Thomaz Augusto de Mello Alves
nasceu no dia 24 de Dezembro de 1856, no Rio de Janeiro. Era filho do jurista
Thomaz Alves e de dona Emília Augusta de Mello Alves. Estudou no Colégio Pedro
II. Vindo do Rio de Janeiro em 1882, um ano depois de terminar a Faculdade de
Medicina, o Dr.Thomaz Alves tinha 26 anos de idade quando escolheu Campinas
para residir, onde se casou com a Sra. Etelvina de Moraes Salles, de respeitável
e tradicional família campineira. Em 1886, foi admitido como médico da
Beneficência Portuguesa.
Graças à extrema bondade de
seu grande coração, encontrou nesta cidade um ambiente de franca estima por si,
pois era um médico caritativo, amigo dedicado, despertando as mais verdadeiras
e espontâneas simpatias.
Desde o dia em que aqui
chegou no dia 2 de Maio de 1882, passou ele a sua existência benfazeja, de
grande abnegação, na prática do bem.
Foi no escritório da redação
da antiga "Gazeta de Campinas", na Rua do Comércio, depois Dr.
Quirino, que ele esteve pela primeira vez, quando veio conhecer a nossa cidade.
Lá também localizava seu consultório médico. Neste dia, não deixou de fazer uma
visita à imprensa local e passou a participar ativamente das reuniões com
amigos intelectuais como Ferreira de Araújo, Arthur Azevedo, Fontoura Xavier,
Adelino Fontoura, entre outros. Era estimado pelo pessoal da Gazeta de
Campinas.
Nos folhetins de jornal, ele
assinava com o pseudônimo de Hopp Frog, e estes sempre foram lidos com o maior
interesse e sempre foram aplaudidos.
Ilustre médico e distinto
literário, ele conviveu com personalidades como Campos Salles, Francisco
Glicério, Quirino dos Santos, que eram figuras salientes do nosso meio
intelectual e político, estabelecendo palestras em que se desabrochavam verdes
esperanças e rubro entusiasmo pela propaganda da ideia nova, que pretendia
trazer o bem geral do país.
Quando deixou de vez a
carreira jornalística, Thomaz Alves passou a se dedicar somente à medicina, e
construiu uma linda história nesta atividade.
Em princípio de 1889,
explodida a medonha epidemia de febre amarela, o Dr. Thomaz Alves pôs em relevo
sua alma generosa no tratamento dos enfermos, sendo ainda mais estimado pelas
diversas classes sociais. Teve o dedo indicador inutilizado, certa vez, devido
a uma infecção contraída quando cuidava de um doente.
Com a Proclamação da
República, Thomaz Alves foi nomeado para assumir o cargo de intendente, em que
chegou à presidência do conselho em 1892.
Foi eleito vereador da câmara
municipal e exerceu nobremente seu mandato entre 1889 e 1901.
A Maternidade de Campinas foi
fruto de seus ingentes e louvados esforços; a Santa Casa da Misericórdia
deve-lhe bons serviços, tendo ele feito parte da mesa administrativa, durante
alguns anos; da Companhia C. de Águas e Esgotos (já extinta) foi um esforçado
colaborador, ao lado do Dr. Augusto de Figueiredo.
Como presidente do Centro de
Ciências, Letras e Artes prestou valiosos concursos, exercendo dedicadamente
este cargo.
Em 1918, desenvolveu-se
inopinadamente, em Campinas, violenta epidemia de gripe, ceifando inúmeras
vidas. A ação constante do médico caridoso foi inexcedível em tal momento
aflitivo, nesse circulo de sofrimento em que a população vivia cercada.
Ele
cuidou de diversos enfermos, correndo as ruas e visitando prontos-socorros em
Campinas, sempre agindo para que as condições precárias observadas fossem
combatidas.
Thomaz Alves morreu no dia 23
de Abril de 1920. Em
20 de Dezembro do mesmo ano, a prefeitura de Campinas homenageou-o dando seu
nome a uma rua da cidade. Em 1925, ele foi homenageado com um monumento na Praça
Carlos Gomes.
Quando atravessei a Rua Barão
de Jaguara e cheguei à Avenida Thomaz Alves sabia que encontraria naquela
pequena via traços de uma grandiosa história. O próprio homenageado é detentor
uma grandiosa história cheia de virtude e bondade.
Mas, naquela avenida também
estava parte da Praça Antônio Pompeo, e o monumento túmulo do grande maestro
Carlos Gomes; estava naquela praça e naquela via também uma das sete maravilhas
de Campinas, o Jockey Club; e já nas proximidades da Avenida Anchieta, lá
estava o Largo das Andorinhas e a bela vista do Colégio Carlos Gomes.
Uma
senhora simpática ao ver-me fotografar uma construção antiga da Avenida Thomaz
Alves exclamou: “É bonito!”.
Concordei com os olhos brilhantes fixados, naquele início de tarde, naquela avenida tranquila, que em meados dos anos 70 do século
XX era uma das vias mais charmosas de Campinas, sendo o endereço de luxuosas
boutiques.
Fonte:
http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com/2007/04/monumento-thomaz-alves.html
http://glauciafranchini.blogspot.com.br/2010/07/no-dia-23-de-abril-deste-ano-flavio.html
http://campinassim.blogspot.com/2015/03/o-busto-de-thomaz-alves.html
TEXTO: ALEXANDRE CAMPANHOLA