidinha, com seus numerosos empórios, bares, quitandas, mercearias e padarias também foi reestimulado em função do conjunto. 
 
 
 
Os ramos de negócios escolhidos e o número de lojas previstas foram determinados por uma pesquisa sobre as necessidades básicas de compras feitas pela população. Um varejão, intermediado pelo Ceasa de Campinas, fazia o abastecimento de gêneros de primeira necessidade para os moradores do conjunto habitacional.

 


O prefeito Francisco Amaral havia determinado desde início de sua gestão a construção de 10.730 unidades habitacionais, e garantia “quem passa pelo conjunto Padre Anchieta e se espanta com a grandiosidade da obra, ainda não viu nada”. Até o final do mandato, Chico Amaral havia prometido a construção de mais 6.500 casas no Distrito Industrial, vizinhas às 968 já existentes naquela época.
 
 
 
 
Segundo os jornais da época, a concretização daquele objetivo daria a Chico Amaral a façanha inédita em termos de administração municipal de ter criado moradias suficientes para abrigar mais de 10% da população do município, tornando-se na história de Campinas o prefeito que estabeleceu como prioridade de governo o sistema habitacional.

 
 

A Vila Padre Anchieta ocupa uma área de 1.270.000 metros quadrados, e em 1980, abrigava cerca de 18 mil pessoas, em sua grande maioria trabalhadores das indústrias . Em uma pesquisa feita na época foi constatado que mais de 90% dos domicílios do conjunto era formado por famílias de mais de cinco integrantes, e dados sobre a renda e os números do contingente familiar indicavam também que estas pessoas vieram de regiões rurais, que 11% vieram de favelas ou de pequenos cômodos de fundos. A grande maioria dos incluídos nessas duas categorias , entretanto, viviam em cortiços ou em pequenas casas de aluguéis altíssimos.

 


 
Antes da fundação, o território onde atualmente está formada a Vila Padre Anchieta era um pequeno lugarejo, com algumas vendas na região da Fazenda Santa Isabel, a qual deu origem ao Distrito de Nova Aparecida.

 




Discurso do Presidente Figueiredo:
 

“ A casa própria é a segurança da familia. Possibilitar 
habitação condigna aos brasileiros está entre os mais 
firmes compromissos sociais do meu Governo. Cumprir 
esse encargo, entretanto, constitui tarefa extremamente 
rude. Os núcleos habitacionais crescem de forma rápida 
e incessante. Contribuem para isso as migrações do campo 
para as cidades. Milhões de brasileiros vêm procurando 
nesses últimos tempos as zonas urbanas em busca 
de melhores condições de vida. Agrava-se desse modo a 
crise habitacional, que já seria preocupante se causada, 
tão-só, pela necessidade de novas construções, para fazer 
face ao crescimento vegetativo das populações locais.
 
 
 
 
Objetivo prioritário do meu Governo, o plano habitacional
está sendo executado com maestria, tenacidade
e eficiência e em todos os lugares onde a situação se
mostra premente, constróem-se conjuntos habitacionais,
onde, pelo menos, se tenha água, luz, escola e assistência
médica. O ritmo que vem sendo imprimido a este
trabalho, desse grande programa social, permite assegurar
que, em 1985, vinte e cinco milhões de brasileiros,
cerca de 1/5 da população do Brasil, estejam vivendo
sobre o teto da casa própria edificada com o auxilio do 
Governo.
 
 
 


Já em março pretendemos iniciar um outro programa
e expandi-lo para o trabalhador rural, fazendo com
que ele se' fixe no seu rincão e vejamos diminuído esse
afluxo para as grandes cidades. Milhões de cruzeiros estão
sendo investidos nesse vital empreendimento, para
cuja execução mobilizei ministérios, governos estaduais e
municipais, empresários, trabalhadores e corporações
comunitárias.
 
 
 

Ao voltar a Campinas, terra onde nasceu, viveu e
faleceu minha mãe; terra que faleceu meu pai; terra onde
reside há muitos anos a minha única e querida irmã
Luiza; terra onde vivem parentes a quem sou profundamente
afeiçoado; é com imensa satisfação, ao voltar a
Campinas, que vejo prontas mais de três mil e quinhentas
casas do Conjunto Anchieta. Sábado verei outras sete
mil e duzentas em Itaquera. Alegra-me verificar que o
problema da casa própria está sendo resolvido a passos
firmes, com o concurso de todas as forças sociais.
Alegra-me ver demonstrado que o meu Governo, com o
auxílio da sociedade, vem possibilitando dar ao povo
brasileiro requisito fundamental para o seu bem-estar, a
casa própria.
 

