domingo, 20 de julho de 2014

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: O Largo do Pará




Em 1848, o Largo do Pará recebeu sua primeira denominação, Largo da Independência.
Em 1854, foi feita uma canalização na região conhecida como Bairro alto, pois as águas da chuva se espalhavam causando grande prejuízo. A instalação de um tanque determinou a denominação Largo do Tanquinho para aquela praça.






Em 22 de janeiro de 1872, foi outorgado o sobrenome dos “Andrada”, em reverência aos irmãos Andrada, por sugestão do doutor Rafael de Abreu Sampaio, sendo invalidado, logo em seguida, ou seja, em 5 de fevereiro daquele mesmo ano. Em 9 de março de 1874, foi confirmado para figurar ali a nomenclatura dos “Andrada”, por nova iniciativa do proponente anterior.

Em 10 de julho de 1882, por indicação do líder republicano, o doutor Francisco Quirino dos Santos, o Largo do Pará passou a se chamar “Praça São Paulo”, homenageando o Estado de São Paulo e o apóstolo dos gentios.







Em 1899, por iniciativa do intendente doutor Manoel de Assis Vieira Bueno, por medidas de ordem sanitária e também em razão da modernização urbanística da cidade, o Largo do Pará foi arborizado e ajardinado. Fornecidas pelo Instituto Agronômico, diversas árvores foram plantadas o que possibilitou o controle dos constantes carregamentos de terras provocados pelas chuvas fortes, ao mesmo tempo que passou a expressar a síntese da vida burguesa, urbana, industrial e moderna da cidade.






A denominação “Pará” foi dada pela Câmara Municipal em 1896, em homenagem ao maestro Carlos Gomes. Ele morou e faleceu naquele estado.

Em 1927, por ocasião do bicentenário do café, o Largo do Pará recebeu um monumento em homenagem ao café, já que Campinas foi o mais importante centro produtor de café do país.

Em 1930, seu nome foi modificado para “João Pessoa”, em homenagem ao presidente do Estado da Paraíba.

A nomenclatura “Pará” voltou a designar o Largo, conforme a lei n˚515, de abril de 1937, do prefeito João Alves dos Santos.

 




O Largo do Pará está localizado entre as ruas Barão de Jaguara e Duque de Caxias e Avenidas Francisco Glicério e Aquidabã.





 

Fontes:

http://www.anpur.org.br/revista/rbeur/index.php/shcu/article/viewFile/639/615

 

domingo, 13 de julho de 2014

O BUSTO DO ENGENHEIRO LIX DA CUNHA






Lix da Cunha nasceu em Mogi-Mirim , em 9 de abril de 1896.

Realizou o curso primário no 2˚ Grupo escolar de Campinas e o curso ginasial no Colégio Culto à Ciência, em 1909. Posteriormente, passou vários anos nos Estados Unidos, estudando em lugares como a Randolph Macon Academy, em Bedford, Virgínia, de março a dezembro de 1913, e no Rose Polytechnic Institute, em Terre Haute, de 1914 a 1918, em Indiana.

Trabalhou nos EUA de 1918 a 1919, como engenheiro e voltou para o Brasil no final deste ano, quando entrou para a Rede de Viação Sul Mineira, com sede em Barra do Piraí, como engenheiro residente.

 

Entrou em fevereiro de 1920 para o Departamento de Engenharia da Standard Oil Company of Brasil.



 


Em 1921, aceitou o cargo de Inspetor Geral da Companhia de Melhoramentos de Monte Alto, em São Paulo, voltando em setembro de 1921 a Standard Oil no mesmo cargo anterior, com sede no Rio de Janeiro.


Em 1922, passou a exercer o cargo de engenheiro da linha e edifícios na São Paulo Railway Company, em São Paulo.



 

Em novembro de 1924, passou a trabalhar na organização Gouvêa & Cunha com seu colega, o engenheiro Antônio Dias de Gouvêa. Dissolvida a firma em 1936, Lix da Cunha continuou a trabalhar com um escritório de Engenharia e Arquitetura, em Campinas.

 
Em 1935, foi o inaugurado o primeiro arranha-céu de Campinas, o Edifício Sant`Anna (que abriga o Hotel Opala Barão), na esquina das ruas Barão de Jaguara e César Bierrenbach, construindo pela construtora Gouvêa & Cunha.

 
 


 
Em maio de 1948, ele fundou a Construtora Lix da Cunha S/A e em junho de 1960, incorporou a firma de pavimentação asfáltica Orlando Costa & Cia. Ltda, com a denominação de Construtora e Pavimentação Lix da Cunha S/A. Já em 1968 fundou a Concrelix S/A – Engenharia de Concreto, firma especialista em concreto usinado.

 
O engenheiro Lix da Cunha nos anos seguintes também fundou a Pedralix e a Lix Empreendimentos Adm. de Negócios S/C Ltda.

 

 


Recebeu em junho de 1961, da Câmara Municipal de Campinas o título de Cidadão Campineiro e em 1968, por ocasião quede o seu Jubileu de Ouro de formatura, na Rose Politechnic Institute, recebeu o título de “Doutor em Engenharia”, título concedido até aquela data somente a 32 ex-alunos durante os 97 anos de existência da escola, sendo ele, Lix da Cunha, o único estrangeiro até a data a receber o título.








O engenheiro Lix da Cunha foi autor de projetos que se tornaram autênticos patrimônios arquitetônicos da cidade de Campinas, como a Casa da Saúde, o Palácio de Justiça, a sede da Academia Campinense de Letras, e o edifício sede do Correio Popular, na esquina das ruas Conceição e Dr. Quirino.

 
 


 

Lix da Cunha e sua esposa Nair Valente da Cunha tiveram quatro filhos. Ambos se dedicaram muito à filantropia, e entre as obras assistenciais que contaram com a ajuda de amigos, destacam-se a construção do orfanato Nossa Senhora do Calvário, do Instituto de Menores Dom Nery, da realização da campanha Tudo é Brasil, a construção do Hospital da Criança Paralítica de Campinas, da sede da APAE, dos pavilhões do Hospital Álvaro Ribeiro e dos Patrulheiros, do novo prédio do Lar da Nossa Senhora do Calvário, coordenado pela Madre Cecília, além da creche Nair Valente da Cunha.



O engenheiro Lix da cunha morreu de parada cardíaca em Campinas, no dia 6 de agosto de 1984, e foi enterrado no Cemitério da Saudade.

 


 
 
O busto do Engenheiro Lix da Cunha fica na Avenida Lix da Cunha, na Praça Legião da Boa Vontade.

 

 

Fontes:

 



 

domingo, 6 de julho de 2014

GRANDES HOMENS DE CAMPINAS: Professor Benedito Sampaio




Benedito Sampaio nasceu em Igaratá- SP, em 11 de abril de 1883. Foi filho de Francisco José Sampaio e Joaquina Ramos Sampaio. Estudou em Jacareí, no colégio Nogueira da Gama. Concluiu o curso equivalente ao ginasial em São Paulo, no seminário episcopal.

Foi professor, poeta e prosador.

Em 1903, foi para Santa Rita do Passo Quatro, onde iniciou sua carreira de professor lecionando Latim, Francês e Português. Nesta mesma cidade casou-se com a Sr. Noêmia Ribeiro.



 Em 1910, foi para Bebedouro onde montou o Colégio Sampaio de cursos primários e secundários.

Lecionou no Ginásio Estadual de Ribeirão Preto, quando escreveu e publicou seu primeiro livro de versos.

Seu primeiro livro foi publicado em Campinas pela Casa Mascote e foi intitulado “O Hélicon”. Era um livro de vesos.




Em 1925 veio para Campinas e tornou-se lente de Língua portuguesa no colégio Culto à Ciência. Escreveu a maioria de seus livros nesta cidade, dentre eles: Taça vazia, Questões da língua, Falar certo, Polêmica alegre de Gramática, O Cosmorama da cidade (obra premiada pela Academia Brasileira de Letras), Leituras fáceis, Seleta de língua portuguesa, Tangolomango, Canto a três vozes.

Em 1950, Benedito Sampaio aposentou-se como professor de Língua portuguesa. Ele vivia em Piraçurunga onde publicou em 1958 um volume de crônicas e fantasias denominado “De Minha Chácara”.

Mesmo depois de aposentado e residindo em Campinas novamente, foi lente de Universidade Católica de Campinas, em sua Faculdade de Filosofia.

Foi pai de Francisco Ribeiro Sampaio, fundador da Academia Campinense de Letras.















Benedito Sampaio faleceu em 4 de setembro de 1965, em Campinas.

Em 1975, foi criada pela Secretaria de Educação a Escola Estadual Professor Benedito Sampaio, em virtude da extinção do curso de primeiro grau do colégio Culto à Ciência.




 


Curiosidade: Benedito Sampaio era bisavô do Deputado Federal Carlos Sampaio.

 



Fontes:





domingo, 29 de junho de 2014

RETRATOS DE CAMPINAS: Junho de 2014






AVENIDA THOMAZ ALVES






RUA BARÃO GERALDO DE RESENDE





RUA BARÃO DO PARNAÍBA




RUA ONZE DE AGOSTO
 
 
 

 ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 22 de junho de 2014

FORA DOS TRILHOS - Crônica de Campinas








Nos trilhos da Mogiana vagava quem na vida saiu dos trilhos. Ainda alucinado pelo pozinho branco que mãos espertas no Terminal Central distribuíam, ele só queria seguir em frente, sob o peso do sol campineiro. Cada passo seu era um passo atrás e a juventude era mais decadente que as construções da velha Mogiana, onde os vagões adormeceram. Em suas ilusões, o apito das locomotivas parecia chamar-lhe a atenção que estava no caminho errado, e que poderia ser atropelado pelo destino. O apito da consciência. Mais à noite, fora dos trilhos, o desejo de aspirar outra vez suas ilusões o poria a mendigar na Glicério.



Crônicas de Campinas

Alexandre Campanhola


 

domingo, 15 de junho de 2014

AVENIDA CORONEL SILVA TELLES, EM CAMPINAS


QUEM FOI O CORONEL SILVA TELLES?



Antônio Carlos da Silva Telles nasceu em 21 de setembro de 1854. Depois de dedicar-se à lavoura, ingressou na política e foi um dos participantes da famosa Convenção de Itu.



IMAGEM CRIADA POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


A Convenção de Itu foi a primeira convenção republicana do Brasil. Realizada em 1873, nela foi aprovada a criação de uma comissão de republicanos para gerenciar os negócios do partido.

O coronel Silva Telles foi um abolicionista convicto e membro do importante grupo republicano que existiu em Campinas, que incluía figuras como Francisco Glicério, Campos Salles e Bernardino de Campos.






Passando a residir em Santos, o coronel Silva Telles tornou-se comissário de café e chefe político. Quando esteve na presidência da Associação Comercial de Santos, coube-lhe receber Rui Barbosa, ministro da fazenda, em 11 de fevereiro de 1890, que viera inspecionar os serviços de carga e descarga e de armazenamento de mercadorias.

Em 1889, quando desempenhava o mandato de vereador em Santos, na ocasião da proclamação da república, foi-lhe confiada a administração do município santista por uma junta governativa, da qual ele também fez parte.

Presidiu o Conselho Administrativo da Caixa Econômica do Estado e viu-se eleito senador estadual pelo Partido Republicano Paulista.

Foi um dos fundadores da Usina Ester, uma das mais antigas usinas de açúcar do Estado de São Paulo, situada na cidade de Cosmópolis.

Foi proprietário da Fazenda Chapadão, em Campinas.

O Coronel Silva Teles faleceu em São Paulo, no dia 24 de janeiro de 1925.

 


A Avenida Coronel Silva Telles começa na Avenida Júlio de Mesquita e termina na Avenida José de Sousa Campos, possuindo mais de um quilômetro de extensão. Nela situa-se desde 1965 o Colégio Madre Cecília que na época de sua fundação chamava-se Lar Escola Nossa Senhora do Calvário e tinha o objetivo de atender crianças do sexo feminino com idade entre quatro e quinze anos em situação de vulnerabilidade social. As meninas eram mantidas em regime de internato e recebiam assistência em relação a roupas, saúde, educação e formação cristã.





 
 
 
 
 



A Avenida Coronel Silva Teles já teve a denominação de Avenida Germânia, por causa dos irmãos Bierrembach que tinham origem germânica.





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✍ ALEXANDRE CAMPANHOLA 
 ESCRITOR E MEMORIALISTA DE CAMPINAS



Fontes:




 

domingo, 8 de junho de 2014

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A escola Corrêa de Mello




Joaquim Corrêa de Mello foi um botânico e farmacêutico de grande renome que teve como grande feito auxiliar com seus conhecimentos em botânica e química, Hércules Florence, na descoberta da fotografia, isto em meados do século XIX.





 
 
 

Após sua morte, ocorrida em 1877, fazendeiros e intelectuais de Campinas reuniram-se e pensaram em fazer uma homenagem ao respeitado farmacêutico. Decidiram pela construção de uma escola levando o seu nome.

 
 
 
 

Em 18 de abril de 1881 no antigo Largo Jurumbeval, hoje no local onde se situa a praça Corrêa de Mello, próximo ao Mercado Municipal “Mercadão, foi fundada a Escola Corrêa de Mello. Seus estatutos foram aprovados pelo governo provincial em 11 de fevereiro de 1881.No primeiro artigo desses estatutos estava escrito claramente que ela era criada para promover a instrução popular. Para isso, a Sociedade Corrêa de Mello colocou como objetivo fornecer cursos públicos gratuitos de nível primário para meninos e meninas pobres.






Os estatutos da sociedade mantenedora regulavam todo o funcionamento da escola, desde a contratação de professores, o início e o término das aulas, assim como a organização dos programas e a realização das provas. Para os exames finais, realizados publicamente, uma comissão era montada, com convites a membros do poder público e a professores de outras escolas. O resultado era deliberado por votação secreta e os alunos recebiam premiações de acordo com o seu desempenho.


Por volta de 1962, a escola foi demolida.

 

 


Fonte:


domingo, 1 de junho de 2014

A ESTÁTUA DE DOM BARRETO





Francisco de Campos Barreto nasceu em 28 de março de 1877, no Arraial de Souzas, município de Campinas. Era filho de Joaquim de Campos Barreto e da Dna. Gertrudes Ludovina de Moraes.

Manifestando desde cedo vocação para a vida sacerdotal, em setembro de 1890 foi matriculado no seminário episcopal de São Paulo.

Em 22 de dezembro de 1900, foi ordenado na Catedral de São Paulo por Antônio Cândido Alvarenga e começou seu trabalho como vigário da pequena e recente paróquia de Vila Americana. Seguiu como pároco no Arraial de Souzas e, em 1904, foi transferido para a Matriz de Santa Cruz, em Campinas.

Em 1908 foi nomeado Monsenhor Camareiro Secreto do Santo Padre, pelo Santo Padre Pio X, quando era na época um dos maiores animadores da criação da Diocese de Campinas. Instalado nesta Diocese, foi nomeado por Dom Nery como Cônego Arcipreste (chefe dos padres de um clero) do cabido diocesano, ocupando o cargo de procurador de Mitra, além das outras Comissões na administração do bispado, entre elas a de examinador pós-sinodal, substituto do presidente do Tribunal Eclesiástico e examinador de novos sacerdotes.
 
 
 
 
 
 
 
Em 12 de maio de 1911, foi eleito Bispo de Pelotas, no Rio Grande do Sul, pelo Santo Padre Pio X. Sua ordenação episcopal foi na Catedral de Campinas, em 27 de agosto de 1911, por Dom João Batista Correia Néri, bispo de Campinas, Dom Antônio Augusto de Assis, bispo de Pouso Alegre e Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, bispo de Orthosia e coadjutor do Rio de Janeiro. Em 21 de outubro de 1911, Dom Barreto assumiu a Diocese de Pelotas.

Por ato do Santo Padre Bento XV, em 30 de julho de 1920, foi transferido para a Diocese de Campinas, da qual tomou posse no mesmo ano, em 14 de novembro.Continuou a contribuir imensamente com a igreja. Durante sua vigência foi construído o Palácio Episcopal e o Seminário Diocesano, além da fundação do Instituto das Missionárias de Jesus Cristo, em 1928, que é uma congregação brasileira que tem como objetivo “ir em busca dos mais necessitados”, contribuindo com a educação de distintas comunidades brasileiras.

Em 1926, foi honorificado com os títulos de Assistente Sólio Pontifício, Prelado Doméstico e Conde Romano.

Em 1928, protestou publicamente contra o procedimento do vice-presidente da República, Fernando de Melo Viana, que civilmente casou-se  em Campinas com uma senhora já casada na igreja.
 
Já no ano de 1936, viu comemorado extraordinariamente o seu Jubileu Episcopal.






A fundação do Instituto das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado foi junto com a Madre Maria Villac. Nesta Instituição decorreram famosas aparições de Nossa Senhora das Lágrimas à irmã Amália Aguirre  de Jesus Flagelado, e foi quem aprovou eclesiasticamente as mensagens e orações revelados à religiosa.

Dom Barreto morreu em 22 de agosto de 1941, em Campinas. Em 1944, as irmãs de Jesus Cristo Crucificado, ao chegarem a Teresina, Piauí, prestaram homenagem ao bispo, fundando o Patronato Dom Barreto, que alguns anos depois, tornou-se o Instituto Dom Barreto.

 


 
 

A estátua de Dom Barreto fica na Praça Dom Barreto, na Avenida da Saudade, Bairro Ponte Preta, Campinas.

 

 

Fonte:





 

domingo, 25 de maio de 2014

RETRATOS DE CAMPINAS: Maio de 2014





AVENIDA THOMAS ALVES
 
 
Rua Culto à Ciência

  
 

Rua Culto à Ciência


Rua Marechal Deodoro





ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 18 de maio de 2014

MEU CAMINHO - Crônicas de Campinas




 Durante algum tempo, naquela adolescência sonhadora e obstinada, com a firmeza de um coração de estudante, eu segui meu caminho. Eu descia do ônibus coletivo sempre por volta de meio-dia e meia no Terminal Mercado, e atravessava a Avenida Benjamin Constant sob o sol campineiro.







Passava defronte ao Mercadão. Aspirava o aroma característico dos peixes frescos e observava os pombos descansarem sobre o velho telhado. Adentrava cauteloso o túnel que dava acesso à curiosa praça “Ópera a Noite no Castelo”, sentindo o cheiro forte de urina e de olho nos mendigos que me estendiam as mãos. Após sair do túnel e cruzar a Rua Marechal Deodoro, estava defronte àquele boteco, onde certa vez comi uma coxinha.







Seguia pela Rua Falcão Filho, atento às janelas vivas dos prédios residenciais. Quando chegava à Rua Hércules Florence e atravessava-a, sempre me via diante daquele prédio em construção, que até hoje não foi inaugurado.






Caminhava tranquilamente pela calçada, passando em frente ao ginásio Alberto Krum e ao busto do professor Aníbal Freitas, até chegar à Rua Culto à Ciência e ao histórico colégio, onde cursava o Ensino Médio.







Nunca esquecerei o meu caminho e os sonhos que plantei em cada passo.







 


Crônicas de Campinas

Alexandre Campanhola

domingo, 11 de maio de 2014

GRANDES HOMENS DE CAMPINAS: Miguel Vicente Cury



 
 
Miguel Vicente Cury nasceu em Campinas, no dia 1 de janeiro de 1898. Passou seus primeiros anos em Martim Francisco, nos arredores de Mogi Mirim. Sua família mudou-se depois para Araras, onde ele iniciou seus estudos primários. Estudou Humanidades por cinco anos na Europa, retornando em seguida a Araras e tornando-se comerciário. Após formar-se em Contabilidade, mudou-se para Mogi Mirim, onde criou em 1919, juntamente com seu pai, uma oficina de reforma de chapéus. Em 1920, regressou à sua cidade natal, Campinas, fundando a Chapéus Cury.

Ocupou por duas vezes o posto de prefeito de Campinas, de 1948 a 1951, e de 1960 a 1963. Em maio de 1951, último ano de seu mandato, renunciou à prefeitura para candidatar-se a vereador de Campinas, sendo eleito pela legislatura de 1952 a 1955.

Quando assumiu a prefeitura campineira em 1948, encontrou um estado crítico das finanças municipais, tendo chegado a realizar operações financeiras com endosso pessoal para manter ativos os serviços públicos.





 
 
 
Criou um novo código tributário que propiciou um aumento da arrecadação, para que o saneamento das finanças fosse possível.

Implementou melhorias importantes na infraestrutura da cidade, com a ampliação da rede de esgoto, a pavimentação de diversas vias e a implantação de conjuntos habitacionais para a baixa renda.

Também em seu primeiro mandato, promoveu significativas transformações urbanísticas em Campinas, como o prolongamento da Avenida Andrade Neves até o Jardim Chapadão, o alargamento das vias centrais e a construção do viaduto sobre os trilhos da FEPASA, posteriormente denominado de Viaduto Vicente Cury.






Deu suporta ao governo estadual para o início da construção do aeroporto de Viracopos.

Em seu segundo mandato, efetuou nova ampliação da estrutura de tratamento de água, duplicando sua capacidade, e introduziu a fluoretação da água distribuída em Campinas.

Instalou parques esportivos, notadamente o conjunto esportivo do Parque Portugal, e colaborou com o governo estadual na ampliação da rede de ensino fundamental da cidade.

Miguel Vicente Cury morreu em Campinas, no dia 24 de maio de 1973, aos 75 anos de idade.

 



Fontes:


 

domingo, 4 de maio de 2014

RUA DOUTOR EMÍLIO RIBAS, EM CAMPINAS

 
 
QUEM FOI O DOUTOR EMÍLIO RIBAS?




Emílio Marcondes Ribas nasceu em Pindamonhangaba, em 11 de abril de 1862. Era filho de Cândido Marcondes Ribas e Andradina Marcondes Machado Ribas.


 Fez os estudos primários e secundários em sua cidade natal. Mudou-se depois para o Rio de Janeiro, onde cursou a Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil. Formou-se com mérito em 1887, com a tese Morte aparente para recém-nascidos.


Começou sua vida profissional como clínico geral. Casou-se com Maria Carolina Bulcão Ribas e foi morar no interior de São Paulo, primeiro em Santa Rita do Passa Quatro e depois em Tatuí.


Em 1895, foi nomeado inspetor sanitário e começou a trabalhar em São Paulo.


Foi um dos bravos e incompreendidos sanitaristas brasileiros do fim do século XIX e do início do século XX, juntamente com Oswaldo Cruz, Adolfo Lutz, Vital Brasil e Carlos Chagas, que lutaram para livrar a cidade e os campos das epidemias e endemias que assolavam o país.


Guiado pela intuição, Emílio Ribas combateu a febre amarela, exterminando com êxito o mosquito transmissor da doença nas cidades paulistas de São Caetano, Pirassununga, Pilar, Jaú e Campinas. Devido a esta atuação, ele foi nomeado para o cargo de diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo, em 1898. Sua gestão durou quase duas décadas.


Em 1904, reduziu a febre amarela a apenas dois casos no Estado de São Paulo.


Nos anos de 1908 e 1909, fez várias viagens de estudos e conferências pela Europa e pelos EUA. Anteriormente, foi para Cuba acompanhar estudos dos médicos Walter Reed e Carlos Finley. Quando voltou ao Brasil, defendeu a tese da doença pelo mosquito e não pelo contágio direto. A partir daí os doentes deixaram de ser mantidos em isolamento.




Sofreu forte oposição dos que acreditavam que a doença era transmitida por contágio entre pessoas e para provar que esta tese era errada, deixou-se picar pelo inseto contaminado, junto com os colegas Adolfo Lutz e Oscar Moreira. O doutor Oswaldo Cruz empreendeu a eliminação dos focos de mosquito no Rio de Janeiro, a partir da contaminação de Emílio Ribas, fato que desencadeou a historicamente conhecida Revolta da Vacina.


Emílio Ribas fundou o Instituto Soroterápico do Butantã, construído em uma fazenda nos arredores de São Paulo, e colaborou para a fundação do Sanatório de Campos do Jordão para tratamento de tuberculose, além de ter idealizado e construído a Estrada de Ferro de Campos do Jordão.


Trabalhou em São Simão, em 1902, para deter a terceira epidemia de febre amarela. Saiu da cidade somente quando conseguiu com uma equipe de médicos e voluntários acabar com a grave epidemia, mandando limpar o rio que corta a cidade, e tomando medidas para melhorar o saneamento básico.


Em seus últimos anos criou um asilo especializado para hansenianos, próximo a São Paulo, que visitava três vezes por semana. Em 1922, fez sua última conferência no centro acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


Em Campinas, Emílio Ribas foi chefe da comissão sanitária em 1896, permanecendo até 15 de abril de 1898, data em que foi nomeado diretor-geral de serviço sanitário.


Ele já tinha enfrentado a febre amarela na região campineira no final do século XIX, contando com o apoio do cientista Adolfo Lutz, então diretor do Instituto Bacteriológico.


Emílio Ribas morreu em São Paulo, em 19 de fevereiro de 1925, aos 63 anos de idade. Em sua homenagem, o principal centro de pesquisa infecto-contagiosas e um hospital a ele ligado, o Instituto de Infectologia foram batizados com seu nome. Também dá nome a ruas na cidade de São Paulo, Poá, Caraguatatuba e Campinas, à estação de Estrada de Ferro de Campos do Jordão, ao Centro de Saúde de Pindamonhangaba, cujo solo guarda os restos mortais do ilustre conterrâneo.

           



A Rua Doutor Emílio Ribas esta presente no bairro Cambuí, em Campinas. Ela tem seu início na Rua Capitão. Francisco de Paula e estende-se até a Avenida José de Sousa Campos. Nela estão presentes diversos condomínios residenciais e empreendimentos comerciais.













 








Fontes: