sexta-feira, 1 de maio de 2020

PREFEITOS DE CAMPINAS: João Alves dos Santos



O Dr. João Alves dos Santos foi o 28˚ prefeito de Campinas e governou a cidade entre junho de 1936 e julho de 1938. Seu antecessor foi o prefeito José Pires Neto, e seu sucessor foi Euclides Vieira. Ele foi nomeado durante a ditadura de Getúlio Vargas no Brasil.


 
 
O Dr. João Alves dos Santos atuou como tesoureiro na Subseção da OAB em Campinas, presidida pelo Dr. Antônio Álvares Lobo, e que teve como segundo secretário o Dr. Ernesto Kuhlmann.

Antes do Dr. João Alves dos Santos tornar-se prefeito, era discutido em Campinas um importante plano de urbanização, o Plano de melhoramentos Urbanos desenvolvido pelo engenheiro Prestes Maia. Mas, com o golpe do Estado Novo, as questões do urbanismo foram brevemente interrompidas devido à extinção da Câmara Municipal naquela época.

O prefeito João Alves dos Santos foi o responsável pela retomada dos trabalhos da Comissão de Urbanismo, por meio do Ato n˚ 115, de 18 de março de 1938.

 
Foi no mandato do Dr. João Alves dos Santos que teve início a contrução da Torre do Castelo.




Ele foi responsável também pela criação do Museu de História Natural,  no Bosque dos Jequitibás.

 
 
 
 
O prefeito João Alves dos Santos foi homenageado ao ter seu nome eternizado em uma escola situada no bairro Boa Vista, na região do Distrito de Nova Aparecida.




Seu nome também está presente em uma rua no Jardim das Paineiras.

 

 

Fonte:




 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 11 de abril de 2020

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A fábrica da Pastifício Selmi


A história da fábrica Pastifício Selmi começou em 1887, quando o imigrante italiano Adolpho Selmi desembarcou no porto de Santos-SP, e fundou uma pequena fábrica de macarrão em Campinas, a fim de difundir a tradição gastronômica de seu país. Essa primeira fábrica chamava-se Fábrica de Massas Adolpho Selmi. No início a produção era pequena, comercializada pelas ruas da cidade e os clientes eram os conterrâneos de Adolpho.

 
 
 
No final do século XIX, Adolpho Selmi associou-se com Hugo Gallo, e deu sequência ao seu empreedimento. O sobrenome do sócio, Gallo, tornar-se-ia uma marca reconhecida nacionalmente.




Na fábrica de Selmi e Gallo, o preparo das massas era feito na prensa manual. Posteriormente, elas passaram a ser produzidas por marombas e também por tração animal. Anos depois, a produção começou a ser feita por meio de uma grande caldeira que alimentava um locomóvel, uma máquina a vapor usada para movimentar cargas pesadas.

 
 

Em 1911, chegou a Campinas as instalações elétricas, facilitando o desenvolvimento das indústrias da região. A Selmi pôde com essa novidade importar da Itália as massadeiras elétricas, tornando seu processo mais produtivo.

 
 
 
Dez anos mais tarde, Adolpho Selmi, em 1921, adotou definitivamente Campinas como seu novo lar, e encerrou seus negócios na Itália. Ele reassumiu definitivamente a direção de sua fábrica, ao lado de seus filhos mais velhos e do seu primogênito, comendador Aladino, que conduziu o pastifício nos períodos de ausência do pai.



 
Nessa época, o macarrão Galo já era muito prestigiado e o preferido dos imigrantes italianos que chegavam continuamente no Brasil.

 
 
 
Aladino Selmi profissionalizou-se em contabilidade em uma época em que as condições favoreciam o crescimento do empreendimento da família.

Em 1931, a fábrica mudou-se para a Rua Francisco Teodoro, na Vila Indústria. Três anos depois, o primeiro macarrão de sêmola foi lançado por Selmi.
 
Os anos passaram, Aladino já estava a frente da empresa  e contou, mais tarde, com a colaboração de seus filhos Renato, Luciana  e Regina para administrar o negócio.