 
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ALEXANDRE CAMPANHOLA



Fontes:

 





sábado, 27 de janeiro de 2018

RUA BERNARDINO DE CAMPOS: Quem foi Bernardino de Campos?


 
Bernardino de Campos Júnior nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, no dia 6 de setembro de 1841. Era filho de Bernardino José de Campos , juiz de direito da cidade, e de Felisbina Rosa Gonzáles de Campos. Fez os estudos secundários no Colégio Júlio em São Paulo.







Cursou Direito na Faculdade do Largo São Francisco, entre os anos de 1858 e 1863. Nesta universidade havia uma grande efervescência das ideias republicanas e abolicionistas, e foi onde estudaram personalidades como Júlio de Castilhos, Assis Brasil, Barros Cassal e Alcides Lima., identificados com a causa antimonárquica.

Um ano após sua formatura, Bernardino de Campos, devido ao assassinato de seu pai, iniciou sua carreira de lutas forenses como advogado de acusação. Em 1865, ele casou-se em Campinas com Francisca de Barros Duarte, e no ano seguinte, abriu uma banca de advogado em Amparo, onde fixou residência.



Na cidade de Amparo, Bernardino de Campos foi eleito várias vezes ao cargo de vereador. Também se dedicou ao cargo de jornalista e, ao lado de Quintino Bocaiúva, dirigiu o jornal republicano O País, consolidando sua participação no movimento pelo fim do trabalho escravo no Brasil. Integrou o grupo paulista dos caifases, responsáveis por ações de fugas de escravos e pela proteção jurídica aos líderes abolicionistas.

Em 1873, Bernardino de Campos participou da Convenção de Itu, quando foi fundado o Partido Republicano Paulista (PRP), agremiação pela qual se elegeu deputado provincial, em 1877. Participaram da fundação do partido grandes nomes da política paulista como Manuel Ferraz de Campos Sales e Prudente José de Morais e Barros.

Em 1881, ao lado de Peixoto Gomide, Muniz de Sousa e Antônio Bittencourt, ele fundou o Jornal Época. No ano seguinte, tornou-se membro da comissão permanente do PRP. Foi signatário do Manifesto de 24 de Maio, em 1888, assinando o documento que pregava a revolução contra o regime monárquico e que causou forte impacto na conjuntura política nacional.



Instaurada a República no Brasil, em 1889, Bernardino de Campos foi indicado para participar da junta governativa de São Paulo. Em 1891, foi eleito deputado constituinte e no decorrer de seu mandato manifestou oposição ao governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca, e apoio a sua substituição por Floriano Peixoto.

Em 1892, Bernardino de Campos tornou-se presidente da Câmara dos Deputados, e em seguida, chegou a ser indicado pelo Barão de Lucena, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, mas recusou a oferta para se candidatar ao governo de São Paulo. Eleito nas urnas em 18 de agosto foi empossado no dia 23 do mesmo mês, sucedendo José Alves de Cerqueira César.


À frente o executivo paulista, teve de enfrentar a grave epidemia de febre amarela que se estendeu da região de Santos até o município de Campinas, mobilizando uma vultosa equipe de engenheiros e médicos especializados em doenças tropicais.

Ainda, como líder no governo de São Paulo, teve de intervir tanto na Revolta da Armada quanto na Revolução Federalista, contribuindo com o governo federal com suprimentos, recursos financeiros a até socorros para a cidade da Lapa, no Paraná, que se encontrava sitiada pelas tropas rebeldes. Seu apoio às forças federais foi fundamental para a derrota dos federalistas que ameaçavam a jovem república brasileira.  Estando em visita ao Forte Augusto no momento em que um navio rebelde atirava sobre a cidade de Santos, Bernardino de Campos foi aconselhado por um de seus ajudantes de ordens a abaixar-se, e respondeu com uma frase que ficou célebre: "São Paulo não se abaixa!"


 
À medida que o tempo passava, Bernardino de Campos via aumentar seu prestígio político. Quando deixou a presidência de São Paulo, em 1896, foi eleito para o Senado Federal, mas após quatro meses, renunciou para substituir Rodrigues Alves no Ministério da Fazenda.


Como Ministro da Fazenda, ele deparou-se com uma forte inflação e uma queda no preço do café no mercado internacional, configurando a primeira crise de superpordução do principal produto de exportação do Brasil naquela época. Também havia uma instabilidade política causada pelas forças contrárias ao novo regime. A gestão de Bernardino de Campos foi marcada pela tentativa de restabelecer o equilíbrio das contas nacionais e reorganização do Tesouro Nacional. Foi substituído por Joaquim Murtinho no ministério, decisão tomada pelo presidente Campos Sales, que incumbiu o substituto, titular do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas, para articular com os credores internacionais um plano para a salvação das finanças da república.

Voltou ao Senado de 1900 a 1902 por São Paulo, ocupando a presidência da casa. Integrou a comissão sobre o código Civil presidida por Rui Barbosa.

De 1902 a 1904, esteve presente novamente no governo de São Paulo, enfrentando uma nova epidemia de febre amarela que se abateu sobre o Porto de Santos. Durante sua gestão foi inaugurado o Museu do Ipiranga e foi melhorado o abastecimento de água na capital paulista.  Em 30 de abril de 1904, renunciou ao governo de São Paulo por causa de um glaucoma, e foi buscar tratamento na Europa.


Após sua volta ao Brasil, Bernardino de Campos foi cogitado pelo Partido Republicano para substituir Rodrigues Alves na presidência da república, e ele responde: "Eu não sou candidato a cousa alguma. Nunca, em toda a minha vida , o fui. Fizeram-me candidato. Estava na Europa cuidando da saúde e não pensava, absolutamente, na sucessão presidencial. Se o partido adotou a minha candidatura, eu vivo com o meu partido". E, coerente consigo mesmo, renuncia a essa candidatura em agosto de 1905, afirmando que "não podia consentir se pusesse como obra de ambição o que somente era do patriotismo e amor". Um acordo entre líderes optou pela eleição do candidato de Minas Gerais Afonso Pena.

Em 1905, voltou à Europa para o tratamento de um familiar. Neste período, perdeu a visão de seu único olho saudável, e regressou ao Brasil completamente cego.

Em 1909, foi lançada a candidatura do marechal Hermes Rodrigues da Fonseca à sucessão de Affonso Augusto Moreira Penna e o nome de Bernardino de Campos volta a ser lembrado, na famosa carta em que Rui Barbosa condena a candidatura militarista. Mas o nome que empolga o antimilitarismo é o do próprio Rui Barbosa, a cuja campanha Bernardino se entrega de corpo e alma. Mesmo cego, foi aclamado presidente de honra de grande convenção do PRP por proposta de Pedro Moacir, em 22 de agosto de 1909, quando a candidatura de Rui Barbosa se oficializa.


Ainda em 1914, esteve na Europa para acompanhar os estudos dos filhos e o tratamento médico da esposa. Neste período o início da Primeira Guerra Mundial impôs dificuldades ao seu regresso ao Brasil, ocorrido em 14 de outubro. 

Recebeu o título de general honorário do Exército Brasileiro. Também exerceu a atividade de consultor jurídico da São Paulo Light e da Estrada de Ferro Sorocabana.

Bernardino de Campos faleceu em São Paulo, no dia 18 de janeiro de 1915.

Os seus últimos momentos foram assim descritos por Cândido Mota Filho: "O automóvel fechado que o leva dá voltas pelo centro, dificultosamente, em virtude do movimento, que era intenso. Bernardino de Campos tem a feição transtornada. O secretário, que o acompanha, percebe a extensão do seu sofrimento. Ao passar o carro pelo Largo de São Francisco, bem em frente à Academia de Direito, Bernardino de Campos tem um estremecimento brusco e deixa cair a cabeça sobre o peito. Estava morto. O relógio da Faculdade, que ele amara tanto, acusava 15 horas. O automóvel vai mais depressa em procura de socorro médico e chega ao escritório do Dr. Murtinho Nobre. Não adianta mais nada". 
 
 
 
Nas esquinas com a Barão de Jaguara, amigos se encontram para aquele delicioso bate papo depois do almoço. Na Livraria Pergaminho, a vendedora observa o movimento no Café Regina, as pessoas que observam o monumento de Carlos Gomes, como se o dia a dia fosse uma linda crônica de uma Campinas que o tempo não desfez.


 
Ainda resiste firme o belo prédio do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, e toda a riqueza artística, cultural e histórica que ele guarda consigo, enquanto a renovada Avenida Francisco Glicério exibe sua grandeza e movimento. À medida que se adentra a Rua Bernadino de Campos é isto que reflete melhor o que é o centro campineiro, movimento e agitação.


 
Em alguns trechos, os paralelepípedos deixam esta rua ainda mais charmosa.




Em sua forma estreita, calçadas, pessoas e carros procuram espaço, enquanto são observados por antigos prédios, símbolos de uma outra época, que nunca será esquecida.


 
De repente, a agitação e o movimento intensificam-se ainda mais. Pessoas disputam espaço com os carros, por todo lado os camelôs concorrem com as lojas de pequeno porte pela atenção do transeunte. Também entram na disputa as lojas de móveis usados. O comércio dedicado à baixa renda, à ilusão das marcas inautênticas, ao consumismo alternativo, mostra sua força.


 
Mas, em sua continuidade que se afasta do centro efervescente, tudo vai se acalmando. Os carros em movimento agora são carros estacionados. Carros e carros estacionados seguem o curso desta rua até seu início.

 
Construções antigas encontradas nesta rua resgatam o passado de Campinas. O Colégio Orosimbo Maia, as indústrias da Avenida Andrade Neves, as casas charmosas que vivem à sombra dos edifícios.

 
 

Esta é a Rua Bernadino de Campos, grandiosa como foi o homem que a nomeia, e tornou-se com isso, imortal na memória campineira.



Ela tem seu início no limite da Rua Lidgerwood e se estende até a Rua Barão de Jaguara.
Possui 1,1 mil metros de extensão e ainda guarda uma aparência antiga por ser estreita em algumas quadras e conservar os paralelepípedos como calçamento.



O nome Bernardino de Campos foi proposto pelos vereadores de Campinas para nomear a via em 1895, em substituição a denominação Rua América, sugerida em 1882. Antes, era conhecida como “Rua da Cadeia”, por causa da velha prisão localizada na via. Bernardino de Campos ainda era vivo, quando seu nome foi dado à rua.

Na Rua Bernardino de Campos está presente o prédio do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA), uma entidade particular, sem fins lucrativos, fundada em 1901 por um grupo de cientistas, artistas e intelectuais que decidiram criar uma instituição onde pudessem se reunir para estudo e produção de atividades científicas e artísticas. O local conta com uma biblioteca com mais de 150 mil volumes, pinacoteca, sala de leitura, galeria de arte, auditório para 220 pessoas e dois museus: Maestro Carlos Gomes e Campos Sales.



 
Bernardino de Campos teve dentre as muitas homenagens que recebeu por sua ilustre existência uma cidade do interior paulista que recebeu seu nome e uma rua no centro de Campinas.

Fontes:




 

sábado, 13 de janeiro de 2018

REPORTANDO: Morre o prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos


 
QUEM MATOU O PREFEITO TONINHO?
 

 
Segunda-feira, 10 de setembro de 2001. O prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho, após deixar o shopping Iguatemi, onde fez compras, segue com seu carro pela Avenida Mackenzie, na Vila Brandina, no sentido do bairro Dom Pedro. Por volta das 22 horas e 20 minutos seu carro, um pálio Weekend de placa CBJ2113, é encontrado fora da pista, tendo batido em uma placa, e no interior do carro, o corpo de Toninho do PT se encontra debruçado na direção, com marcas de tiro nas costas. O prefeito de Campinas está morto. Estima-se que cerca de três tiros foram disparados de fora do veículo e um deles atinge o coração de Toninho. Segundo o comandante da Polícia Militar de Campinas, Reinaldo Pinheiro da Silva, ainda não se pode levantar uma tese sobre o caso, pois não há testemunhas. Sem chegar a uma conclusão, o inquéritopolicial aponta, em uma das versões dos fatos, para uma tentativa de assalto, mas outra versão sugere que o prefeito foi assassinado depois de “fechar”, acidentalmente, o carro da quadrilha de Wanderson de Paula Lima, o Andinho, um dos maiores criminosos de Campinas. A quadrilha havia praticado um crime nas proximidades do local minutos antes. A família de toninho acredita em outra motivação para o crime. Uma pergunta fica no ar e a espera de uma resposta, quem matou Toninho?



 

 


Fontes:


 

 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA