domingo, 16 de agosto de 2015

RUA HÉRCULES FLORENCE



QUEM FOI HÉRCULES FLORENCE?






Antoine Hercule Romuald Florence nasceu em Nice, na França, em 1804. Foi desenhista, pintor, fotógrafo, tipógrafo, litógrafo, professor e inventor.

Já era um talentoso desenhista e pintor quando, aos 16 anos, começou a se empregar em navios e mercantes, conhecendo diversos países da Europa.

Em 1824, Hércules Florence chegou ao Rio de janeiro, no Brasil. Ele trabalhou no comércio e em uma empresa tipográfica, antes de ingressar na Expedição Langsdorff como desenhista, entre 1825 e 1829. Esta expedição foi organizada pelo naturalista alemão Georg Heinrich Von Langsdorff, em nome da Academia Imperial de Ciências da Rússia. O objetivo da expedição foi chegar ao coração da Amazônia e possibilitou o maior levantamento de dados geográficos e etnográficos do século XIX.










 
Em 1833, Hércules Florence residia na Vila de São Carlos, atual Campinas, quando inventou um processo fotográfico batizado de photografie, ou fotografia, com ajuda do farmacêutico Joaquim Correa de Mello.
 
Foi responsável por diversas invenções como a poligrafia, um sistema de impressão simultânea de todas as cores primárias.


Em 1842, ele lançou “O Paulista”, o primeiro jornal do interior da província de São Paulo e, em 1858, imprimiu em sua litografia “O Aurora Campineiro”, o primeiro jornal de Campinas.
 








Por causa de seu grande talento, o imperador Dom Pedro I visitou Campinas, em 1876.
Hercules Florence foi casado com a educadora Carolina Florence.

Foi autor de vários livros, entre os quais se destaca Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas, publicado em 1875.·.

Hércules Florence morreu em Campinas, em 1879.

 


A Rua Hércules Florence situa-se no bairro Botafogo. Ela tem seu início na Rua Saldanha Marinho e seu término é na Rua Dr. Delfino Cintra.
 
 


 
 
 
Estão presentes nesta rua a Praça Anibal Freitas e o ginásio Alberto Krum do tradicional colégio Culto à Ciência. Também se encontra nesta rua alguns edifícios residenciais.

 





 

Fonte:



domingo, 2 de agosto de 2015

RETRATOS DE CAMPINAS: Julho de 2015



RUA GENERAL MARCONDES SALGADO




RUA ONZE DE AGOSTO




RUA CULTO À CIÊNCIA





RUA FRANCISCO TEODORO




ALEXANDRE CAMPANHOLA



domingo, 26 de julho de 2015

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A casa onde nasceu Carlos Gomes





Antônio Carlos Gomes foi o mais importante compositor brasileiro de ópera. Ele nasceu no dia 11 de julho de 1836, em Campinas. Carlos Gomes é conhecido nacional e internacionalmente por suas obras musicais, e em nosso país foi homenageado em muitas cidades com monumentos, bustos, estátuas e nomes de localidades. Sua obra mais conhecida é O Guarani.

Mesmo perdendo a mãe muito cedo, a qual foi assassinada, ele não deixou para trás seus objetivos e superou todas as dificuldades para se tornar um grande maestro, o primeiro compositor brasileiro a ter suas obras apresentadas em uma das mais famosas casas de ópera do mundo, o Teatro La Scala.

 

 

Carlos Gomes nasceu na Rua da Matriz Nova número 50, que hoje é denominada Rua Regente Feijó, no atual número 1251.

 
 
 
 
 
 
 

Atualmente, defronte ao imóvel onde nasceu nosso grande compositor campineiro existe uma placa identificando ser lá o local de nascimento de Carlos Gomes, além de uma pintura que retrata a figura deste grande campineiro.























ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

domingo, 19 de julho de 2015

EM CAMPINAS, SUA VIDA


 




Quando ele veio da cidade de São Paulo para Campinas, não sabia que teria uma vida agitada. Nasceu em uma editora paulistana conceituada, em uma maternidade que lhe deu prestígio. Logo foi desejado por uma livraria no interior de São Paulo, na famosa Campinas, e a partir de então, o endereço de seu novo lar seria na Rua Sacramento. Uma estudante de Letras, que estudava na PUC da Rua Marechal Deodoro, avistou-o um dia e folheando suas interessantes páginas, resolveu levá-lo. Passou a residir em um apartamento situado na Rua Saturnino de Brito. Por bons e saudosos tempos foi o companheiro daquela estudante, aquele que estava com ela toda noite. Que silenciosamente ensinava-lhe muito. Mas, um dia ela viu-se diante de algo inútil em sua vida, já que não podia obter dele nada de novo. Novamente ele residiria em um novo endereço. Ela vendeu-o para um sebo na Rua Barreto Leme. Recebeu uma mixaria em troca, mas pelo menos estava livre daquele velho amigo. A estante onde ele vivia era apertada. Nada parecido com a confortável gaveta rosa de outrora. Sentia-se nestas prisões superlotadas e nascido em uma família nobre, agora era mais um à espera de atenção. O tempo foi passando, suas páginas amarelando, impregnou-se de um cheiro desagradável. Era um velho abandonado, sem perspectivas, esquecido. Certo dia, alguém o percebeu e resolveu levá-lo; era a esperança de novos dias. Mas, ficou pouco tempo na periferia onde seu dono morava. Foi trocado por outro livro, em outro sebo, na Rua César Bierrenbach. Pelo menos, agora seu novo lar era vizinho de uma escola de música, dava para ouvir alguns belos sons. Além do mais, a dona da loja era uma amável senhora que gostava muito de livros. Então, outro leitor desprendido levou-o, mas desta vez, abandonou-e em um terminal de ônibus, em um espaço onde ficavam publicações doadas para que leitores pudessem saborear a gratuita leitura. Sem um lar fixo, ao ar livre naquela Campinas, o destino parecia conduzi-lo para uma destas cooperativas de reciclagem de lixo, pois leitor algum o devolveria àquele lugar. Foi o que aconteceu, quer dizer em parte. Um solitário senhor, também esquecido pelas glórias do passado, um professor aposentado que residia na Rua José de Alencar, decidiu levar aquele livro para sua casa humilde, cheia de conforto. E reservou um lugarzinho em sua estante para aquele novo amigo, junto aos seus velhos amigos de anos de trabalho, de anos de carinho.


CRÔNICAS DE CAMPINAS
ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 12 de julho de 2015

REPORTANDO: Campinas é bombardeada pelas tropas de Getúlio Vargas


A cidade de Campinas foi surpreendida ontem com ataques aéreos das tropas federalistas de Getúlio Vargas

Morre o escoteiro Aldo Chioratto, de 10 anos de idade.  




A cidade de Campinas foi surpreendida com um bombardeio realizado pelas tropas federalistas de Getúlio Vargas, ontem, dia 18 de setembro de 1932. A primeira bomba caiu no teto da Estação Ferroviária, furando o telhado e explodindo em uma das vigas de sustentação, causando apenas problemas materiais. A segunda bomba caiu em frente à Estação, entre o ponto de automóveis, o posto de telégrafo e a sessão de despacho. O garoto Aldo Chioratto, de 10 anos de idade, escoteiro, foi atingindo por 13 estilhaços da bomba no Hall da Estação, após entregar uma correspondência para o comando revolucionário de Campinas. Aldo foi encontrado morto, caído no chão, sangrando e com ferimentos na região estomacal. O corpo do garoto foi levado ao “Marcadinho da Estação”. Ele era filho de Ada Chioratto e João Chioratto, dono de uma tinturaria. A família residia na Rua Doutor Campos Salles, 450. Eles embarcariam em um trem na Estação Ferroviária com destino a cidade de Sumaré, onde visitariam um tio do garoto.


Algumas pessoas que passaram nas proximidades do local onde ocorreram os bombardeios ficaram feridas. Algumas foram identificadas e levadas para hospitais da cidade. Vejam quem foram os identificados: o imigrante italiano Vicente Nome; João Venturini, José e Oliveira e José Said, que estão internados no Hospital do Circolo Italiani Uniti; Alfredo de Freitas, internado no Hospital da Beneficência Portuguesa; Attilio Alves de Britto, Attilio Neves Júnior, o garoto João Polli, internados no Hospital da Santa Casa; João Gomes e Isolino Monteiro, funcionário da Mogiana, que foram medicados e não apresentam gravidade. Outra bomba atingiu as proximidades da Companhia Mac Hardy e derrubou um pilar do edifício. Já na Rua Visconde do Rio Branco, 164, uma bomba atingiu a residência de Athayde dos Santos, morador de um prédio naquele endereço. Ele ficou levemente ferido. Durante a tarde, o avião da ditadura retornou a Campinas acompanhado de outro “vermelhinho”. Mais bombas foram lançadas, dessa vez na Vila Industrial. Duas atingiram um prédio na Rua Salles de Oliveira, 1200, na residência da viúva Maria Ferreira. Uma bomba atingiu o jardim da frente e não provocou problemas. A segunda caiu na varanda e atingiu Maria Ferreira e suas filhas Delmira, Albertina, Amelia e Anezia, além de uma de suas netas, Maria de Lourdes, filha de Belmiro Reis e Maria Reis. Donato Mamone foi ferido gravemente por um estilhaço nas proximidades da Estação da Companhia Paulista.

 

 

 

Fontes:

http://vejasp.abril.com.br/materia/oitenta-anos-revolucao-1932/




 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 5 de julho de 2015

GRANDES MULHERES DE CAMPINAS: Maria José Morais Pupo Nogueira





Maria José Morais Pupo Nogueira foi filha de fazendeiro de café e durante seus 102 anos de vida, vivenciou as transformações ocorridas no território campineiro.

Ela trabalhou como professora primária e ainda jovem começou a escrever livros premiados em todos os cantos do país.

Casou-se com Stênio Pupo Nogueira, também acadêmico, com quem teve três filhos: Spencer, Clirian e Maria.

Maria José foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Campinense de Letras (ACL), obtendo este reconhecimento no dia 02 de junho de 1969. Também foi a primeira campineira premiada pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Júlia Lopes de Almeida.

Foi diretora do Departamento de Cultura da Prefeitura de Campinas e do Teatro Municipal.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Seu primeiro livro foi “Natal solitário”, escrito na década de 50 e premiado pela Academia Brasileira de Letras. Em seguida escreveu “Céu escuro”, premiado pela Academia Paulista de Letras e pela Secretaria de Cultura do Estado da Guanabara. Também escreveu o livro intitulado “Ana” e “O órfão e a mulata”.







Ela conviveu com personagens ilustres de Campinas, como José de Castro Mendes, de quem seu marido era neto, e com os cunhados, Paulo Mendes Pupo Nogueira, o Paulinho Nogueira, compositor reconhecido internacionalmente por seu talento e o jornalista Bráulio Mendes Nogueira.

 



 
Maria José Morais Pupo Nogueira morreu aos 102 anos de idade em Campinas, no dia 19 de junho de 2015. Ela ocupava  a cadeira número 33 na Academia Campinense de Letras.

 

 

Fontes:


domingo, 28 de junho de 2015

RETRATOS DE CAMPINAS: Junho de 2015




AVENIDA ANDRADE NEVES




RUA CULTO À CIÊNCIA




RUA SILVEIRA LOPES






RUA TREZE DE MAIO








ALEXANDRE CAMPANHOLA

terça-feira, 23 de junho de 2015

RUA DOUTOR SALLES OLIVEIRA


 
 
QUEM FOI O DOUTOR SALLES OLIVEIRA ?




O doutor Francisco de Salles Oliveira Júnior nasceu no dia 23 de abril de 1852, na cidade de Jacareí. Era filho do Senhor Francisco de Salles Oliveira e da Dona Francisca Lucinda Leitão Salles. Formou-se em engenharia na Universidade de Gand, na Bélgica em 1877.

 
 
 
 
 

Dirigiu trabalhos nas estradas de ferro Leopoldina, Minas and Rio, e ocupou o lugar de secretário das obras públicas na então Província de São Paulo. Foi árbitro avaliador na encampação da Companhia Cantareira de São Paulo. Encarregado pelo Banco União de São Paulo, foi à Europa realizar compras de maquinismo para a exploração de jazidas de mármores de propriedade daquele banco.

Campinas deve ao engenheiro Salles Oliveira a construção dos serviços de águas e esgotos.

 
Em 1896, diante da solicitação de vários amigos, ele aceitou o lugar de diretor da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, presidindo sua diretoria. Deixou pouco depois a cadeira que ocupava no senado estadual, onde seu talento e patriotismo se evidenciaram a toda luz.








No honroso e difícil encargo de presidente da Companhia Mogiana, foi o mais correto possível diante da alta responsabilidade que lhe pesava, desenvolvendo a maior soma de atividade, energia e tino administrativo, de modo a promover grande prosperidade a grande empresa.

 
A Companhia Mogiana, por sua diretoria, como homenagem à memória de seu pranteado presidente, após sua morte, resolveu lançar um voto de pesar em seu livro de atas, colocar o retrato à óleo na sua sala de honra e dar o nome Salles Oliveira à estação próxima à cidade de Nuporanga. Mais tarde, a cidade onde estava presente esta estação passaria a se chamar Sales Oliveira.








O doutor Francisco de Salles Oliveira Júnior foi pai de Armando de Salles Oliveira, que foi governador do Estado de São Paulo e sócio do jornal O Estado de São Paulo.

Salles Oliveira foi um brasileiro notável pelo caráter, pela inteligência e por seus conhecimentos científicos.

 
Francisco Salles de Oliveira Júnior faleceu no dia 23 de setembro de 1899.

 
 

 
 
 
A Rua Doutor Salles Oliveira situa-se na Vila Industrial. Seu início é na Avenida Barão de Monte Alegre e seu término é na Rua Francisco Teodoro. A primeira denominação da rua foi Estrada da Boiada por causa das boiadas que recebia. Nelas situou-se por muito tempo o Matadouro Municipal.
 
 
 

 
 
 
A Rua Doutor Salles Oliveira também sediou a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, os cinemas Cine Casa Blanca e o Cine Rex. Nos anos 40, a rua era palco do Carnaval de Campinas. Nesta rua está situado o Teatro Municipal Castro Mendes.

 

 


Fontes:

 



 

Um agradecimento especial a Wagner Paulo dos Santos que forneceu grande parte do material de pesquisa para a elaboração desta biografia.

 

domingo, 14 de junho de 2015

O BUSTO DO DOUTOR FRANCISCO BETIM PAES LEME



 
 
Francisco Betim Paes Leme nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 1859. Formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1882, e no ano seguinte tornou-se médico da Comissão Sanitária da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que estava sendo construída na Amazônia. Foi agraciado pelo imperador Dom Pedro II com a Comenda da Ordem da Rosa por seu empenho.

 
 
 
 


 
 
 
Foi médico de higiene e subdiretor do Jardim Botânico, mas renunciou ao cargo com o advento da República. Depois de se casar com Maria Betina Paes Leme, trabalhou no consultório da Estrada de Ferro Sapucahy, de 1893 a 1904, e neste ano mudou-se para Campinas, para exercer a função na Companhia Paulista.  De 1910 a 1921, prestou serviços na Estrada de Ferro Noroeste, no Mato Grosso.

Destacou-se , em 1918, no cuidado aos ferroviários enfermos na epidemia de gripe.

Francisco Betim Paes Leme era muito querido pelos ferroviários que, em seu enterro, fizeram questão de carregar o caixão do médico, lembrado durante muito tempo por sua bondade.

Ajudou na fundação da Maternidade de Campinas, e presidiu a entidade de 1921 a 1924. Após deixar o cargo, fundou e foi o primeiro presidente da respeitada Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas.

 
Também trabalhou no Hospital Beneficência Portuguesa.




No ano 2000, é concedido a médicos de destaque pelo compromisso ético e profissional com a Medicina, o Prêmio Paes Leme, que leva o nome do primeiro diretor-presidente  da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas






 
 
 
 
Foi homenageado nomeando uma rua na Vila Marieta e com um busto defronte à Maternidade de Campinas.

O doutor Francisco Betim Paes Leme morreu em fevereiro de 1930, em Campinas.

 
 





Fontes:


 
 
 

 

domingo, 7 de junho de 2015

A MELHOR COXINHA - Crônica







Apenas comentei sobre a satisfação que senti certa manhã de sábado, quando comi uma coxinha em uma barraca presente na Avenida Orosimbo Maia, defronte à Rua Delfino Cintra, e uma amiga de trabalho que está grávida, curiosa para saber que sabor tanto me agradou, também foi lá satisfazer seu desejo, no mesmo local, e depois me contou. Disse que para ela o salgado era igual aos outros, nada de surpreendente, não tinha o sabor tão melhor que os outros a ponto de fazê-la também dedicar seus elogios. Pode ser que se tratava de uma coxinha similar a qualquer uma aquela que minha amiga foi experimentar, mas para mim era a melhor coxinha do mundo, a mais saborosa. Naquele dia, quando sai da Avenida Francisco Glicério, desci a Rua Delfino Cintra e ao atravessar a Avenida Orosimbo Maia parei naquela barraca e pedi uma coxinha. Sentado no banco de fregueses, saboreei o salgado admirando o lindo céu azul de Campinas, a luz doirada do sol poisando sobre os edifícios. Observava o movimento dos carros na Avenida e a longe a querida Maternidade onde nasci, onde um dia minha luz brilhou pela primeira vez no território campineiro. Comendo aquela coxinha, não me cansava de admirar nossos ilustres moradores campineiros seguindo suas direções naquela manhã, seguindo seus destinos na cidade tão carinhosa com seus filhos naturais e adotivos. E era um sabor maravilhoso em minha boca, em meus sentidos, quando saciava minha necessidade de parar por um instante nesta vida acelerada para observar as belezas do Botafogo, do centro campineiro, da paisagem encantadora esculpida pela modernidade ou exibida pelos históricos vestígios de uma glória eterna. Confesso que nunca comi uma coxinha tão saborosa naquela manhã de sábado e continuo a recomendar, desde que a satisfação de comê-la seja acompanhada pela satisfação de viver em Campinas.




ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

domingo, 31 de maio de 2015

RETRATOS DE CAMPINAS: Maio de 2015







PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO





RUA LUZITÂNA




RUA SACRAMENTO





COLÉGIO CULTO À CIÊNCIA






ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 24 de maio de 2015

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A fábrica da Lidgerwood




A fábrica da Lidgerwood Manufacturing Company Limited era de origem norte-americana e surgiu em Nova Iorque, no ano de 1801. Chegou ao Brasil no ano de 1862, na cidade do Rio de Janeiro. William Van Vleck Lidgerwood foi o encarregado de negócios no território brasileiro.  Em 1868, ela abriu seu primeiro depósito de instrumentos agrícolas em Campinas. As grandes lavouras de café do oeste paulista estavam em pleno desenvolvimento e eram certas as companhias férreas passarem pela cidade, nos próximos anos. William Lidgerwood recebeu privilégios por dez anos do Imperador Dom Pedro II para fabricar, importar e vender ao império as máquinas de descaroçar e limpar o café. Anteriormente, ele já trazia à Campinas por importação todo tipo de máquina agrícola, principalmente as máquinas de café do sistema Lidgerwood.



 






 
 
O desenvolvimento dos transportes e o crescimento da atividade cafeeira estimularam os administradores da fábrica a comprar o prédio da Avenida Andrade Neves, no qual seria instalada uma fundição de ferro e bronze, um depósito e uma oficina para os produtos que comercializava. A construção da fábrica como se preserva até os dias atuais ocorreu no ano de 1884.

A arquitetura da fábrica seguiu o estilo neo-gótico vitoriano, com tijolos aparentes, usando ferro fundido nas esquadrias das janelas, nas bandeiras das portas, janelas do corpo principal e nas grades do porão.










 

Já na década de 70 do século XIX, a fábrica da Lidgerwood  era uma das maiores de Campinas. Durante a visita do Imperador Dom Pedro II à cidade, em virtude da inauguração da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, mais de 180 operários da fábrica fizeram parte da comitiva que recepcionou o imperador. Naquele ano de 1875, Dom Pedro II visitou a fábrica, sendo recebido pelo chefe João Sheringhton, e pelos operários e aprendizes.



 

 




Na primeira Exposição Regional da cidade de Campinas de máquinas agrícolas, em 1885, o pavilhão Lidgerwood, instalado no Largo do Rosário, foi um dos mais visitados. Foram apresentadas máquinas de beneficiar café, o descaroçador “Lidgerwood”, a máquina paulistana (descaroçador que ganhou medalha de prata na Exposição provincial), o ventilador “singelo moderno”, o catador duplo, o catador prodígio, a máquina para picar fumo, para arrolhar garrafas, beneficiar arroz, dentre outras.

 








 

Em 1889, uma terrível epidemia de febre amarela castigou Campinas e muitas indústrias deixaram a cidade. Devido a falta de mão de obra, a fábrica da Lidgerwood transferiu-se para a capital paulista no ano seguinte, mas manteve aqui uma filial, que funcionou no mesmo endereço até 1922. Durante a epidemia, a casa Lidgerwood providenciou ao povo campineiro água de fora da cidade, fornecendo à sua custa os canos para captação e transporte de água de um pequeno córrego dos lados da atual Estação de Samambaia, da Companhia Paulista.  Em 1891, surge a Sociedade Beneficente Lidgerwood criada no intuito de prestar serviços à população campineira durante os surtos epidêmicos   .

 






William Van Vleck Lidgerwood foi agraciado pelo Governo Imperial com a comenda da Ordem da Rosa, e dado seu nome pela Câmara à rua lateral ao prédio de sua companhia em 7 de outubro de 1889.

 
A mudança do regime político em 1890 que liberou a atividade empresarial, a extinção da concessão especial do Governo Imperial, o aumento da concorrência de pequenas fundições e da forte Companhia Mac-Hardy, a transferência do potencial da fundição para a cidade de São Paulo, foram fatores que contribuíram para o fechamento da Companhia Lidgerwood em Campinas.

 


 

William Lidgerwood morreu em Londres no ano de 1910. Ele deixou a seguinte frase para Campinas:

 


 

 “A minha casa em Campinas, enquanto eu for vivo, dê lucro ou prejuízo, não se fechará. Foi ali que comecei a minha vida de trabalho.

 





 










A fábrica da Lidgerwood encerrou suas atuações em Campinas no ano de 1922 e vendeu o antigo barracão. Passou por dois outros donos, sendo o primeiro a firma Pedro Anderson & Cia. e o segundo comprador a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Com o tempo, o prédio acabou servindo de depósito, caindo em esquecimento e desuso. Apenas voltou a abrir suas portas em 1992, quando foi inaugurado o Museu da cidade.

 
 

Fontes: