domingo, 14 de junho de 2015

O BUSTO DO DOUTOR FRANCISCO BETIM PAES LEME



 
 
Francisco Betim Paes Leme nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 1859. Formou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1882, e no ano seguinte tornou-se médico da Comissão Sanitária da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que estava sendo construída na Amazônia. Foi agraciado pelo imperador Dom Pedro II com a Comenda da Ordem da Rosa por seu empenho.

 
 
 
 


 
 
 
Foi médico de higiene e subdiretor do Jardim Botânico, mas renunciou ao cargo com o advento da República. Depois de se casar com Maria Betina Paes Leme, trabalhou no consultório da Estrada de Ferro Sapucahy, de 1893 a 1904, e neste ano mudou-se para Campinas, para exercer a função na Companhia Paulista.  De 1910 a 1921, prestou serviços na Estrada de Ferro Noroeste, no Mato Grosso.

Destacou-se , em 1918, no cuidado aos ferroviários enfermos na epidemia de gripe.

Francisco Betim Paes Leme era muito querido pelos ferroviários que, em seu enterro, fizeram questão de carregar o caixão do médico, lembrado durante muito tempo por sua bondade.

Ajudou na fundação da Maternidade de Campinas, e presidiu a entidade de 1921 a 1924. Após deixar o cargo, fundou e foi o primeiro presidente da respeitada Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas.

 
Também trabalhou no Hospital Beneficência Portuguesa.




No ano 2000, é concedido a médicos de destaque pelo compromisso ético e profissional com a Medicina, o Prêmio Paes Leme, que leva o nome do primeiro diretor-presidente  da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas






 
 
 
 
Foi homenageado nomeando uma rua na Vila Marieta e com um busto defronte à Maternidade de Campinas.

O doutor Francisco Betim Paes Leme morreu em fevereiro de 1930, em Campinas.

 
 





Fontes:


 
 
 

 

domingo, 7 de junho de 2015

A MELHOR COXINHA - Crônica







Apenas comentei sobre a satisfação que senti certa manhã de sábado, quando comi uma coxinha em uma barraca presente na Avenida Orosimbo Maia, defronte à Rua Delfino Cintra, e uma amiga de trabalho que está grávida, curiosa para saber que sabor tanto me agradou, também foi lá satisfazer seu desejo, no mesmo local, e depois me contou. Disse que para ela o salgado era igual aos outros, nada de surpreendente, não tinha o sabor tão melhor que os outros a ponto de fazê-la também dedicar seus elogios. Pode ser que se tratava de uma coxinha similar a qualquer uma aquela que minha amiga foi experimentar, mas para mim era a melhor coxinha do mundo, a mais saborosa. Naquele dia, quando sai da Avenida Francisco Glicério, desci a Rua Delfino Cintra e ao atravessar a Avenida Orosimbo Maia parei naquela barraca e pedi uma coxinha. Sentado no banco de fregueses, saboreei o salgado admirando o lindo céu azul de Campinas, a luz doirada do sol poisando sobre os edifícios. Observava o movimento dos carros na Avenida e a longe a querida Maternidade onde nasci, onde um dia minha luz brilhou pela primeira vez no território campineiro. Comendo aquela coxinha, não me cansava de admirar nossos ilustres moradores campineiros seguindo suas direções naquela manhã, seguindo seus destinos na cidade tão carinhosa com seus filhos naturais e adotivos. E era um sabor maravilhoso em minha boca, em meus sentidos, quando saciava minha necessidade de parar por um instante nesta vida acelerada para observar as belezas do Botafogo, do centro campineiro, da paisagem encantadora esculpida pela modernidade ou exibida pelos históricos vestígios de uma glória eterna. Confesso que nunca comi uma coxinha tão saborosa naquela manhã de sábado e continuo a recomendar, desde que a satisfação de comê-la seja acompanhada pela satisfação de viver em Campinas.




ALEXANDRE CAMPANHOLA
 

domingo, 31 de maio de 2015

RETRATOS DE CAMPINAS: Maio de 2015







PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO





RUA LUZITÂNA




RUA SACRAMENTO





COLÉGIO CULTO À CIÊNCIA






ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 24 de maio de 2015

CURIOSIDADES DE CAMPINAS: A fábrica da Lidgerwood




A fábrica da Lidgerwood Manufacturing Company Limited era de origem norte-americana e surgiu em Nova Iorque, no ano de 1801. Chegou ao Brasil no ano de 1862, na cidade do Rio de Janeiro. William Van Vleck Lidgerwood foi o encarregado de negócios no território brasileiro.  Em 1868, ela abriu seu primeiro depósito de instrumentos agrícolas em Campinas. As grandes lavouras de café do oeste paulista estavam em pleno desenvolvimento e eram certas as companhias férreas passarem pela cidade, nos próximos anos. William Lidgerwood recebeu privilégios por dez anos do Imperador Dom Pedro II para fabricar, importar e vender ao império as máquinas de descaroçar e limpar o café. Anteriormente, ele já trazia à Campinas por importação todo tipo de máquina agrícola, principalmente as máquinas de café do sistema Lidgerwood.



 






 
 
O desenvolvimento dos transportes e o crescimento da atividade cafeeira estimularam os administradores da fábrica a comprar o prédio da Avenida Andrade Neves, no qual seria instalada uma fundição de ferro e bronze, um depósito e uma oficina para os produtos que comercializava. A construção da fábrica como se preserva até os dias atuais ocorreu no ano de 1884.

A arquitetura da fábrica seguiu o estilo neo-gótico vitoriano, com tijolos aparentes, usando ferro fundido nas esquadrias das janelas, nas bandeiras das portas, janelas do corpo principal e nas grades do porão.










 

Já na década de 70 do século XIX, a fábrica da Lidgerwood  era uma das maiores de Campinas. Durante a visita do Imperador Dom Pedro II à cidade, em virtude da inauguração da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, mais de 180 operários da fábrica fizeram parte da comitiva que recepcionou o imperador. Naquele ano de 1875, Dom Pedro II visitou a fábrica, sendo recebido pelo chefe João Sheringhton, e pelos operários e aprendizes.



 

 




Na primeira Exposição Regional da cidade de Campinas de máquinas agrícolas, em 1885, o pavilhão Lidgerwood, instalado no Largo do Rosário, foi um dos mais visitados. Foram apresentadas máquinas de beneficiar café, o descaroçador “Lidgerwood”, a máquina paulistana (descaroçador que ganhou medalha de prata na Exposição provincial), o ventilador “singelo moderno”, o catador duplo, o catador prodígio, a máquina para picar fumo, para arrolhar garrafas, beneficiar arroz, dentre outras.

 








 

Em 1889, uma terrível epidemia de febre amarela castigou Campinas e muitas indústrias deixaram a cidade. Devido a falta de mão de obra, a fábrica da Lidgerwood transferiu-se para a capital paulista no ano seguinte, mas manteve aqui uma filial, que funcionou no mesmo endereço até 1922. Durante a epidemia, a casa Lidgerwood providenciou ao povo campineiro água de fora da cidade, fornecendo à sua custa os canos para captação e transporte de água de um pequeno córrego dos lados da atual Estação de Samambaia, da Companhia Paulista.  Em 1891, surge a Sociedade Beneficente Lidgerwood criada no intuito de prestar serviços à população campineira durante os surtos epidêmicos   .

 






William Van Vleck Lidgerwood foi agraciado pelo Governo Imperial com a comenda da Ordem da Rosa, e dado seu nome pela Câmara à rua lateral ao prédio de sua companhia em 7 de outubro de 1889.

 
A mudança do regime político em 1890 que liberou a atividade empresarial, a extinção da concessão especial do Governo Imperial, o aumento da concorrência de pequenas fundições e da forte Companhia Mac-Hardy, a transferência do potencial da fundição para a cidade de São Paulo, foram fatores que contribuíram para o fechamento da Companhia Lidgerwood em Campinas.

 


 

William Lidgerwood morreu em Londres no ano de 1910. Ele deixou a seguinte frase para Campinas:

 


 

 “A minha casa em Campinas, enquanto eu for vivo, dê lucro ou prejuízo, não se fechará. Foi ali que comecei a minha vida de trabalho.

 





 










A fábrica da Lidgerwood encerrou suas atuações em Campinas no ano de 1922 e vendeu o antigo barracão. Passou por dois outros donos, sendo o primeiro a firma Pedro Anderson & Cia. e o segundo comprador a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Com o tempo, o prédio acabou servindo de depósito, caindo em esquecimento e desuso. Apenas voltou a abrir suas portas em 1992, quando foi inaugurado o Museu da cidade.

 
 

Fontes:

 


 

 

domingo, 17 de maio de 2015

AVENIDA BARÃO DE ITAPURA

 
 
QUEM FOI O BARÃO DE ITAPURA?
 
 
  
Joaquim Policarpo Aranha nasceu em 1809 em Ponta Grossa, pertencente a província de São Paulo, e transferiu-se para a vila de São Carlos, antigo nome de Campinas, em sua juventude. Casou-se aos 34 anos com sua prima em segundo grau Libânia de Sousa Aranha, filha do coronel Francisco Egídio de Sousa Aranha e de Maria Luzia de Sousa Aranha, Viscondessa de Campinas. Eles tiveram seis filhos.
 
 
 
 
 
 
Foi proprietário da fazenda Chapadão, nos arredores de Campinas, tornando-se um dos grandes plantadores de café. Também foi proprietário de outras fazendas como a Fazenda Sete Quedas e Bom Retiro.
 
 
 
Foi o Barão de Itapura que construiu o magnífico solar "Palácio Itapura", situado na Rua Marechal Deodoro, antiga Rua do Imperador, de estilo clássico, imponente, exemplar arquitetura do café, que em 1941 passou a abrigar a Faculdade de Ciências, Filosofia e Letras, um dos braços das Faculdades Campineiras e embrião da PUC.
 
 
 
Era conhecido pelo seu nobre espírito de filantropia, pela dignidade e profundo amor pela cidade de Campinas. Ele e sua esposa, apesar dos seis filhos, acolhiam órfãos e viúvas desamparadas na própria casa.
Nos anos de 1845 a 1848 foi vereador pelo partido liberal.
Foi membro da guarda nacional com a patente de capitão da entidade. Com relevantes serviços prestados a sociedade campineira, foi condecorado como Comendador da Imperial Ordem da Rosa e foi-lhe concedido o título de Barão de Itapura em 1883, no dia 19 de janeiro, por Dom Pedro II.
Faleceu em Campinas, no dia 06 de Janeiro de 1902 com 93 anos.
 
 
 
 
 
A avenida Barão de Itapura tem seu início no Terminal Multimodal Ramos de Azevedo e término na Avenida Heitor Penteado. Em seu trajeto, a avenida cruza cinco tradicionais bairros campineiros: Vila Industrial, Botafogo, Guanabara, Jardim Nossa Senhora Auxiliadora e Taquaral.







 Em 28 de fevereiro de 1887, ela recebeu este nome e por muito tempo, foi endereço da antiga rodoviária de Campinas, já demolida. Nela também se encontram hoje o Instituto agronômico de Campinas, o Instituto Educacional Imaculada, a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, o Balão do Kennedy, além de diversos estabelecimentos e prédios comerciais.






Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Policarpo_Aranha

http://www.oswaldobuzzo.com.br/Home/ruas-de-campinas-sp/avenida-barao-de-itapura






domingo, 10 de maio de 2015

MINHA HOMENAGEM AO: Dia das Mães



A estátua à Mãe Preta foi inaugurada em 1984 em um esforço do movimento negro e da comunidade religiosa de erigir um símbolo da importância histórica africana. A bela escultura é de autoria do artista plástico paulistano Júlio Guerra (1912-2001), originalmente feita  em 1955 e está localizada no Largo do Paissandu em São Paulo, onde existe a Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Por ser um monumento em homenagem à contribuição africana, às mães e as minorias, foi encomendada  na década de 70 pelas lideranças do movimento negro, a comunidade religiosa e a Prefeitura Municipal de Campinas, para o conjunto São Benedito. Feita em bronze fundido e patinado, retrata uma mulher negra a nutrir uma criança.





MINHA MÃE
 
(Casimiro José Marques de Abreu - Casimiro de Abreu)
 
 
Da pátria formosa distante e saudoso,
Chorando e gemendo meus cantos de dor,
Eu guardo no peito a imagem querida
Do mais verdadeiro, do mais santo amor:
— Minha Mãe! —
 
 
 
 
 
 
 
Nas horas caladas das noites d’estio
Sentado sozinho co’a face na mão,
Eu choro e soluço por quem me chamava
— “Oh filho querido do meu coração!” —
— Minha Mãe!
 
 
 
 
 
 
No berço, pendente dos ramos floridos,
Em que eu pequenino feliz dormitava:
Quem é que esse berço com todo o cuidado
Cantando cantigas alegre embalava?
— Minha Mãe! —
 
 
 
 
 
 
De noite, alta noite, quando eu já dormia
Sonhando esses sonhos dos anjos dos céus,
Quem é que meus lábios dormentes roçava,
Qual anjo da guarda, qual sopro de Deus?
— Minha Mãe! —
 
 
 
 
 
 
Feliz o bom filho que pode contente
Na casa paterna de noite e de dia
Sentir as carícias do anjo de amores,
Da estrela brilhante que a vida nos guia!
— Minha Mãe!—
 
 
 
 
 
 
Por isso eu agora na terra do exílio,
Sentando sozinho co’a face na mão,
Suspiro e soluço por quem me chamava:
— “Oh filho querido do meu coração!” —
— Minha Mãe! —
 
 
 
 
 
  A estátua à Mãe Preta está localizada na Praça Annita Garibaldi, no conjunto do Largo São Benedito, em Campinas.
 
 
 
 
ALEXANDRE CAMPANHOLA
 
 

 


domingo, 3 de maio de 2015

RETRATOS DE CAMPINAS: Abril de 2015

 
 

LARGO DE SÃO BENEDITO




RUA JORGE MIRANDA
 
 
 
 
AVENIDA FRANCISCO GLICÉRIO




AVENIDA FRANCISCO GLICÉRIO






ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 26 de abril de 2015

GRANDES HOMENS DE CAMPINAS: Álvaro Ribeiro








Álvaro Ribeiro nasceu em Campinas, no dia 17 de fevereiro de 1876. Era filho de Antônio Joaquim Ribeiro e Maria Augusta, casado com Hermínia de Godoy Ribeiro, pai de duas filhas e um filho. Foi jornalista, educador e político em Campinas.

Por sete legislaturas consecutivas foi vereador de Campinas e líder da oposição ao governo do presidente Arthur Bernardes. Durante a revolta de 1924, Álvaro Ribeiro aceitou assumir a prefeitura de Campinas, por sugestão do coronel Mesquita, autoridade militar de Jundiaí. Na época, correu-se a notícia que o prefeito de Campinas Miguel Penteado havia deixado a cidade em virtude da revolta, que tinha grande fôlego no território campineiro.

Álvaro Ribeiro tomou diversas medidas para ajudar a população carente de Campinas, sobretudo na área da saúde.  Com a volta do prefeito Miguel Penteado e a contenção da revolta, a Justiça Federal processou Álvaro Ribeiro que foi deposto do cargo assumido. Para não ser preso, o jornalista partiu para exílio em Portugal.

Álvaro Ribeiro escreveu o livro “Falsa Democracia”, denunciando o clientelismo político no Brasil, nos três anos que passou exilado em Portugal.

Em julho de 1927, Álvaro Ribeiro voltou ao Brasil reeleito vereador de Campinas por aclamação popular, ainda quando estava no exílio, numa situação inédita no país. Reassumiu o comando do Colégio Ateneu Paulista e acelerou as obras do “Hospital para Crianças Pobres”, que por muito tempo levou seu nome.

Álvaro Ribeiro fundou o jornal “Diário do Povo”, em 1912, e o jornal “Correio Popular”, em 1927.

Dirigiu os colégios Cesário Motta e o Ateneu Paulista.  Também auxiliou na fundação dos jornais “Cidade de Campinas” e “Commércio de Campinas”.

O jornal “Correio Popular” foi lançado à publicidade por Álvaro Ribeiro em 4 de setembro de 1927.

Fez do jornal “Diário do Povo” o jornal de maior circulação dos editados no interior do Estado de São Paulo. Usou sua influência na imprensa para verberar os excessos de autoridades e abusos administrativos, para defender as causas que lhe pareciam justas, estimular as iniciativas úteis e a caridade, proteger os fracos, socorrer os infelizes e enfermos, etc. Em maio de 1924, deixou o jornal por profunda incompatibilidade com o sócio.

Foi notável a contribuição de Álvaro Ribeiro à imprensa campineira, assim como à política, à educação e à saúde da cidade. Ele foi considerado “O defensor do povo campineiro”.

Foi homenageado com um hospital que tinha o seu nome, na Rua São Carlos, Vila industrial. Também teve com homenagem um busto que esteve presente durante muito tempo no Largo do Pará. Outra homenagem é uma rua no bairro Ponte Preta que tem o seu nome.

Álvaro Ribeiro morreu no dia 13 de agosto de 1929, em Campinas.

domingo, 5 de abril de 2015

O SENHOR ALVINO - Crônica de Campinas




Outro dia, quando voltava do salão do senhor Jair, onde corto meu cabelo, fiquei pensando em toda sua simpatia e boa conversa, pois como todo cabeleireiro, ele também é cheio de assunto e sempre tem algo interessante para falar. Assim como aquele senhorzinho que cortava meu cabelo na infância, quando levado pelo meu avô ao seu salão, que ficava dentro de sua casa, eu ouvia atentamente as diversas histórias que ele contava aos seus clientes, dentre eles meu avô, enquanto trabalhava. Minha família já não morava mais no bairro Jardim Eulina, em Campinas, mas meu avô fazia questão de cortar o cabelo no salão do senhor Alvino e levava-me junto. Lembro-me bem que para chegar ao seu salão, atravessávamos a sala de sua casa, onde quase sempre uma criança estava assistindo à televisão. Seu salão era pequeno; era uma extensão da sala. Alguns quadros antigos enfeitavam a parede. A mobília onde ficava o espelho também tinha uma aparência envelhecida, assim como seus instrumentos de trabalho e tudo que se via derredor. Só para ter uma ideia, a maquininha de cortar o cabelo era manual. Às vezes, sentíamos o aromático cheiro de comida que vinha da cozinha da casa, decerto a mulher do senhor Alvino cozinhando. Ele era um idoso baixinho e magro. Tinha uma voz frágil devido à idade avançada e usava óculos. Era muito bom de prosa. Contava incríveis histórias sobre a política brasileira atual e do passado, com grande domínio e conhecimento. Aos meus nove anos de idade, começava a conhecer o cenário político nacional através dos relatos e das opiniões daquele cabeleireiro à moda antiga, habilidoso na tesoura e simples como todo bom homem.



ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 29 de março de 2015

RETRATOS DE CAMPINAS: Março de 2015




PRAÇA IMPRENSA FLUMINENSE - CENTRO DE CONVIVÊNCIA




PRAÇA IMPRENSA FLUMINENSE  - CENTRO DE CONVIVÊNCIA




RUA MARECHAL DEODORO




RUA ONZE DE AGOSTO





ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 15 de março de 2015

O BUSTO DO DOUTOR THOMAZ ALVES





Thomaz Augusto de Mello Alves nasceu no dia 24 de dezembro de 1856, no Rio de Janeiro. Ele cursou e concluiu a Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro e aos 26 anos de idade veio para Campinas, onde se estabeleceu e se casou com a Sra. Etelvina de Moraes Salles, de respeitável e tradicional família campineira. Em 1886, ele foi admitido como médico do hospital Beneficência Portuguesa.

Sempre foi considerado um médico de extrema bondade, caritativo, um amigo dedicado, o que lhe proporcionou no território campineiro um ambiente de franca estima. Aqui ele conquistou as verdadeiras e espontâneas simpatias.

Seu consultório médico era localizado na Rua do Comércio, atual Dr. Quirino. Nesta rua também existia o escritório da redação da antiga Gazeta de Campinas. Suas visitas à imprensa local eram constantes, onde se reunia com intelectuais como Ferreira de Araújo, Arthur Azevedo, Fontoura Xavier, entre outros. Ele era estimado pelo pessoal daquele jornal.

Trabalhando também naquela redação, Thomaz Alves assinava com o pseudônimo de Hopp Frog, e seus escritos sempre foram lidos com o maior interesse e aplaudidos.

Ilustre médico e distinto literário, ele conviveu com personalidades como Campos Sales, Francisco Glicério, Quirino dos Santos, estabelecendo palestras em que se desabrochavam verdes esperanças e rubro entusiasmo pela propaganda da ideia nova, que pretendia trazer o bem geral ao país.


Ao deixar o jornalismo, ele passou a se dedicar exclusivamente à Medicina e construiu uma história linda nesta atividade. Durante a epidemia de febre amarela de 1889, teve o dedo indicador inutilizado devido a uma infecção contraída quando cuidava de um doente. Sua atuação neste período demonstrou claramente sua alma generosa.

Exerceu o mandato de vereador da Câmara Municipal de Campinas no período de 1889 a 1891.

A Maternidade de Campinas foi fruto de seus ingentes e louvados esforços. Ele também contribui de forma elogiável e com bons serviços à Santa Casa da Misericórdia e à Companhia C. de Águas e esgotos. Foi presidente do Centro de Ciências, Letras e Artes, prestando valiosos concursos e exercendo dedicadamente este cargo.

Em 1918, sua atuação constante no tratamento dos enfermos afetados por uma epidemia de gripe, que ceifou inúmeras vidas, foi admirável. Ele visitou diversos prontos-socorros e correu as ruas em prol dos doentes. Sempre agiu para que as condições precárias observadas fossem combatidas.

Numa ocasião, dizem que Thomaz Alves e Barbosa de Barros acudiram urgentemente uma mulher negra que gemia com a dor do parto, no bairro da Ponte Preta. Em um casebre miserável, sem luz elétrica, contando apenas com a luz de um lampião, ambos os médicos trabalharam a noite toda até o amanhecer. A partir daí, os dois passaram a defender a proposta da construção de uma maternidade pública decente.


Thomaz Alves morreu no dia 23 de abril de 1920. Em 20 de dezembro do mesmo ano, a prefeitura campineira homenageou-o dando seu nome a uma rua na cidade de Campinas.




 
 
O busto de Thomaz Alves está presente na área externa e frontal da Maternidade de Campinas situada na Avenida Orosimbo Maia.




Fonte:

https://campinasnostalgica.wordpress.com/2014/06/15/thomaz-alves/

 
ALEXANDRE CAMPANHOLA

domingo, 8 de março de 2015

GRANDES MULHERES DE CAMPINAS: Carolina Krug Florence






Caroline Mary Catherine Krug nasceu em Kassel, ao sul Alemanha, em 21 de março de 1828. Era filha de João Henrique Krug e Elizabeth Krug, e irmã de Jorge Krug. Em 1854, casou-se com Hércules Florence. O casal teve sete filhos.

Ela iniciou seus estudos aos seis anos em uma escola dirigida por três irmãs. Até os quatorze anos, frequentou também a Escola Ruppel e fez a primeira comunhão com essa idade.  Realizou seus estudos também na Suíça, sendo aluna de um professor que foi discípulo de Pestalozzi. Filha de pais de classe média, valorizava os estudos e tinha por Ideal ser professora.

 

 
 
 
 
 
Carolina Florence e sua família emigraram para o Brasil em 1852. Antes da emigração, ela realizou seus estudos e exerceu o magistério em uma escola de moças em seu país. No Brasil, trouxe consigo, além dos estudos, a experiência de magistério em escola de moças e o ideal de criar uma escola similar no país.

Inicialmente, ela recebeu o apoio do irmão, o farmacêutico Jorge Krug, que já havia criado em Campinas a Escola Alemã e ajudado na fundação do Colégio Culto à Ciência, destinada aos filhos de imigrantes, e que já estava em funcionamento. Utilizando algumas dependências da escola do irmão, Carolina Florence deu início às funções do Colégio Florence em 3 de novembro 1863.

 
 

Em 1865, o Colégio Florence foi inaugurado no prédio desenhado por Hércules Florence, em local que hoje seria a Rua José Paulino, na época Rua das Flores, entre as Ruas Bernardino de Campos e Benjamim Constant.

 

O Colégio Florence foi um projeto educacional baseado em teorias de Pestalozzi. Idealizado para ser uma escola para moças da cidade ou das fazendas da região, oferecia uma educação refinada, uma saber para a vida com perspectivas culturais e profissionais. O ideal que trazia de sua formação europeia, Carolina organizou e transmitiu às moças que procuravam seu colégio em busca de novos conhecimentos.

 O colégio foi visitado pelo imperador Dom Pedro II em sua visita à Campinas em 1875 e 1886. Ele foi recebido com grandes eventos culturais e com a participação da população.

 

 
 



Durante a epidemia de febre amarela de 1889, em Campinas, Carolina Florence fechou as portas de seu colégio, e mandou as alunas de volta às famílias, evitando que crescesse o risco da doença que dizimou cerca de dois terços da população em um ano.

O Colégio Florence foi transferido para Jundiaí em virtude da demora na normalização de Campinas em relação à epidemia. Em suas novas instalações, o colégio funcionou nos moldes do idealizado até 1928, quando foi transformado em Escola Normal Livre. Carolina somente parou de trabalhar no colégio quando sentiu o peso da idade.






Em 1904, a educadora e viúva de Hércules Florence esteve em Campinas pela última vez, acompanhada dos filhos, prestigiando a sessão solene realizada pelo Centro de Ciências, Letras e Artes, em homenagem ao centenário do nascimento de Hércules Florence.

Em 1907, ela retornou a Europa para tratar de sua saúde. Em 1913, aos 85 anos de idade, Carolina Krug Florence faleceu em Florença, na Itália, onde estava residindo com sua filha, Augusta, casada com Georgetti, músico e ex-professor do Colégio Florence. Foi sepultada no cemitério protestante Agli Alloni daquela bela cidade, na famosa Toscana Italiana.

A municipalidade de Campinas homenageou-a dando seu nome a uma rua da cidade.

 

Fontes:



 

domingo, 1 de março de 2015