Em 1939, novas máquinas foram importadas da Itália para aprimorar a produção que se expandia, e a Selmi alcançava e se consolidava no mercado regional. Aladino Selmi fortalecia-se economicamente, e ao adquirir a parte do pai e dos irmãos no negócio, tornou-se proprietário da empresa em sociedade com seu filho Renato Selmi, que aos 18 anos já conhecia todo o processo de fabricação, devido ao antigo cargo de auxiliar de produção.

 
 
 
Pastifício Selmi S/A. Esta foi a nova razão social que a empresa fundada por Adolpho Selmi adquiriu em 1956. Com seu filho Aladino no comando, houve naquela década investimentos em uma nova planta, projetada para abrigar a produção, a administração e um moinho.

 
 

Já em 1962, Aladino Selmi fundou o Banco Cidade de Campinas e, através da venda de ações, comprou um moinho para beneficiar os grãos de trigo. Neste ano, como resultado dos investimentos, da maior agilidade e qualidade da produção dos anos anteriores, a empresa inaugurou sua nova sede na Avenida Mirandópolis,Vila Pompéia, e com a aquisição do moinho, produzia toda a farinha necessária para a obtenção das massas.

 
 

Ainda na década de 60, o Pastifício Selmi S/A inaugurou uma nova unidade fabril em Londrina- PR, visando ao mercado da região sul. A unidade era especializada na fabricação de massas como espaguete, ninho, pena e outros cortes.

Na década de 70, Renato Selmi escolheu o nome de sua filha para nomear a farinha de trigo lançada pela Selmi. Surgiu assim a marca Renata.

 
 
 
Um pouco antes, a empresa foi considerada pelo então Ministro da Indústria e Comércio Ulysses Guimarães como uma empresa de primeira linha no país.

Já na Itália, na cidade de Pistoia, na Toscana, o Pastifício Selmi recebeu medalha de ouro e diploma de honra ao mérito em uma exposição internacional.

Na década de 80, a empresa continuou sua expansão e já atuava em mercados como de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, além do sul e do interior de São Paulo. Ainda nesta década, o Pastifício Selmi foi premiado internacionalmente pela excelência de seus produtos. O prêmio recebido foi o XXII Prêmio Internacional de Alimentos e Bebidas, em Dusseldorf, na Alemanha.




Nos anos 90, O Pastifício Selmi tornou-se pioneiro na fabricação de macarrão de grano duro no país. O Grupo Selmi fazia ainda grandes investimentos nas unidades de Campinas e Londrina, para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo, e no final da década, a empresa após torna-se a primeira lugar em vendas de massas no Brasil, inaugurou o complexo fabril de Sumaré, que nove anos depois abrigou a nova fábrica de biscoitos. Nesta unidade teve início a fabricação do bolo pronto Renata e do bolinho em porção individual.

 
 

No ano 2000, o Grupo Selmi passou a funcionar integralmente em Sumaré e segue até hoje com sua história de sucesso e dedicação aos seus objetivos.
 
 
 
 
Atualmente, no endereço onde situava a fábrica da Pastifício Selmi em Campinas, encontra-se uma unidade do Paguemenos, na Vila Pompéia.

 
 

Fonte:




ALEXANDRE CAMPANHOLA

sexta-feira, 10 de abril de 2020

CAMPINAS SENTE SAUDADE: Discoteca Fábrica de Areia



No dia 18 de junho de 1984, na Vila industrial em Campinas, foi inaugurada a primeira grande casa noturna da cidade voltada para o estilo rock´n ´roll. Com a presença de mais de 10 mil pessoas, a Fábrica de Areia surgiu para tornar-se o reduto histórico do rock.
 
 

 
A danceteria era uma mega estrutura composta por uma pista de dança ampla, onde eram apresentados sucessos do rock nacional, hard rock, heavy metal, new wave e até funk/disco.

Também era composta de arquibancadas tubulares ao lado da pista, de um cabeleleiro que fazia cortes new wave numa plataforma suspensa em uma estrutura tubular a quatro metros de altura, cartomantes que liam as mãos, projeções de filme em telão, espaço separados por sacos de areia onde era o restaurante, fliperamas, palco para shows onde tocaram as melhores bandas e cantores do rock nacional no começo da carreira, e ainda espaço para com uma lanchonete ao ar livre em volta da gigantesca chaminé da antiga fábrica.

 
 

A Fábrica de Areia logo tornou-se uma gande novidade na Campinas dos anos 80 e passou a ser frequentada pela juventude daquela época, que lá viu passar inúmeros artistas
 
 
 

Artistas e bandas como Marina Lima e Ultaje à Rigor estiveram no palco da Fábrica de Areia, que também prestigiava bandas de Campinas e região em início de carreira.

 




A Fábrica de Areia ficava em uma parte da área onde existiu a histórica Indústria de Seda Nacional.
 
 
 
 
Anos mais tarde, após sua extinção. O grupo RAC passou a realizar suas atividades na saudosa casa noturna dos anos 80.
 

Fonte:

https://campinas.agendacidade.com/prime-hall/reveillon-da-fabrica-de-areia/
 
http://musicaprumundo.blogspot.com/2016/05/mpm-rock-scene-campinas_11.html


Grupo do Facebook: Campinas Antiga: https://web.facebook.com/groups/CAMPINAS.ANTIGA/

 
 

 ALEXANDRE CAMPANHOLA

sexta-feira, 19 de abril de 2019

PREFEITOS DE CAMPINAS: Magalhães Teixeira




José Roberto de Magalhães Teixeira, conhecido como Grama, nasceu em Andradas – MG, no dia 18 de junho de 1937. Era filho de Adalberto Magalhães Teixeira e de Iracema Cruz de Magalhães. Foi casado com Teresa Cristina Tavares Magalhães, com quem teve três filhos.




Cursou odontologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, entre 1957 e 1961, tornando-se cirurgião-dentista. Teve destacada participação na política estudantil e dirigiu o centro acadêmico 25 de Outubro, durante o período universitário. Também neste período, dirigiu o diretório central de estudantes (DCE) da PUC.
 
 
 

Em 1966, Magalhães Teixeira ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), um partido político que fazia oposição ao Regime Militar instaurado no país entre 1964.
 
 
 
 
Três anos depois foi eleito vereador em Campinas pelo MDB, e exerceu o mandato entre os anos de 1968 e 1973. Neste último ano, tornou-se diretor do Departamento de Educação, Física, Esportes e Recreação da Prefeitura Municipal de Campinas, onde permaneceu até 1976. Ainda nesse ano, elegeu-se vice-prefeito de Campinas pelo MDB, na chapa liderada pelo deputado Francisco Amaral.

 


 
Iniciou seu mandato no ínicio de 1977 e, durante seis anos de seu mandato, assumiria a administração interinamente entre 1979 e 1981. Durante os dois primeiros anos do governo de Chico Amaral, Magalhães Teixeira acumulou a vice-prefeitura com a pasta da cultura. Em novembro de 1978, elegeu-se suplente de senador pelo MDB para a legislatura 1979-1987.

Seu descontentamento com o estilo adotado por Orestes Quércia à condução do MDB paulista , Magalhães Teixeira liderou, em 1979, uma chapa de oposição que preencheu 30 % das vagas do diretório municipal do partido. Em novembro de 1979, com o fim do bipartidarismo e a consequente reorganização do quadro partidário, ele filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), uma agremiação sucessora do MDB, porém as brigas com Quércia continuaram no novo partido.

 
 
 
Entre 1981 e 1982, presidiu a Fundação José Pedro de Oliveira, até que em novembro deste último ano disputou a prefeitura de Campinas pelo MDB, concorrendo com o vereador José Paulo Naccaratto, ex-integrante da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de apoio do regime militar, apoiado por Orestes Quércia. Magalhães Teixeira venceu a eleição e assumiu o cargo em março de 1983.




Durante seu mandato, participou do Seminário Internacional sobre Administração Municipal da Fundação Konrad Adenauer, na República Federal da Alemanha (RFA), em 1983. Teve seu mandato prorrogado até 1988, para não haver coincidência das eleições para prefeituras e governos estaduais no pleito de novembro de 1986.

Em seu primeiro mandato foi avaliado como o prefeito mais bem avaliado do Brasil, e tornou-o reconhecido como símbolo da ruptura com as velhas lideranças partidárias.


 
 
Seu desentendimento com a figura de Quércia intensificou-se na campanha para o governo de São Paulo em novembro de 1986, quando Magalhães Teixeira apoiou o empresário Antônio Ermírio de Moraes, candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). No entanto, Quércia venceu as eleições daquele ano.

Em meados de 1988, Magalhães Teixeira foi um dos fundadores do Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB), agremiação criada por dissidentes do PMDB, naquele anos tornou-se vice-presidente estadual do PSDB.
 
Em outubro de 1990, ele concorreu à vaga de deputado federal pelo PSDB, sendo eleito com a quinta maior votação do estado. Empossado em fevereiro de 1991, foi membro titular da Comissão de Ciência e Tecnologia e Comunicação e Informática, e membro da comissão parlamentar destinada a oferecer à mesa estudos e sugestões, objetivando o aperfeiçoamento dos trabalhos administrativos e legislativos da Câmara em 1991.

 
 
 
 

Em 29 de setembro de 1992, na sessão da Câmara que promoveu a votação da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor, sua votação foi favorável. Collor era acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias.

Magalhães Teixeira permaneceu no cargo de deputado federal por apenas dois anos, pois em outubro de 1992, elegeu-se novamente para a prefeitura de Campinas, no primeiro turno, recebendo o total de 61% dos votos válidos. Com isso, renunciou ao mandato da Câmara, tendo como substituto José Aníbal.

 
 
 
 
Em janeiro de 1993, Magalhães Teixeira assumiu mais uma vez a prefeitura de Campinas, e durante sua gestão foi adotada, pela primeira vez em uma cidade brasileira, um programa de garantia de renda mínima para complementar os vencimentos de famílias pobres. Pelo projeto, implementado a partir de fevereiro de 1995, a administração municipal comprometia-se a pagar um subsídio mensal às famílias consideradas extremamente carentes, residentes de Campinas no mínimo há dois anos e com filhos frequentemente a escola. Essa iniciativa contou com o apoio do senador petista Eduardo Suplicy, um dos introdutores da discussão sobre o programa no Brasil, e serviu de exemplo a outras cidades brasileiras.




Naquele novo mandato, ele implantou uma linha telefônica para comunicação direta entre comunidade e prefeitura, para que fossem deixadas sugestões ou críticas para o prefeito. Houve a inclusão de flúor na água tratada que chegava às residências, a fim de melhorara a saúde bucal da população.

Magalhães Teixeira foi coordenador, no interior do estado de São Paulo, da campanha vitoriosa à presidêcia do país do amigo desde os anos 60, Fernando Henrique Cardoso.






Em novembro de 1995, Magalhães Teixeira foi diagnosticado de câncer de fígado. Ainda assim, recusou a possibilidade de afastar-se do cargo, e passou a orientar a prefeitura  de Campinas de sua casa, contando com um conselho de governo e com  o vice-prefeito Edivaldo Orsi (PSDB) para cuidar das questões administrativas rotineiras.





Uma personalidade simples e carismática, como muitos os definiram. José Roberto Magalhães Teixeira exibia uma liderança natural e tinha vocação para trabalhar em prol da cidade. Ele tratava a população com muita empatia, não era demagogo, nem populista, mas uma pessoa que gostava de Campinas e seus habitantes. Ficou marcado por olhar a causa dos menos favorecidos, suas necessidades, e exergou as dificuldades que a desigualdade social geram, sobretudo para o progresso de pessoas situadas no limite da pobreza, sem colocar em ponto de igualdade o bem sucedido e o miserável a partir do ponto de partida do esforço próprio, mas reconhecendo que há outras variáveis que definem a condição do indivíduo, e por isso, partilhando da ideia de que uma renda mínima é necessário para que o indivíduo carente possa se reerguer, e buscar melhores oportunidades em um mundo onde as boas oportunidades são tão restritas.(Opinião do autor do artigo)

Era querido pela população e admirado pelos colegas do partido, além de respeitado por adversários políticos.  

 
 
 
 
Magalhães Teixeira morreu no dia 29 de fevereiro de 1996.

Dentre as inúmeras homenagens que o prefeito Magalhães Teixeira recebeu em Campinas, seu nome imortaliza uma rodovia, também conhecida como Anel Viário Magalhães Teixeira.

 





Fonte:






ALEXANDRE CAMPANHOLA

terça-feira, 2 de abril de 2019

BAIRROS DE CAMPINAS: Vila Itapura



A Vila Itapura é um bairro situado bem próximo a região central de Campinas, e encontra-se entre duas importantes avenidas campineiras, a Avenida Orosimbo Maia e a Barão de Itapura.

 

 
 

 
Este bairro surgiu durante um período de intensa urbanização em Campinas, quando foi adotado o Plano de Melhoramentos Urbanos de Campinas, o qual esteve vigente entre as décadas de 1930 a 1960.

 




Este plano foi idealizado pelo engenheiro-urbanista Francisco Prestes Maia, contratado pela Prefeitura de Campinas, em 1934. De acordo com este plano, a cidade passaria por uma renovação urbana, cujo objetivo era apagar sua modesta feição colonial e imprimir-lhe ares de cidade rica e moderna.






Além deste objeitvo de reestruração do centro da cidade, havia uma estratégia de valorização imobiliária, que resultaria em ampliação de lucros sobre uma terra urbanizada e já ocupada, favorecendo antigos estratos da elite local, cuja riqueza havia se deslocado, após a crise  de 1929, do setor cafeeiro para o setor mercantil-imobiliário.

 
 
 
 
Mas, além do fator comercial, a incorporação de áreas baratas e não urbanizadas, interessava ao capital industrial, pois respondia às necessidades habitacionais de uma crescente classe operária, e isso aliviaria o custo locacional de moradia e de transporte para essa classe.

 
 
 
 
 
Neste contexto de produção de uma nova estrutura urbana de Campinas, intensa atividade do capital imobiliário e industrial, surge na década de 1940 a Vila Itapura, na região do bairro Guanabara.

 
 
 

A responsável pela construção desta vila foi a Companhia Rossi & Borghi, de acordo com os termos do Decreto-Lei n˚ 94/1941, que autorizava a implantação de habitações populares  nas imediações de áreas industriais.





A Vila Itapura foi formada nas imediações de importantes fábricas daquele período como A Fábrica de Tecidos Elásticos Godoy e Valbert, a Fábrica de Chapéus Cury e a Companhia Campineira de Óleo, promovendo uma ocupação residencial em uma área nitidamente industrial.



 
 
 
As ruas que delineavam este bairro eram: a Rua Prefeito Passos, a Visconde de Taunay, a Barata Ribeiro, a Tiradentes, a Barão de Atibaia, a Álvaro Muller, a Coelho Neto e a Engenheiro Saturnino de Brito.


 
 
 
 
Atualmente,  A Vila Itapura segue os passos deixado pelo Plano de Melhoramentos Urbanos de Prestes Maia. É uma bairro que mescla a opulência de edíficios residenciais e comerciais, com lindas e saudosistas residências que resistem ao tempo.





Um dos pontos históricos do bairro é a Fábrica de Chapéus Cury, em meio à prédios modernos, conserva sua imagem grandiosa. Outro ponto muito conhecido é o Clube Fonte São Paulo, assim como a Escola Castorina Cavalheiro e a Paróquia São Paulo Apóstolo.






 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

sábado, 29 de setembro de 2018

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: Companhia Mc-Hardy



A Companhia Mc-Hardy foi a segunda indústria de fundição de Campinas. Ela foi fundada pelo industrial Guilherme Mc-Hardy.




Guilherme Mc-Hardy  foi um mecânico escocês procedente de Drumblair, que chegou ao Brasil em 1872 para trabalhar na Companhia Lidgerwood, em Campinas. Em 1875, fundou sua própria empresa, a Companhia Mc-Hardy & Cia., começando a produzir máquinas de beneficiamento de café, ferramentas e utensílios de ferro, e, anos mais tarde, motores e caldeiras.

 
 

Não sem algumas dificuldades, ele conseguiu desenvolver seu negócio e em 1880 pôde ampliar suas instalações. Para tanto ele organizou uma dupla sociedade, constituindo respectivamente a firma Guilherme Mc-Hardy & Cia, tendo como sócio John James Ross e a Mc-Hardy & Cia – Fundição Campineira de Ferro e Bronze – para a qual se associou a Joseph James Sims. John Ross veio direto da Inglaterra a pedido de Mc-Hardy especialmente para ajudá-lo na expansão do estabelecimento; quanto a Sims, este já morava em Campinas, quando se associou a Mc-Hardy. 

Joseph J. Sims cuidou de formar a mão-de-obra que lhe era necessária na fundição, reunindo 54 aprendizes, na maioria brasileiros, que trabalhavam sob sua direção.




A Companhia Mc-Hardy estabeleceu-se inicialmente à Rua Bom Jesus, n˚23, atual Avenida Campos Salles, com a expansão do estabelecimento mudou-se para a Avenida Andrade Neves, n˚1 e 15, onde foi montada uma vasta oficina e uma fundição que ocupavam 8 mil metros quadrados, e não são somados a estes números os terrenos que foram adquiridos visando novas ampliações. Os prédios estavam localizados no quarteirão formado pelas ruas General Osório, Barão de Parnaíba, Bernadino de Campos e Dr. Ricardo.

 
 
 

Já no século XX, um dos prédios foi vendido à Cervejaria Colúmbia, e hoje pertence à Sociedade de Saneamento e Abastecimento de Água S.A – SANASA. Uma das quadras, onde existia o escritório da empresa ficava em frente à estação rodoviária. Este prédio foi vendido para Roque de Marco, depois que a empresa enfrentou problemas financeiros no final do século XIX.

Nos anos 20, a Mc-Hardy comprou mais uma quadra, na Avenida da Saudade, onde hoje é a Escola SENAI.

 
 
 
No dia 09 de outubro de 1883, ocorreu a inauguração das novas e grandes oficinas de fundição dos Srs. Guilherme Mc-Hardy & Cia.

Em outubro de 1886, durante a última visita do Imperador Dom Pedro II à Campinas,  a Mc-Hardy participou da recepção de rua para o casal imperial, formando uma ala composta por 160 dos seus operários. O Clube Musical Mc-Hardy, portando suas bandeiras e seu estandarte, fez-se presente entre as inúmeras bandas e agrupamentos de escolares e operários que também participaram das festividades programadas.

 
 
 

Em 1889, uma triste época em que Campinas foi violentamente atingida por um primeiro surto de febre amarela, Guilerme Mc-Hardy perdeu seus dois sócios e colaboradores, Ross e Sims, que faleceram quando a epidemia se alastrou pela cidade. Mas, Guilherme não desanimou que associando-se a um grupo de personalidades campineiras, tratou de transformar seu estabelecimento comercial e industrial em sociedade anônima.



 

Em 1891, a Guilherme Mc-Hardy passa a denominar-se Companhia Mc-Hardy Manufatureira e Importadora, uma sociedade anônima que tinha como objetivo atuar no que estivesse relacionado  com a fabricação e importação de máquinas, materiais para estrada de ferro, para abastecimento de água e dependência para iluminação, importação em geral e empreitadas, exploração de privilégios, concessões e contratos, fornecimentos para construções civis, navais e hidráulicas, além de adquirir, vender e fundar fábricas, fazer instalações, podendo explorá-las, arrendar ou vendê-las.



 
A nova empresa foi constituída com um capital social de quatro mil contos de réis, dividido em 20 mil ações. A primeira diretoria foi composta pelo fazendeiro Barão de Ataliba Nogueira, pelo industrial Guilherme Mc-Hardy e pelo advogado Gabriel Dias da Silva, todos residentes em Campinas. Em 1893, no lugar do diretor-gerente Guilherme Mc-Hardy, que permanecia na Europa, a princípio a serviço da companhia e em seguida por motivos de saúde, foi nomeado gerente o acionista Roberto Paton. Assinaram o estatuto da companhia, em 1893, Gabriel Dias da Silva, como diretor da companhia, e o Barão de Ataliba Nogueira, como presidente.

 

 
 
É interessante observar que entre os acionistas da Companhia Mc-Hardy Manufatureira  e Importadora, em 1893, aparecem vários empresários, imigrantes, fazendeiros de café e políticos importantes da cidade de Campinas e do Estado de São Paulo. Os maiores acionistas  em 1893 foram: o Banco dos Lavradores com 27,9% do total de ações, Guilherme Mc-Hardy com 25,2%, Gabriel Dias da Silva com 3,2%, Roberto S. Paton, com 2% e o Barão de Ataliba Nogueira com 25 das ações da companhia.

 
 

Em 1883, ela somava de 140 a 145 empregados. No ano de 1900 já eram 320 empregados.

 
 

Em 1894, Guilherme Mc-Hardy voltou à sua terra natal, e faleceu em 1914, aos 84 anos de idade. Seu corpo foi sepultado na cidade de Aberdeen.

A partir de 1913, o Dr. Júlio Gerin, que desde o início do século XX ocupara o cargo de engenheiro gerente da companhia, assumiu a direção, tendo permanecido neste cargo até o início dos anos 40, quando o controle acionário da Mc-Hardy foi adquirido pelo Grupo Irmãos Duarte, de Americana.

Por volta de 1935, as oficinas foram tranferidas para um prédio próprio localizado na Avenida da Saudade, tendo permanecido na Avenida Andrade Neves o setor da empresa destinado a comercialização de produtos.

Até os anos 50 do século XIX, a Companhia Mc-Hardy foi a principal fabricante de equipamentos da cidade de Campinas e já diversificava seus produtos, fabricando furadeiras, serras...No início dos anos 60, a companhia entrou também na construção civil.





Sabe-se que a Companhia Mc-Hardy encerrou suas atividades produtivas em 1975, embora juridicamente  a empresa continuasse existindo.

Por volta de 1983, a Helcosa – Engenharia, Comércio e Indústria de Metais Ltda., situada no Km 99 da Rodovia Anhanguera, incorporou as máquinas da Mc-Hardy ao seu patrimônio.

Naquele ano, a Companhia Mc-Hardy fechou as suas portas definitivamente e deixou em Campinas uma história de sucesso, que sobrevive em suas ruínas vistas, sobretudo, da Avenida Andrade Neves.




Dentre os artigos fabricados pela Companhia Mc-Hardy ao longo de suas atividades pode-se destacar: Máquinas de beneficiar café de todos os sistemas: vapores, locomóveis e fixos; engenhos centrais para a fabricação de açúcar e aguardente; engenhos de serras circulares e verticais; catadores duplos; ventiladores dobrados e singelos; descartadores com graduação por fora; ventiladores de aspiração; ditos para matar formiga; rodas d`água; moinhos de todas as qualidades; bombas hidráulicas simpes e de pressão; moendas para cana; teares comuns e automáticos para algodão, seda e lá, caldeiras, turbinas, ferro fundido, aço, maquinas operatrizes (furadeira FMH-50), motores à vapor, alambiques, etc.]

 
 
 
O destino da produção era o Estado de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e exterior.

 

 

Fonte:







 
ALEXANDRE CAMPANHOLA